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Vamos processar Roberto Carlos.
De Marcelino Freire. Ele, sim, sempre invadiu a nossa privacidade. A nossa casa, no Natal. E no final de ano. Invadiu o nosso quarto. O nosso motel. O carro e o rádio, etc. e tal. A nossa estrada de Santos. Foi ele quem tomou conta das nossas emoções! E do coração das nossas mães. E das orações. Só para Nossa Senhora. Foi ele quem encheu de Jesus Cristo o nosso juízo, ora. Haja corais e novenas. Catequizou os pobres. E nobres, amém! Fez sertanejo e rap. Reggae e rock. Soltou a voz em todos os gêneros. Abusou das gordas e das baleias, como ninguém. Das mulheres baixinhas e das mulheres feias. Loiras e morenas. Brotas e de quarenta. Aproveitou-se de nossas doenças. Ecológicas. Repito: religiosas e amorosas. Da própria amada morta fez a nossa pena. Choramos juntos e comovidos a sua solidão. A sua saudade e a sua dor. Foi o povo quem pagou. Com amor, sempre o embrulhou para presente. Censurar nunca censurou. A sua superstição. O seu terno branco. Os seus amigos do peito. Seu cabelo de leão. Na Rede Globo de Televisão. E agora, por quê? Quero entender o que ele fez. O que deu na cabeça do Rei? Que injusto! Proibir o livro de Paulo César Araújo. Sobretudo, seu fã. Que, mais do que nunca, cantará, em tudo que é lugar, para Roberto Carlos ouvir, toda manhã: Meu bem, meu bem Não dê ouvidos à maldade alheia Meu bem [...] Quantas vezes eu tentei falar [...] Meu bem Mas sua estupidez não lhe deixa ver Meu bem, eu te amo EM TEMPO: E nesta segunda, dia 4 de junho, às 19 horas, na Livraria da Vila da Lorena, começa o projeto “Prosa na Vila”, sob mediação do escritor Suênio Campos de Lucena. O primeiro convidado é exatamente Paulo Cesar de Araújo, autor da recente e censurada biografia “Roberto Carlos em Detalhes” (Editora Planeta). Marcelino Freire é cronista do Blônicas. 10 erros do cinema nacional.
De Lusa Silvestre. 1 Mulher Pelada: 2 Cenas no meio da caatinga: 3 Roteiros do Nélson Rodrigues: 4 Perseguições de Dodge e Opala: 5 Fotografia: 6 Palavrões: 7 Trilha Sonora: 8 Aberturas: 9 Títulos dos Filmes: 10 Lucélia Santos: Lusa Silvestre é cronista do Blônicas e garimpa no cinema nacional. Um grande problema pequeno.
De Milly Lacombe. Acordei com vontade de escrever sobre embalagens. Acho que existe aí um problema que é muito sério e pouco comentado, divulgado ou debatido. Um problema que certamente já chegou até você, numa tarde qualquer de sábado, por exemplo, enquanto comia singelamente um recheado hamburguer. Como se não bastasse toda a silenciosa culpa calórica que acompanha o ato, um perrengue ainda maior insiste em se fazer presente toda vez que me entrego à indulgência: Quem foi o gênio que pensou, aprovou e industrializou os diabólicos saquinhos plásticos de catchup, mostarda e maionese? Quem consegue, com as mãos já agasalhando o sanduíche, abrir um desses troços sem se irritar? Você já viu a cena: o sujeito segura o sanduíche com uma das mãos e, com a outra, alcança do odioso saquinho. Aí, com a boca (ato altamente reprovado por qualquer dentista) tenta fazer um rasgo na embalagem. Todo torto, nosso herói, depois de alguns minutos, finalmente fura o plástico e cospe longe o pequeno pedaço que ficou em sua boca – nem vamos falar da falta de sofisticação à qual somos obrigados a nos submeter. Milly Lacombe é cronista do Blônicas. Versos X Versos.
De Tati Bernardi. Ao lado do meu computador tem uma taça de vinho e uma água de coco em caixinha. Abro a página em branco e me pergunto: será que eu volto, ou deixo assim, como está? Será que quero voltar a me expor, ou deixo assim, no mistério? Adoro a escancarada e adoro a que faz as malas e some de vista. Adoro e detesto as duas. Tati Bernardi é cronista do Blônicas. Comprem seu livro "A mulher que não prestava" e façam uma mulher feliz. Ou não. Um texto polêmico
De Henrique Szklo Estou carente, precisando chamar a atenção. Por isso decidi que escreveria um texto polêmico. Milhares de comentários no blog, a maioria insatisfeita, me xingando, me desqualificando, amaldiçoando a mim e as minhas próximas gerações, falando mal de minha mãe, de meus filhos e do meu cachorro, eu sei. Mas quem está carente não pode escolher. Tem de aceitar o que vier, contanto que venha. Mas como na maioria das coisas que eu faço, acho que não sei fazer direito. Imagine você, eu escrever um texto bem polêmico e ninguém se incomodar, ninguém querer me questionar, dizer que eu sou um idiota, um reacionário, um tolo, mal-informado, cafajeste. Não, não posso correr o risco de isso acontecer. Preciso de garantias. Preciso estar certo de ser execrado. Se você terminar este texto e não quiser cuspir na minha cara, eu terei falhado. Mais uma vez. Henrique escreve no Blônicas e está carente. Nós na fita.
De Antonio Prata. O adesivo na Combi à frente dizia: “Não multa! Nóis tamu na luta!”. Ultrapassei a bendita, coloquei a cabeça pra fora e gritei, a plenos pulmões: “Mensalão! Mensalão!” O motorista me olhou perplexo, acelerou e sumiu -- não sem antes, por via das dúvidas, mandar lembranças à minha mãe. Não foi o primeiro patrício a estranhar minhas atitudes. A coisa começou depois que Bob Jeff, ignorando a sábia lei que rege toda falcatrua – a saber, Vaca Amarela --, botou a boca no trombone (e, logo, na panela). De lá pra cá virei uma CPI de um homem só, Taxi Driver do gogó: enfim, um chato a gritar aos quatro ventos nossos mensalões cotidianos. Logo que começou o escândalo, os jornais especulavam que mensalão podia ser mais amplo do que parecia. Gargalhadas. O mensalão está no pão nosso de cada dia, minha senhora! O que era o adesivo da Combi senão mais um exemplo desse respeitadíssimo consenso nacional de que, se é para o nosso bem, a lei pode ser burlada? “Tamu na luta” significa: sou um cara legal, meus propósitos são bons: logo, posso passar no sinal vermelho, parar em cima da calçada e dirigir pelo acostamento sem ser multado. Vou ao espaço Unibancool de Cinema. Aquele pessoal de aros grossos e fina estampa chega, olha a fila e vai logo pra frente, ver se conhece alguém e consegue um pequeno favorecimento na concorrência. “Mensalão! Mensalão!” (Diante dos meus gritos, umas garotas de cabelo verde acham que é performance e aplaudem. O resto só me olha com o mesmo susto do motorista e vira seus All Stars pro outro lado). Quantas pessoas eu não conheço, filhas da fina flor de nossas elites, que compraram suas cartas de motorista? “Mensalão! Mensalão!” E aqueles que têm TV à cabo pirata e ainda se defendem com um discursinho anti-capitalista de quinta, Robin Hoods dos jardins? Perto de São Paulo há cidadezinhas de quinze mil habitantes com mais empresas do que o Vale do Silício, todas paulistas, ali sediadas pra pagar menos impostos. Pagar multa, jamais: suborne o guarda. Fila dupla? Só um segundinho, enquanto eu vou pegar o meu filho ali na escola. Quando Bob Jeff mandou a Vaca Amarela pastar, Lula disse que ia investigar as denúncias seriamente e que, se necessário, “cortaria da própria carne”. Na hora eu imaginei uma fila com todos os brasileiros, mergulhando igual o Tio Patinhas dentro de um enorme moedor de açougue. O que me tranqüiliza é que conheço muita gente e sempre conseguiria encontrar alguém na fila lá pra trás. Eu e meus amigos de aros grossos e fina estampa pularíamos por último. Mas pularíamos. Antonio Prata é cronista do Blônicas. Olhos não se compram.
De Xico Sá.
Do cinema lindo & phoda de existir e de como uma mulher pode encantar nos detalhes de nós dois. Quando ela pede pra gente virar os olhos ou fechá-los bem fechados. Só enquanto troca a calcinha, vupt, o barulhinho do elástico, mesmo com toda intimidade desse mundo, às vezes intimidade de anos, vale, vale. Só enquanto troca o sutiã, biquíni, parte de cima, ajeita a parte de baixo, areia do doce balanço da beira dos mares, só enquanto tira uma toalha do banho, primeira viagem, só enquanto está lindamente menstruada e quer guardar-se, embora saiba que atravessamos com amor e gosto todo o seu mar vermelho e ainda mais mares aparecessem a cada mês. “Feche os olhos”, diz. “Vira o rosto”, safadeza-se, diva sob seguras telhas. Só para manter o suspense do cinesmascope debaixo do mesmo teto. “Pronto, pode olhar”. Ai ela ressurge mais linda ainda, cabelinhos molhados, com aqueles cremes todos da Lancôme ou com simples sabonetes Dove ou aqueles de nove em cada dez estrelas de Hollywood, Lux, deluxe, eu morro nesses lapsos de tempo, elipses do desejo, frações de segundo que são eternas de olhos fechados para quem meus olhos na terra, que há de comê-los inté os aros dos óculos e as safenas, mais abriram e justificaram seu brilho castanho mesmo em dias de torpor e existência de pára-brisas lusco-fusco.
Xico Sá é cronista do Blônicas. Manual contra vampiros.
De Nelson Botter. Os livros de auto-ajuda consomem as prateleiras das livrarias como se fossem os vinhos mais nobres de uma conceituada enoteca. Capas vermelhas, azuis, laranjas, roxas, um verdadeiro festival de cores e letras redondas, estilosas, chamativas. O marketing lá repousa de cabo a rabo. E eu, curioso, procurando um manual, um “10 passos” disso ou daquilo, mais especificamente de como me defender de vampiros. Os vampiros são criaturas fascinantes e sedutoras em livros de terror e em clássicos filmes B. Na vida real, perdem o charme, a elegância, o mistério e não passam de míseros sanguessugas. São chatos, invejosos e cuidam da vida de todos os outros, pois a deles é uma merda. É, estão condenados à bosta eterna. Batem suas asinhas em tudo quanto é canto, policiando as ações dos outros, loucos para acharem uma brecha e despejarem um pouquinho do caminhão de merda que levam consigo em suas moribundas existências. Sim, porque os vampiros reais não se alimentam de sangue, alimentam-se da cobiça e também do prazer ilusório de criticar os outros, assim sentem-se menos insignificantes em suas fantasias de mortos-vivos, patéticos defuntos desprezíveis e parasitosos. Por isso, cago para eles. E eles vêm correndo. Sempre famintos, com seus caninos marrons, loucos para morder um bom montinho efervecente de fezes. Se deliciam. Lambem os dedos. Chegam e disparam para todos os lados, acusando, julgando, sempre na pele dos bons donos da verdade. Se incomodam mortalmente com o que vai de encontro à sua limitada linha de pensamento. Moscas. Não sabem argumentar, sustentar um ponto-de-vista... querem atacar as pessoas, cuspir, morder a jugular, maldizer, difamar, mandar para a guilhotina. Uma revolução de hipocrisia. Atolam-se mais e mais. O manual não existe nas prateleiras, não é vinho disponível para compra. Assim, concluo que cabe a cada um reagir da maneira que achar melhor e ponto final. Eles nunca morrerão mesmo, pois já estão do lado de lá. O alho, a cruz, a estaca, de nada servem, só alimentam mais esses pobres malandros. Por isso, cago para eles. E me divirto com a fúria, o sangue nos olhos, a força desmedida e a violência descabida. Mesmo não conhecendo nada de mim, não sabendo quem sou, onde ando, com quem vivo, em que lado da calçada estou, enfim, nada vezes nada, ainda assim querem me apedrejar, me difamar, me rotular, me vampirizar. Queridos vampiros, vocês não servem para nada, apenas são rasa inspiração para uma crônica de qualidade um tanto duvidosa. Continuem patrulhando e perseguindo a quem lhes incomoda, pois os patrulhados e perseguidos não se incomodam. Nelson Botter é cronista do Blônicas. Desperate house writers.
De Tati Bernardi. Linda a combinação da camiseta de super homem com calça social. Ele tem cabelo moderninho daqueles que tornam o cafuné mais divertido e usa meia bonitas. Ele tem um cheiro bom daqueles que só melhoram conforme o perfume vai saindo. Testosterona jovial. Que homem se preocupa exatamente com as meias? O da minha vida, claro. Ele é o homem da minha vida. Mas ele tem só 19 anos e bebe mais que o Zeca Pagodinho! Dane-se. Essa boquinha pequena dele, com esse biquinho de mau humor, tem o tamanho certo para aquela minha outra boquinha sempre em crise. O ombro é largo e dá pra dormir uma tarde inteira alí. É ele. É ele. Ops. Ele acaba de falar que gosta mesmo é de balada no interior. Com os brothers. Lá as garotinhas são loucas pra descolar um urbaninho de Corsa. Droga. Achei que era dessa vez. Achou mesmo, sua louca? Um garoto de 19 anos que usa as meias que a mãe compra pra ele? Louca. Olha lá, olha lá! Amor das antigas pintando na área. Ele não passa um mês sem fazer contato com a nave mãe. No caso, eu. No caso a mulher mais desesperada que eu conheço pra ser mãe. Hormônios filhos da puta. Nem sei o que fazer com um bebê depois, nem quero fazer nada com ele. A não ser brincar um pouquinho, beijar a barrigona e depois largar ele lá na minha mãe e ir pegar o garoto da boquinha pequena. Só por uma noite. Uma noite já dá pra fazer um bebê? Fazer um bebê com outro bebê. Sua louca, maluca, depósito de hormônios enlouquecidamente solitários e inúteis. Olha lá o amor antigo pintando na área. Ele quer almoçar. Que graça esse cara vê em almoçar tanto comigo? Ele tem tesão em me ver largando tudo no prato? Nunca consigo comer direiro na presença dele. Não sei ao certo se por amor ou nojo. Tenho nojo de andar pra trás. O mesmo nojo que tenho de sequer pensar em sexo anal. Mas vivo andando pra trás e tenho certo tesão em retroceder. É como se a vida dissesse: “eita povo burro mas divertido”. Talvez um dia eu faça mesmo sexo anal. Talvez um dia eu conheça um homem que mereça me foder a luz do dia. E não sozinha, no meu choro baixinho embaixo das cobertas. Que você quer agora, heim tio? Ele diz que minha perna está grossa como nunca, depois diz que quer só um cafezinho e bater um papinho. E eu não vou não. Preguiça daquele gemidinho contido dele. Queria que ele berrasse. Queria que ele berrasse: casa logo comigo! Não vou mais te enrolar, coxuda! Casa logo comigooooooo! Ele é contido pra gostar, pra gozar, pra casar, pra cagar. Um dia ele explode. Tomara que nesse dia caia um pouco de dinheiro do céu. Pra alguma coisa alguém que só me enche há tantos anos tem que servir. Olha lá quem chegou. Abro a porta e ele fica meio sem graça. Ele sabe que veio aqui pra me pegar, eu sei que convidei ele pra ser pega. Mas a gente já conversou tanto sobre a fome humana e a guerra do horror, que nos vimos na obrigação de enrolar um pouco antes de virar animais. Ele mexe nos meus dvds e nos meus livros. Depois tá liberado mexer no pinto. A gente se ama tanto como amigo que beleza. É isso. So queria ser amada. Só isso. Precisa casar comigo não, precisa me angravidar não. Basta me olhar assim, basta morrer de rir comigo. Basta me ler, me decifrar, ser intenso nesse minuto. Vamos todos morrer meus amores, vamos então morrer sabendo que demos vida a alguém. Ele me dá vida e quando vai embora, tudo fica pequeno. Mas isso não é uma declaração de amor. É só porque ele tem coisas grandes, se é que vocês me entendem. Opa, olha de quem chegou um e-mail. De mais um super bom partido que partiu antes do pôr-do-sol. Não some não, Tati. Some não. Aí eu apareço. Peraí, Tati. Não aparece tanto não, não aparece tanto que daí sou eu que sumo. Aí eu viro mais uma idiota transparente e aí sim arrumo um namorado pra chamar de meu. Odeio essa expressão “pra chamar de seu”. Foda-se. Nem desapareço e nem apareço. Tampouco fico transparente porque não sou vaso decorativo daqueles que você bate palma e a florzinha dança. Eu apenas viro mais um fantasminha. Eu sei que apareço em muitos corredores no meio da noite. Bando de gente morna do cacete. Como diria Janis, I neeeeeed a man to loooove. Tá difícil, Joplin. Tá mais fácil essa dança maluca que eu inventei aqui pra dançar Prince. Adoro esse cara. Mas eu não dava pra ele não. Homem tem que dançar pra tirar sarro, jamais pra ganhar dinheiro. Mas eu dava pro Eminem. Todo mundo tem um defeito. O meu é esse: eu dava muito pro Eminem, de preferência em um dia que ele tivesse bem puto com a vida. Aliás, eu tenho dois defeitos: eu dava pro Justin também. E se a Cameron quisesse vir junto, pegava ela também. Pegava boa parte dessas mulheres lindas. A outra parte eu deixava me pegar. To mesmo a fim de comer mulher. Minha única dúvida é naquela hora de ficar molinha e começar a falar tudo molinho e… querer um durinho. Mulher é quase uma coisa perfeita. Mulher pra ser perfeita tinha que ter pinto. Homem pra ser perfeito tinha que tirar o pinto. Eita povo besta mas divertido. Tati Bernardi é cronista do Blônicas aos sabadões. As mulheres são chatas, os homens são bobos.
De Leo Jaime. Esta frase eu ouvi de um escritor carioca há uns bons dez anos. Era a Leo Jaime é cronista do Blônicas. Sexo.
De Carlos Castelo. 1. Estou finalmente fazendo sexo agora. Carlos Castelo é cronista do Blônicas. O amor começa no paraíso e termina na consolação.
De Xico Sá. [velha crônica republicada a pedidos] Por que chora aquela moça? Sempre acho que todo choro é ou deveria ser por amor, que me perdoem a pobre rima que reverbera aqui embaixo, nos subterrâneos, underground, tantas linhas depois daquela criatura deslizar o inferno rolante, lá no primeiro batente, e cair aqui, passos que conto como o rapaz do crime russo, degraus que ignoro para esquecer o tamanho da queda, deus, vixe. Dela? Quase nos meus braços, quem terá caído? Posso tão bem sentir aquele baque, terei descambado eu ou o meu alvo móvel? Uma grande dívida nunca nos põe a chorar de verdade. Por um familiar, choramos diferente. Desemprego? Não. Se não teríamos um Tietê, um Capibaribe, um Paraíba, um São Francisco a cada segunda-feira, cada esquina, lágrimas que manchariam a tinta dos classificados e seus quadradinhos lógicos, portas na cara, quem sabe da próxima, projeto ilusões perdidas... A moça tenta não soluçar, mas soluça. Terá discutido a relação, a velha d.r., à boca da estação Paraíso? Veste roupa de trabalho sério, e chora. Daqui a pouco estará sentada na sua cadeira de secretária, exímia, bilíngüe, a serviço do capital da avenida Paulista. Mas por enquanto chora a moça do metrô e é o que nos importa. Se não for por amor, eu morra. Terá levado um pé-na-bunda? Terá visto o casamento pelo binóculo do sr. Nelson Rodrigues? Perdoa-me por me traíres? Estação Consolação. Salta a moça que chora no trem veloz. Sempre há uma criatura a chorar no ônibus, também, ou again, dores pra amolecer o asfalto, sopra minha amiga Claudia Leal, que sempre pensa oferecer um ombro, um olhar de conforto, na linha Campinas/São Paulo. O amor é sempre assim, começa no paraíso e termina na consolação. Como no metrô. A mesma CL desconfia: quem chora em público acaba de chegar ao terminal da dor, o ponto final da cura, baldeação, vírgula, pausa, descanso, pastel, caldo-de-cana, refresco, desamor. Xico Sá é cronista do Blônicas. Declaração Universal dos Direitos dos Cornos.
De Henrique Szklo. 1) Todo corno nasce com uma incrível predisposição para acreditar nas pessoas, trabalhar até tarde e viajar bastante. Quanto mais melhor; 2) Todo corno tem o direito de confiar cegamente que todos os seus amigos olham para sua mulher como se ela fosse homem; 3) Todo corno tem o direito de instalar em sua casa armários bem grandes e colocar portas com batentes muito mais altos que o normal; 4) Todo corno tem o direito inalienável de tratar os filhos como se fossem seus. Afinal, pai é quem cria; 5) Todo corno tem o direito de coçar a cabeça toda vez que refletir sobre o porquê de sua mulher não reclamar da falta de sexo; 6) Ninguém poderá consolar o corno dizendo que ele irá superar essa situação por ser “forte como um touro”; 7) Todo corno tem o direito de sugerir à sua esposa que vá ao dermatologista cuidar das marcas que vivem aparecendo em seu pescocinho; 8) Todo corno tem o direito de compartilhar sua vida com uma mulher que seja capaz de passar a tarde inteira no shopping e voltar para casa sem uma sacola sequer; 9) Todo corno tem o direito de acreditar que o personal trainer da sua digníssima esposa é apenas seu professor de ginástica; 10) Todo corno tem o direito de voltar mais cedo para casa para poder encontrar com os amigos. Aqueles mesmos que acham que sua mulher é homem. Henrique Szklo é cronista do Blônicas e redator da ONU. O brasileiro é um feriado.
De Leo Jaime. Esta frase de Nélson Rodrigues, usada como título acima, pode ser um vaticínio. Dita nos idos anos setentas, ou sessentas, a frase guarda uma incrível atualidade. Ou prospecta um futuro sombrio pois a coisa, hoje em dia, é muito bandeirosa. Neste ano o Brasil terá o dobro de feriados que a França. Lembra dos carros queimados, por causa da lei que tirava a estabilidade no primeiro emprego? Pois é. Aquele é um dos países mais ricos do mundo, com uma economia poderosa, e lá o pessoal votou, semana passada, num presidente que tinha como um dos pontos fortes de sua campanha o aumento na carga horária semanal. Lá trabalham 35 horas por semana e ele quer desonerar a hora extra de encargos fiscais para que o pessoal possa trabalhar mais. Pois é. Metade dos feriados! Fosse só a mania de feriados. Ontem chegou o Papa. A cidade está parada desde então. Ta bom, é exagero, mas funcionando normalmente também não está. Estão pensando no Frei Galvão, será mais uma folga? Tem as datas facultativas, os feriados que "emendam" por cair na quinta ou terça e toda a sorte de desculpa para não fazer porra nenhuma. Quem sou eu? Um inimigo do ócio? Não! Um workaholic? De jeito nenhum! Sou um feriado compulsivo que precisa ganhar a vida! Assim como o Marcola, que terminou o ano sabático e voltou para o convívio dos seus. Já está em plena atividade, comandando o crime de dentro de uma cadeia comum. Este pessoal trabalha todos os dias e todas as horas! Imagine se todos nós recebêssemos por horas trabalhadas. Seria essa farra? O problema é que os impostos são por mês, os salários são também mensais, e os dias trabalhados são um problema de quem paga esta merda toda! O meu caso, por exemplo. Leo Jaime é cronista do Blônicas. Distraídos.
De Nelson Botter. 2 4 8 16 32 64 128 256 512 Nelson Botter é cronista do Blônicas. A experiência humana fracassou.
De Milly Lacombe. Como se a Câmara nacional precisasse de maiores danos a sua imagem, descobre-se agora que a ilustre Casa fornece, há 15 anos, a boquinha de um seguro-saúde, extensivo à família, para alguns jornalistas que cobrem politiquices e politiquetes diretamente da Capital Federal. A lista com o nome dos beneficiados, segundo a imaculada Casa, não será divulgada, mas o mimo vai acabar (apenas porque foi revelado, naturalmente). Enquanto isso, nos Estados Unidos, uma senhora de 50 anos veio à tona como líder de um esquema de distribuição de serviços eróticos coordenando 130 moças que serviam ao mais alto escalão de políticos da capital americana. A lista com os nomes da clientela está para ser divulgada, mas – informa a coluna de Pedro Dória no site nominimo.com – Randall Tobias, chefe do Departamento de Estado, e aquele mesmo devoto que defendia publicamente a abstinência sexual (e não a distribuição de camisinhas) contra a disseminação da AIDS na África, já temendo por si, demitiu-se há uma semana. Mais regionalmente, Mangabeira Unger, que durante um bom tempo descascou o governo Lula em artigos cheios de coerência, dizendo, entre outras coisas, que se tratava da administração mais corrupta de nossa história, agora é ministro desse mesmo (des)governo. E, finalmente, o Papa que veste Prada está para chegar. Rodeado de paparicos e luxo, vem, nada franciscanamente, para discursar sobre coisas das quais não tem como saber: casamento, família, aborto (não incluí homossexualismo na lista porque, sobre o tema, sua Igreja pode comprovadamente falar, ambora, como canso de dizer, pareça só aceitar a homossexualidade para fins de pedofilia). Em terra brasilis, o homem vai reconhecer mais um santo. E a religião que se diz monoteísta celebrará seu santo de número 5 mil e cacetada. O número de intermediátios entre você e Deus não pára de crescer. Como sempre acontece quando a quantidade de intermediarios é grande, o custo também aumenta, Passes em via expressa rumo ao paraíso saem cada vez mais caros – ou você pensa que esses deslocamentos do Papa-Prada são baratos? Alguém tem que pagar pelo mármore e pelo ouro do Vaticano. Mas deixemos isso pra lá e dancemos ao lado de Sua Santidade e de celebridades como aquele Marcelo, o ex professor de educação física, atual rebolante do clero. Quando a fé cega, tudo pode ser festa. Enquanto isso, nós, os otários - agnósticos, ateus, civis, classe média, classe baixa, gente que só quer saber de ser feliz, ganhar um dinheirnho, tomar uma cervejinha, bater um bom papo com amigos sinceros e, claro, namorar - continuamos na labuta, tentando fazer apenas o que parece correto, seguindo nossa própria cartilha de códigos éticos e morais, pagando impostos que jamais serão usados em benefício público, e assistindo, passivamente, ao desmoronamento moral e social de nosso país – e do mundo. Como disse meu colega Armando Nogueira, uma pequena dose de hipocrisia é necessária para que suportemos a vida em sociedade (ninguém aturaria 100% de verdade o tempo inteiro). Mas a hipocrisia metralhada em doses tão cavalares e diárias serve apenas para nos fazer descrentes. Talvez seja hora de admitirmos que a experiência humana fracassou. Quem sabe assim consigamos recomeçar. Ou, pelo menos, gritar. Milly Lacombe é cronista do Blônicas. O Brasil na faixa.
De Antonio Prata. Como muitos brasileiros, eu também andava por aí, cabisbaixo e macambúzio, a chutar tampinhas de garrafa e maldizer a vida, o governo, o mal-tempo e o técnico da seleção. Foi quando conheci o PSTM: Partido do Socialismo Tranqüilo e Moreno. Não se trata de mais uma nova sigla, fadada às velhas maracutaias: o PSTM tem um projeto civilizatório. Ou descivilizatório, como verá o amigo. Quem me trouxe a luz da sabedoria foi um dos fundadores da agremiação, o ilustre professor Eduardo Correia. Mais tarde, um de seus discípulos, o Dr. Marcelo Behar, me pôs à par de todos os detalhes. (Eduardo fuma cachimbo, Dr. Behar trabalha de terno, de forma que não se pode duvidar da seriedade dos dois patrícios). O projeto do PSTM é de uma simplicidade tão grande (ou de uma grandeza tão simples), que cheguei a gargalhar de felicidade ao conhece-lo. Veja só: pega-se a extensão da faixa litorânea brasileira e divide-se pelo número de habitantes. O resultado é esplendoroso: 50 m de areia branca para cada cidadão. Chega de tentarmos ocupar o cerrado, povoar a caatinga, adentrar aquelas imensidões ermas. Já temos o sertão mítico de Euclides da Cunha e Guimarães Rosa para nosso desfrute. Para que queremos o real? Com o PSTM o Brasil não vai pra frente, mas pro lado. Cada cidadão terá direito à sua faixa de areia e mais uns 200 metros de terra para dentro do país, apenas o suficiente para plantar uns coqueiros que dão coco, umas palmeiras onde cante o sabiá e o que mais lhe aprouver. A Amazônia e o Pantanal nós vendemos para a Europa, que já destruiu tudo o que tinha por lá e, cheia de culpa e de olho gordo nas patentes biológicas, irá cuidar das florestas. (Se não cuidar, também, já não será mais problema nosso). Os pampas a gente dá pra Argentina, em troca de carne, doce de leite, psicanalistas e centroavantes. O resto, vendemos para os EUA, que farão parques temáticos, resorts, campos de golfe e testes com armas nucleares. Com o dinheiro da venda construiremos um SESC a cada tantos quilômetros, uns barzinhos que ofereçam peixe frito e cerveja gelada, uma linha de trem norte-sul para visitarmos amigos e parentes e sustentaremos uma ou duas gerações de vagabundos. Deitados eternamente em berço esplêndido (as cangas), poderemos enfim nos dedicar ao ócio, ao samba, ao futebol, à culinária e às grandes questões existenciais. Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor. Chegou a hora de assumirmos nossa vocação de Chile Atlântico. Chegou a hora de sermos felizes para sempre. Antonio Prata é cronista do Blônicas. Eu não entendo mais nada.
De Leo Jaime. Eu não estou entendendo mais nada. Leio os jornais e fico cada vez mais confuso. Fico com vergonha de ser tão confuso, mas acho que posso compartilhar isso com você. Talvez seja melhor trocar idéias e ver se as coisas esclarecem. Dia desses foi instalada uma CPI a pedido ou por ordem do STF. Bom, o legislativo e o judiciário são poderes diferentes mas, que eu saiba, o legislativo sendo comandado pelo judiciário é mais ou menos a mesma coisa que não existir. Ou nossos políticos pensam e tomam decisões por conta própria ou fazem o quê? Se é uma Comissão Parlamentar de Inquérito, seria o caso de o executivo ou o judiciário intervirem? E esta intervenção não é anti-democrática? E se há a necessidade de uma CPI o congresso não deveria ter visto isso? Penso no massacre da faculdade americana e só me lembro de notícias que diziam que o garoto coreano fez isso e aquilo outro. Mas o garoto é coreano mesmo? Ou de origem coreana? E se é um garoto americano, porque chamar de coreano? Nunca dizem o cantor italiano Frank Sinatra, por exemplo. Mas dizem o cantor afro-americano Stevie Wonder. E não dizem o presidente Anglo-americano George Bush. Estou entendendo errado ou todos são "brancos" Talvez valha dizer que o estado de loucura a que ele chegou possa ter sido reforçado por sua dificuldade em se enturmar, exatamente por causa de sua origem. No meu entender existe uma raça só que é a humana. E diversos tipos físicos e etnias. Não sou especialista no assunto mas acredito que há vários tipos de orientais, de negros, de índios americanos, de europeus e assim por diante. No entanto, somos em linhas gerais muito parecidos. Fazendo uma analogia, seria como se fôssemos todos labradores, uns chocolate, outros negros, outros claros, assim por diante. E não somos, seguindo a mesma analogia, Dogues Alemães e Pugs. Mas posso estar divagando sem nenhuma propriedade. O fato é que acho que descrever pode ser diferente de discriminar. E chamar um estudante assassino de coreano, por causa de suas origens, me parece o caso desnecessário de associar sua ação às suas origens. Você me acompanha? Pois é, mas parece que está claro para todos os veículos que o assassino não é americano, é coreano. Isso me faz lembrar a diferença que existe no tratamento a bandidos aqui e lá. O tal estudante americano que matou 35, se estivesse vivo, teria que pagar por seus atos com a vida ou com prisão perpétua sem privilégios. É duro? É. Para nós brasileiros então, um absurdo. Está claro para o Estatuto da Criança e do Adolescente, em vigor no Brasil, que se um cara de E isso remete ao episódio Champinha. Tem um monte de gente dos direitos humanos querendo ele solto, afinal já passaram os três anos de sua detenção de adolescente. Agora é só ver quem quer o cara solto e pedir para levar ele como hóspede, na casa de cada um por um mês. É impressão minha ou o pessoal dos direitos humanos está sempre mais preocupado com os Champinhas do que com as Lianas. Acho que é a idade. Não entendo nada e acho tudo muito confuso. Mas aceito opiniões dos internautas leitores. Desde que respeitosas. Rs. Leo Jaime é cronista do Blônicas. Quem sonha na sesta tem nuvens como doce de sobremesa.
de Xico Sá. agora te miro, minha sophia loren,zolhinhos boiando, nuvens fiéis, que enganam os homens, algodão doce, que cá de baixo, tentam entendê-las, como se retinas... as desenhassem, [das sobrancelhas] das mulheres. vida: tudo é goteira. te miro boiando sobre o drinque cowboy, no molhado de nós, sob luz fulêra, [da fluorescente amarela,] mas agora me escapas, pela cortina, estampadinha, meu deus, que só meus zolhos. que só meus zolhos estourados, como gomos de ácidos [[[das antigas.]]] cortina vagaba de hotelzinho de beira de estrada. lua minguante pelo buraco da janela, virgulazinha de lua sobre o conhaque. bem antes de virar ponto e vírgula na sarjeta [refração pós-domecq.] os caminhões no asfalto abafam nossos possíveis sins e dúvidas foda-se a elipse. cadê sam sheppard, que iria cruzar contigo esse paraíso? vejo ao longe mario bortolotto, que nos traz o que sobrou de deus, um sorriso deveras, do que inventamos como deus, e algo dito assim, numa voz de neblina, goela de tom waits, mas com segunda voz de nick cave: porra, vocês tão parecendo terra de cemitério, só querem comer gente! Vamo beber, daqui a pouco é alvorada-blues lá na Roosevelt! Xico Sá é cronista do Blônicas. Agenda do Diabo.
De Carlos Castelo. Com a onda dos ‘shadow gabinets”, comenta-se nos meios eclesiásticos que o Diabo resolveu aderir à moda e montar um governo paralelo ao do Vaticano. Na verdade, a informação não é 100% confirmada. Há quem diga que, desde o papa Clemente I, o fato vem acontecendo. E olha que esses papas da antiga, fora os Bórgias, não deixavam rabo pra Satanás nenhum puxar. Na real, eles eliminavam os inimigos. Mas o Capeta, sabe como é: morre mas, vira e mexe, taí atentando de novo. O texto abaixo seria uma suposta agenda que Satã teria a cumprir no Brasil concomitantemente à visita de Bento XVI. Isso promete dar o maior bode. Mas eles que são anjos que se entendam. QUARTA-FEIRA, 9 de maio de 2007 9h - Partida do Inferno rumo ao aeroporto Internacional de Guarulhos. 22h30 – Depois de cinco horas de um infernal atraso, pouso no Aeroporto Campo de Marte. Saudação das autoridades locais e show do grupo Demônios da Garoa. QUINTA-FEIRA, 10 de maio de 2007 8h - Missa negra na encruzilhada da Rua Suécia com Noruega, nos Jardins com a presença de empresários da Fiesp e operadores da Bolsa. 9h15 – Ida de helicóptero ao Presídio de Segurança Máxima de Catanduvas. 11h - Visita de cortesia à alta direção do PCC no Presídio de Catanduvas. 12h - Traslado em belzebumóvel do Presídio de Catanduvas ao Estádio do Pacaembu. Discurso do Diabo. 13h15 – Show da banda Black Sabbath. 15h – Almoço com o “Maníaco do Parque” nos camarins do Estádio do Pacaembu. 17h30 - Traslado em automóvel do Estádio do Pacaembu ao Bar das Putas, na Rua da Consolação, região central de São Paulo. 18h00 – Drinques com as profissionais do sexo do centro da cidade e conversação com as proprietárias da marca de roupas Daspu. 19h- Distribuição de blasfêmias aos visitantes da feira de utensílios sexuais “Pornô 2007”, na região da Avenida Paulista. 19h30 – Visita ao Stand Center, na avenida Paulista. 20h - Traslado em carro do Stand Center à boate Love. 20h30 - Chegada à boate Love. Noite livre. SEXTA-FEIRA, 11 de maio de 2007 8h30 - Traslado em automóvel do motel Astúrias ao Campo de Marte. 9h30 – Missa negra campal de demonização de Roberto Marinho. 10h30 – Conversa privada com Paulo Maluf e Fernandinho Beira Mar. 11h30 – Confraternização com Roberto Jefferson. 12h30 – Almoço com José Mojica Marins. 14h – Visita de cortesia ao Juiz Nicolau. 15h – Vôo até Brasília. Chegada ao Seminário Novas Ações de Marketing Político. Abertura do Simpósio. Discurso do Diabo. 18h – Happy hour com a promotora de eventos Jeany Mary Corner. 22h – Volta a São Paulo a bordo do Aerolula. SÁBADO, 12 de maio de 2007 Dia livre. DOMINGO, 13 de maio de 2007 9h – Brunch com empreiteiros do metrô de São Paulo. 11h – Rodada de bingo em prol da criação do Sindicato dos Contraventores Independentes do Estado de São Paulo. 12h30 – Churrasco e pagode em companhia de traficantes de cocaína brasileiros, colombianos e bolivianos. Discurso do Diabo. 16h – Visita a Dercy Gonçalves: troca de palavrões e insultos. 18h – Passeio triunfal de despedida no belzebumóvel pelas ruas e avenidas da Cracolândia. 22h – Embarque no Aeroporto de Congonhas. Sabe-se Deus quando o Cão chega nos quintos do Inferno. Carlos Castelo é cronista do Blônicas. |