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Dúvidas sobre o Réveillon.
De Henrique Szklo. Por que nesta época do ano todo mundo diz pra você ter boas entradas e depois dá uma risadinha nojenta? Médico também passa o Réveillon de branco? Por que Réveillon se escreve Réveillon? Como é que as pessoas fazem para pular as sete ondinhas no Havaí? A gente deve comemorar no horário normal ou no horário de verão? Papai Noel comemora o ano novo? Por que não escrevemos reveiôm? Por que os australianos estão sempre comemorando o ano novo antes de todo mundo? Na região francesa de Champagne você pode comemorar o Réveillon com cidra? Meia-noite em ponto é o final do ano velho ou começo do novo? Passar o Réveillon fazendo sexo é garantia de boas entradas? Os canhotos precisam começar o ano com o pé direito ou com o esquerdo? Bombeiros também soltam fogos? Os negócios só vão começar a melhorar depois do carnaval ou no segundo semestre? Por que no dia 2 de janeiro todas as nossas esperanças já foram por água abaixo? O que Iemanjá faz com tanta flor? Dá azar pular as ondas no mar morto? O Réveillon em Hollywood tem fogos de verdade ou são efeitos especiais? Quem passa o final de ano completamente bêbado entra com o pé direito na jaca? Se nos anos anteriores os adivinhos erraram quase todas as previsões, por que é que fazem tudo de novo? Se todo ano é a mesma merda, por que a gente acredita que este agora vai ser legal? Se a gente não desejar nada na virada do ano não vai acontecer nada com a gente nos 365 dias seguintes? Quem está dentro de um avião na passagem de ano pode soltar fogos? Se no Réveillon a pessoa estiver num parque aquático e pular sete ondinhas artificiais, os seus desejos não serão atendidos? Desejar que uma pessoa que não tem o pé direito começar o ano com o pé direito é um cumprimento ou uma ofensa? Começar o ano fazendo piadas de mau gosto é um mau agouro? Henrique Szklo é cronista do Blônicas. Simpática X simpatia.
De Tati Bernardi. Quando vai chegando o final do ano viro a pessoa mais supersticiosa e Hoje, por exemplo. Comprei uma bermuda “amarelo ouro” para trazer Não abro mão de passar a virada na praia, pulando ondinhas, comendo Outra coisa que faço também, durante os milhares de fogos e abraços da Sempre acabo conseguindo tudo o que eu peço enquanto pulo as ondinhas: Simpatias e “pagar de gatinha” são duas coisas que não andam, Tati Bernardi é cronista do Blônicas. Bom natal a todos!!!
O Espírito do Natal
De Nelson Botter Jr. Nelson Botter Jr é cronista do Blônicas. Malagueta.
De Thaty Hamada. Mulher é sexta-feira. Cheia de entusiasmo e ansiedade, reclama dos dias, mas adora as horas vividas. Faz pose de final de semana, sai e balança a cabeleira pra si mesma. Põe salto alto pra aumentar a bunda e encolher a barriguinha. Rebola com as amigas e faz o tempo parar quando passa na frente dos marmanjos. Sai só pra dançar (ou não), bebe destilados ou cerveja com a delicadeza de Vênus e olha para as estrelas com ar de diva. Com um sorriso no rosto reclama do ex e enobrece o atual. Chora de saudades da infância e da comida da mãe. Mas mulher que faz pose de boazinha demais, santinha demais, tem o zap na manga. Pode acordar, abre o olho, rapaz, ninguém é tão santa, nem tão demônio quanto aparenta. Até porque, como dizem, mulheres boazinhas não enriquecem! Mulher é pimenta. O cheiro pode parecer bom, mas se não souber a quantidade certa, a intensidade e o jeito, sai chorando. Não que sejamos estrategicamente feitas para arder a vida, é que o intervalo entre a doçura e a explosão por fissão é a 'pimentude' feminina. O levantar de uma sobrancelha, o passo mais forte, os dentes cerrados e barulhentos, os olhos de prazer ou de ódio, os extremos vivendo em uma só. Mulher é peça única. Mulher igual só por fabricação em série e mesmo assim sai com defeitos diversos. Somos e admitimos ser milimetramente defeituosas, cheias de pontas duplas e rímel borrado. Mas cada uma tem o gosto, o jeito, a qualidade, a especialidade de demonstrar o olhar exato no momento certo (ou não). Homem adora mulher de bem com a vida. Homem adora sexta-feira, cerveja e mulher. E mulher adora ser quem é, sexta-feira da paixão. Thaty Hamada escreve no recém-criado Chá de Tharântulas, que reúne três blogueiras que se conheceram lendo o Blônicas. Visite, é bem legal. Controle.
De Antonio Prata. Dentre os vários mistérios deste mundo, um tem me intrigado especialmente (pelo menos desde que voltei do 95, onde fui discutir com a dona Marlene uns pormenores à respeito das vagas na garagem): por que diabos algumas pessoas enrolam o controle remoto com magipac? Quem, como a dona Marlene, embrulha o controle como se fosse uma sardinha a ser congelada, deve acreditar que o está protegendo. Mas protegendo-o de que, meu Deus? De nossas mãos imundas? Se é assim, se com o simples toque macularemos a suposta pureza do objeto, teremos de enrolar tudo em folhas de plástico: do teclado do computador ao papa. Não seria mais fácil, de uma vez, usarmos luvas cirúrgicas? Talvez não sejam de nossas mãos, no entanto, que as zelosas donas Marlenes desse mundo protejam o controle, mas de algo pior. Quem sabe um tornado passe sobre o bairro justamente quando minha vizinha do 95 foi comprar peito de peru na padaria e deixou as janelas abertas? A sala é inundada: perde-se o sofá, o abajur, a tv, o tapete de sisal, anos e anos de economia, mas o controle remoto, oh!, santa precaução, o controle remoto sobreviverá, incólume, em meio aos destroços. E agarrada ao pequeno e lustroso sobrevivente, chorando, descabelada, a boa Marlene se ajoelhará entre os destroços e agradecerá aos céus por ter tomado seus cuidados impermeabilizantes. Tento evitar o preconceito, tenho terror à discriminação, mas devo confessar que jamais seria capaz de uma relação mais íntima com uma pessoa que fosse adepta de tais exageros, digamos – ou suponhamos --, assépticos. Desconfio que quem embrulha um controle remoto é capaz de coisas muito piores. Flores de plástico, por exemplo. O terror que representa uma flor de plástico é facilmente compreendido por qualquer sujeito que já tenha visto uma flor de verdade, dessas que abrem, cheiram bem, depois morrem – e só por isso, oras bolas!, são belas. Uma flor de plástico é como uma mulher de plástico, um bife de plástico, um pôr do sol de plástico. A essas pessoas que, se pudessem, faziam-se todas poliuretano, pergunto: se as flores são de plástico, porque não também uma boneca inflável no lugar da esposa, umas Barbies no lugar dos filhos e uma dessas amostras de vitrine de restaurante japonês para o jantar? Sim, eis o caminho inexorável: primeiro o magipac no controle, depois as flores de plástico e, quando vamos ver, George Orwell dominou geral. Sei que é preconceito. Sei que depois de publicada essa crônica virão cartas e e-mails furibundos. Pessoas idôneas e acima de qualquer suspeita surgirão, brandindo seus reluzentes e protegidos controles e promovendo abaixo assinados, onde constarão políticos de passado ilibado, artistas de cinema e esportistas olímpicos, um ou outro santo até, quem sabe (por procuração de um descendente), dizendo que nunca deixaram seus controles ao alcance do orvalho, da gordura, dos tufões ou do sereno. E que isso não é da minha conta. E que eu deveria me preocupar com as crianças abandonadas, o desmatamento da Amazônia, a alta dos juros ou com meus próprios assuntos. Vocês têm toda razão. Eu é que estou errado, anacrônico, impuro e besta. O mundo, como a vaga de frente para a rampa, sempre será das donas Marlenes. Quando, no ocaso de meus dias, eu tiver que apertar com todas as forças o já gasto botão on/off do controle da televisão, cercado por flores murchas e crianças barulhentas, olharei no fundo dos olhos cansados de minha esposa e murmurarei, arrependido: “magipac”. “O que foi que você disse, meu amor?”. “Nada, querida, nada. Já é tarde e acho que vou dormir”. Antonio Prata é cronista do Blônicas. A tumultuada relação PT - PSDB.
De Edson Aran. A construção da democracia no Brasil... São três da madrugada. O PT abre a porta silenciosamente e entra em casa na ponta dos pés. Não adianta. O PSDB está sentado no sofá, de cara amarrada. Edson Aran é cronista do Blônicas. No aeroporto.
De Milly Lacombe. Tive que ir ao Rio. Para meu completo desespero, de avião. Tenho pânico desde a mais tenra idade, elevado à milionésima potência nos últimos meses, por motivos óbvios. Mas não houve outro jeito: precisava ir, já que tenho que pagar as contas, e tinha que ser de avião. Fiz a mala, achando que se tratava da última vez que fazia uma mala, e fui para o espetacular aeroporto de Congonhas, na não menos espetacular São Paulo. Fiz o check in e, como de hábito, esqueci de apresentar meu cartão de fidelidade. Como de hábito, lembrei do esquecimento quando tinha acabado de me afastar do balcão e, como de hábito, deixei pra lá. Parei na banca de jornal, subi as escadas rolantes e comprei uma água (por módicos 3 reais, porque os aeroportos se consideram território estrangeiro, e um pão de queijo. De troco, recebi a moeda do aeroporto: chiclete, que emprestei ao rapaz que estava atrás de mim na fila e precisava de mais 20 centavos para inteirar sua compra. A balconista, para meu delírio, não teve como recusar, já que ela mesma havia acabado de me dar chiclete como moeda) e fui para o portão de embarque, sabendo que ele, naturalmente, seria alterado porque essa é a única regra que parece nunca falhar em aeroportos nacionais: o portão marcado no cartão de embarque será alterado. O número ali impresso serve apenas para saber em que portão você não embarcará. Funcionaria por eliminação, não existissem outros 30 possíveis. Mesmo assim, escolhi sentar em frente ao portão impresso em meu cartão de embarque. E então me entreguei ao sempre curioso hábito de ouvir as mensagens da INFRAERO e das companhias aéreas pelo sistema de som do aeroporto. Começam todas com aquele barulinho manjado, hoje associado a informações perturbadoras. Depois, a voz que pode ser de homem ou de mulher, nos mais variados sotaques, inicia seu ritual: “Com sua atenção, por favor. Passageiros da TAM vôo 456 com destino a Blumenau. Devido ao reposicionamento da aeronave, seu embarque, quando autorizado, será efetuado pelo portão de número 20”. Essa é a mensagem bacana, que todos gostam de ouvir. Porque ela indica que, ao que parece, a única alteração até o momento foi no número do portão, aquela já esperada. Mas há as mais sinistras. “Atenção passageiros do vôo Varig 567 com destino a Vitória. Devido ao tráfego de aeronaves, seu vôo está atrasado e a previsão de embarque agora é às 14hs e 30 minutos, podendo sofrer alterações”. São dez da manhã e você sente pena de quem está indo a Vitória. Se houvesse um mínimo de justiça no mundo, as mensagens teriam que ser trocadas. Num mundo ideal, elas seriam mais ou menos assim: “Com sua atenção, por favor. Passageiros da TAM vôo 456 com destino a Blumenau. Devido à incrível falta de capacidade administrativa da INFRAERO e ao fato de a ANAC ser cabide de empregos do Governo Federal, seu embarque, quando autorizado, será efetuado pelo portão de número 20, que, não por acaso, é aquele localizado à maior distância do de número 1, onde você se encontra neste momento e onde seria realizado o embarque estivéssemos em um país sério e desenvolvido”. Ou. “Atenção pobres passageiros do vôo Varig 567 com destino a Vitória. Devido aos altíssimos índices de corrupção deste país, e a uma espécie de incompetência crônica da administração federal, que vai desde o ilustríssimo Presidente da República, passando pelo midiático ministro da defesa e chegando às agências (des)reguladoras, seu vôo está atrasado e a previsão de embarque é agora às 14hs e 30 minutos, podendo sofrer, por culpa de todos esses desmandos, e porque estamos entregues às moscas, que, aliás, se sairem de São Paulo agora, provavelmente chegarão a Vitória antes do que você, alterações. Mais uma vez, manifestamos nossa solidariedade e pedimos para que os mais revoltados não acabem matando o mensageiro: a culpa não é desta que voz fala, tampouco do funcionário da companhia aérea, ainda que seu discurso seja vago, displicente, e que ele seja um sujeito cheio de má vontade. Solicito que fiquem atentos ao sistema de som porque pode haver mais alterações. E quando eu digo “pode haver” eu quero, na verdade, dizer “haverá.” Mas é esperar demais que, um dia, a hipocrisia que nos sufoca brutalmente seja liquidada. Ou nem tanto? Porque, nessa específica manhã de dezembro, eu, finalmente, ouvi pelo sistema de som do aeroporto uma mensagem diferente. Disse a voz do sujeito que, provavelmente, foi demitido logo depois: “Atenção passageiros do vôo Varig XYZ com destino a Curitiba. Devido a problemas mecânicos, seu vôo está atrasado. A nova previsão de embarque éééééééééé.... sem previsão.” Acho que foi a única vez em toda a minha vida que eu, mesmo solidária aos coitados que tinham o bilhete para o tal vôo “sem previsão”, entrei em um avião gargalhando. Milly Lacombe é cronista do Blônicas. Ata da festa de Natal do Bope.
De Carlos Castelo. No dia 23 dezembro de 2006, teve lugar na Sede campestre do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) uma confraternização entre soldados e oficiais pelo encerramento de mais um período de 12 meses de ocorrências contra o crime no Rio de Janeiro. Às cinco e quinze da manhã da referida data, o cabo Honorindo leu a ordem do dia. De forma resumida, o texto relatava que a festa estava oficialmente cancelada. E que, até segunda ordem de autoridade superior, estava todo o Batalhão obrigado a ali ficar em estado de “alerta vermelho”, pois a qualquer instante um de nossos comandantes passaria as instruções de uma nova incursão por alguma favela, boca-de-fumo ou equivalente. Enquanto o documento não chegava, deveria-se aproveitar a decoração natalina da Sede e ir treinando tiro-ao-alvo e exercícios táticos de ataque-surpresa ao inimigo. Sob a responsabilidade do tenente Duque, o Destacamento seguiu fielmente as determinações. Metade fez fogo nos bonecos do terreiro do sítio até que nenhuma rena ou duende fosse mais do que um ínfimo e desprezível pedaço de papelão carbonizado. A outra parte do Batalhão se dividiu em dois. Um peru vivo foi algemado, amordaçado e colocado pelo tenente Duque num ponto desconhecido de todos. Cada equipe tinha quinze minutos para localizar, desalgemar e retirar a mordaça do animal. Em seguida, deveria dar um jeito de arrancar da ave a informação de onde o capitão escondera o cabrito da ceia. Quem conseguisse atingir o objetivo poderia comer peru e cabrito à moda do Bope: crus. A Equipe “Saddam Hussein” venceu. Depois de ficar com a cabeça enfiada num saco plástico por cinco minutos, o peru abriu o bico. Além de apontar com a asa trêmula o local do esconderijo do cabrito (na sala de armas escondido embaixo de um lança-granadas), ainda dedurou um pato, um porco e um chester que iriam fazer parte das iguarias do jantar de Natal. No momento em que todos eram degolados e colocados na salmoura, chegaram às mãos do sargento Cintra as ordens para a operação mencionada. Doze homens experientes deveriam descer até o bairro da Tijuca, numa área fronteiriça à Favela da Rocinha e “desestabilizar” todos os papais-Noel da região. O Comando recebera a informação de que meliantes estavam repassando drogas vestidos de Bom Velhinho. Tudo foi seguido à risca. Disfarçados de garis da Comlurb, os homens do BOPE surpreenderam a gangue rapidamente numa ação batizada, à maneira da Polícia Federal, de “Operação Ho Ho Ho”. No final do dia, 38 papais-Noel, 17 Reis Magos, quatro camelos e um São José Carpinteiro foram direto de seus “presépios” para o IML. Segundo o Comando Maior da Polícia Militar, nunca na história policial do Rio foram tirados de circulação tantas figuras bíblicas como naquela data. Até um Herodes foi levado à carceragem da PM com ferimentos leves de escopeta na região do abdômen. Em 24 de dezembro, o Batalhão voltou a se reunir na Sede campestre. Meia-noite, o capitão Martins esparramou toda a ceia no chão e fez os recrutas lamberem com a língua enquanto pagavam 100 flexões de braço. Nada fora da rotina do Batalhão. Caveirão! Hurra!! Carlos Castelo é cronista do Blônicas. Das artistas e das mulheres.
De Xico Sá. Do amor e das tantas malasartes a sabotá-lo. Seja uma atriz do mundo Zé Celso, uma DJ de electrohouse, uma escritora, uma chef que se acha a própria artista da fome, uma tradutora do grego, a moça que faz cinema, a mina do canto lírico ou uma musa residente do botequim predileto... As mulheres possíveis e os seus ensaios de amor. Aquelas que enfeitiçam, assanham... e nos deixam a chupar, alta madrugada, o frio chicabon da solidão. Melhor amar uma mulher normal, uma honesta enfermeira, como aquela, jamais entregue às artes, e que ainda salva vidas. Ou aquela bióloga que estuda as propriedades antiofídicas da Mata Atlântica. Ah, uma balconista, suburbanos corações, ah uma jambo-girl das margens do Capiba, mas que desfila escrita fina no boulevard de nuestros corazones. Do amor e das moças da classe artística. Donde aqui se narram pequenos episódios, crimes exemplares alvejados contra o coração deste e de outros mancebos próximos, amigos, todos vítimas do mesmo infortúnio: A terra, o homem, a luta - Depois de um reencontro antropofágico na cumeeira do Teatro Oficina, ali quase lambendo estrelas bilaquianas, nunca mais nécaras, nada, cadê minha bela afilhada de Artaud?... Ensaios d´”Os Sertões” de quase dez horas, e o cabra na tocaia na esquina fria do Bixiga, o uísque e o seu duplo, a esperá-la... E a alucinação do álcool nos faz virar um coronel Moreira Cesar, o “corta-cabeças”, vontade de invadir aquela nova Canudos e seqüestrá-la, como o mais civilizado republicano da praça. O tio e a escrevinhadora - Enquanto ela entretém o populacho, eu vivo uma mexicanização na pele... Drama, lágrimas, um tiozinho Werther, quarent´anos, envelhecido em barris de carvalho. A garganta profunda -E/ou o homem-gargarejo. Nem a bula milagrosa de Ovídio, no volume “Os Remédios do Amor”, serviu de bálsamo ou analgésico para o infeliz. A estudante de canto lírico o deixou apenas com um zumbido ao longe, mesmo que ele estivesse ali, pertinho, na fila do gargarejo. O Ulysses-mané - E/ou os monólogos de Onan. Depois de uma transa homérica, a tradutora de grego, sereia assassina, deixou o amigo na mão... de Platão. A Valentina de Crepax - E suas botas que machucam. Vestia-se tão bem, mas tão bem, que jamais me deixou despi-la. A chef, a fome atávica... -E o amante aloprado. Sua fusion food nunca foi para o meu bico. Carrego o peso do amor a quilo. Xico Sá é cronista do Blônicas. Tá tudo dominado.
De Leo Jaime. Saiu nesta semana, e foi publicado no Estadão, o resultado de uma longa As informações aqui estão sendo dadas a titulo de nariz-de-cêra, não quero Os paises que participam desta pesquisa somam 90% do PIB mundial. A São três provas aplicadas nestes paises a cada triênio. O Brasil melhorou no Há no Brasil, como era de se esperar, um grande vão entre os resultados Sim, é verdade, o nosso ensino público é horrível, mas a média que os alunos Partindo deste fato, é preciso conhecer de perto nosso fracasso. Os São cinco paises da América do Sul nesta avaliação. Somos os piores, Claro é o quadro. Somos um dos maiores Pibs do mundo, figuramos no topo em Você já ouviu milhões de vezes que as crianças são o futuro do pais. É Ah, mas tem o bolsa-família. Eu sei, eu sei... infelizmente eu sei. Leo Jaime é cronista do Blônicas. Lições.
De Nelson Botter Jr. Longe de mim praguejar, pedir justiça divina ou qualquer outra coisa, ainda mais quando o “target” é alheio. Esse não sou eu. Mas preciso dizer, com todas as palavras, em alto e bom som, ou clara e simples escrita: demorou, mas caiu. No ano passado quase que o Corinthians foi para a segunda divisão, mas acabou se safando. Dessa vez não deu, mergulhou de cabeça e o tão merecido castigo aconteceu. Castigo? Sim, acho que foi um belo castigo. Pena que nessas horas quem sofre mais é o torcedor, que nada tem a ver com o pato, é apenas um apaixonado inveterado. Mas, voltando, me refiro ao castigo à baderna, à esculhambação, a um clube administrado por pessoas corruptas e de má fé. Enfim, um retrato 3X4 do Brasil. Nessas horas, fica a lição para todos. Sim, o futebol, aquela já manjada caixinha de surpresas, por mais fútil que possa ser ou parecer, nessas horas pode ensinar. Fica estampado na manchete do jornal que um clube envolvido em escândalos sórdidos foi para o fundo do poço. No país dos presidentes que não sabem de nada, isso já é um bom começo. Se a justiça dos homens tarda e muitas vezes falha, outras justiças acabam sendo feitas. A polícia federal investiga o dinheiro sujo, mas sujo mesmo, que pinga sangue, com cheiro de pólvora da máfia russa, e que veio parar nos cofres do clube paulista. Alguém será punido? Ainda não sabemos, vamos torcer para que isso ocorra, como torcemos loucamente por um gol. Que as provas surjam e que pessoas sejam culpadas e punidas... não somente o clube. Vendo de fora, pois não sou alvi-negro, não rio nem choro, apenas bato palmas para o ocorrido. E que todos aprendam, de uma vez por todas, que quando o poder caminha lado a lado com o crime, não acaba bem. É a lei de Maquiavel indo pra segunda divisão, é a prova de que os fins não justificam os meios, é a constatação de que sempre existe uma punição, direta ou não, mas sempre há. Agora só falta essa máxima chegar a Brasília. E um dia chega, o caminho é um pouco mais longo, mas chega. Quem sabe é um primeiro passo para o fim do crime do colarinho branco... e preto. Nelson Botter Jr é cronista do Blônicas. 9 segredos de Lost - Finalmente revelados!
De Edson Aran. 1 – A ilha é um pedaço de terra cercado de água por todos os lados. 2 – O pai de Jack é primo-irmão do tio do vizinho de um amigo do Sawyer. 3 – Os “outros” na verdade moram num outro seriado de TV. 4 – A ilha tem uma energia incrível, uma coisa assim super luminosa que vem de dentro. 5 – A ilha é o Big Brother de uma raça alienígena. 6 – Dharma e Hanzo é uma dupla sertaneja goiana. 7 – A ilha é administrada pelo PT, por isso que nada ali faz sentido. 8 – A ilha não é real. É só um set de filmagem no Havaí. 9 – Devido a um problema no Cindacta em Brasília, o avião não decolou. Todo mundo está dormindo e sonhando no chão do aeroporto. Edson Aran é cronista do Blônicas. |