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Periférico.

De Tati Bernardi.

Pareço um sapo cego dando uma linguada no ar, não vejo o inseto, mas sei que ele está lá. Molho o ar na espera de lamber sua coxa, a pele com menos pêlos atrás do seu joelho. Lamber sua virilha, sentir seu cheiro, brincar com seu umbigo perfeito e boquiaberto por causa da barriguinha. Quem sabe descobrir alguma sujeirinha ali no umbigo, um resto de algodão, um resto de salgadinho vagabundo, um resto de prazer. Eu te amava depois do banho, eu te amava indo trabalhar sujo de mim, eu te amava humano e eu te amava, sobretudo, alienígena e com sono de sentir a vida.

Sinto saudades de respirar o mais profundo possível,  como já escrevi antes, perto de sua nuca. E descobrir novidades sem nome e sem solução. Sinto saudades de me perder tentando entender de que tanto você sorria, de que tanto você brilhava, de que tanto você se perdia e se escondia.

Peço licença ao meu ódio tão feio e tão infinito para te amar só mais uma vez. Quero te amar sozinha aqui, na minha casa nova, em minha quase nova vida. Quero esquecer todo o nada que você representa e dar contorno aos desenhos que não saem da minha cabeça. Nunca entendi seu coração, nunca entendi seus olhos, nunca entendi suas pernas, mas só por hoje queria poder lamber sua fumaça para que ela permanecesse mais, pesasse mais.

É libertador esquecer meu desejo de vingança, a vontade que tenho de explodir sua vida, o vício que tenho de passar mil vezes por dia, em pensamento, ao seu lado. E pisar em cima da sua inexistência e liberdade. Chega disso, só pelo tempo em que durarem estas letras e a música que coloco para reviver você, vou te amar mais esta vez. Vou me enganar mais uma vez, fingindo que te amo às vezes, como se não te amasse sempre.

Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como podia ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.

Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Ainda assim, há meses, há séculos que se arrastam deixando tudo adulto demais, morto demais, simples demais, exato e triste demais, eu sinto sua falta com se tivesse perdido meu braço direito.

Esse amor periférico, ainda que não me deixe descoberto o peito, me descobre os buracos. Não são de suas palavras que sinto falta. Não é da sua voz meio burralda e do seu bocejo alto demais para me calar e me implorar menos sentimentos. Não é, tampouco, do seu abraço. Sua presença sempre deixou lacunas e friagens que zumbiam macabramente entre tantas frestas sem encaixe.

Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existe morte para o que nunca nasceu.

Sinto falta mesmo, para maior desespero e inconformismo do meu coração metido a profundo, de lamber suas coxas, a pele mais lisa atrás dos joelhos. Lamber sua virilha, sentir seu cheiro, brincar com seu umbigo, respirar sua nuca, engolir sua simplicidade, me rasgar com sua banalidade, calar sua estupidez, respirar seu ronco, tocar sua inexistência, espirrar com sua fumaça.

Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.

Simplesmente isso. Você, uma pessoa sem poesia, sem dor, sem assunto para agüentar o silêncio, sem alma para agüentar apenas a nossa presença, sem tempo para que o tempo parasse. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza.

Sinto falta da raiva, disfarçada em desprezo, que você tinha em nunca me fazer feliz, sinto falta da certeza de que tudo estava errado, mas do corpo sem forças para fugir, sinto falta do cheiro de morte que carregávamos enquanto ainda era possível velar seu corpo ao meu lado, sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, de não dar conta, de não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez, sentir apenas a falta de lamber suas coxas, a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha, as sujeiras. Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 13h31
[]


Perguntas comuns na hora de votar.

De Castelo.
 
Se conseguirmos sobreviver ao Horário Eleitoral, dia primeiro de outubro teremos mais um daqueles pleitos nacionais. Patrioticamente reunimos aqui, algumas das principais dúvidas dos eleitores granjeiros. Deu nisso:
 
P: O que é eleição?
R: Eleição é o processo no qual a maioria das pessoas de uma localidade escolhe uma liderança para representá-las. Isso no mundo todo, menos em Serra Leoa, que ainda escolhe os seus representantes colocando-os na selva e vendo qual sobrevive à leoa.
 
P: O que é um líder?
R: É o primeiro a atirar a pedra e o último a levar o tiro.
 
P: Se eu tiver que votar numa cédula, é melhor preencher o nome do candidato com um "x", uma bolinha ou um "vezinho"?
R: Qualquer uma das formas é válida, inclusive pintar o nome do candidato em crayon verde-amarelo. O que você não deve fazer, em hipótese alguma, é aviãozinho da cédula e jogá-la na urna fazendo "vruuuummm" com a boca. Tira todo o decoro do acontecimento.
 
P: Minha senha do banco vale na hora de votar numa urna eletrônica?
R: O importante é nunca revelar sua senha a estranhos. Mesmo que o estranho seja o mesário.
 
P: O Enéas é uma pessoa, um alienígena ou um Pokémon que não evoluiu?
R: Como o mapeamento genético só foi concluído recentemente ainda não se sabe, com 100% de exatidão, o que vem a ser o Enéas. Alienígena ele não é. Os ET's têm a cabeça menor e não berram.
 
P: Devo votar num rinoceronte, hipopótamo ou no Louro José como forma de protesto?
R: Com tantos animais disputando, votar desta forma já entrou em desuso. O "in" agora é ir à sua seção, pontualmente, e votar em todos os bichos de sua preferência, de uma vez. Quem sabe você dá sorte e provoca uma pane na urna eletrônica.
 
P: O que é boca-de-urna?
R: Boca-de-urna é a maneira pela qual um candidato que está perdendo feio força a barra para que alguns desavisados votem nele de última hora. Com o acirramento da disputa eleitoral, prevê-se que os partidos acabarão usando este ano lutadores de sumô para o corpo-a-corpo. Se estiver com o pulso aberto ou a  espinhela caída no dia do pleito,  é melhor consultar um ortopedista antes de sair de casa.
 
P: O que é neoliberalismo?
R: É o sistema político em que o governo lava as mãos. E o povo enxuga o chão.
 
P: O que significa zona eleitoral?
R: Uma bagunça enorme na hora de contar os votos, com os correligionários se esbofeteando, a Rede Globo registrando tudo e faturando alto no Fantástico.
 
P: Para que serve um marqueteiro?
R: Para transformar candidatos medíocres em políticos medíocres.
 
P: No Brasil, a esquerda é direita?
R: Não. O problema é que a direita também é torta.
 
P: Por que é proibido tomar bebidas alcoólicas no dia da eleição?
R: Porque pessoas civilizadas só bebem quando tem motivos para comemorar.

Castelo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 15h37
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Cada um por si.

De Rosana Hermann.

 

Um rapaz me disse que votaria no continuísmo político porque ele é funcionário público, a filha dele acabou de nascer e que por isso gostaria que tudo ficasse como está assim ele manteria seu emprego e poderia planejar seus gastos. Ele acredita que se tudo ficar igual, pelo menos não irá piorar.

 

Uma garota me falou que ela queria que as eleições acabassem logo no primeiro turno porque assim não teria encheção de saco de votar duas vezes. A mãe dela acha que tem que votar cedo e ela odeia acordar no domingo de manhã. Ela vai escolher seu voto de forma a tentar encerrar a questão de uma vez por todas para poder dormir um pouco mais no seu dia de folga.

 

O taxista que me levou até o centro já decidiu seu voto. Ele não teve estudos e gosta de gente preparada. Acha bonito tem no cargo de presidente um homem que fez faculdade, usa terno bem cortado e fala palavras que a gente não entende. O taxista acredita que ser presidente não é coisa pra quem é do povo.

 

Dentro de cada ser humano há um conjunto de razões extremamente particulares, que podem ir dos motivos mais comezinhos às ideologias mais sofisticadas, mas que são sempre regidas por pensamentos individuais. Poucas pessoas parecem pensar em alguma comunidade maior do que a própria família ou, no máximo, o bairro. O município, o estado, o país, são coisas grandes demais, conceituais demais para que o cidadão que luta para sobreviver possa dar conta. Não é de se admirar que raras pessoas tentem salvar o planeta.

 

À medida que a informação se globaliza mais e mais voltamos nossos olhos para nossa aldeia e nosso umbigo, como numa reação instintiva de salvar a própria pele diante da avalanche de problemas mundiais. A mídia, viciada em tragédias, ainda insiste em dar capa a descarrilamento de trens nas Filipinas e incêndios no Curdistão, embora ninguém saiba encontrar os lugares no mapa mundi sem ajuda do Google.

 

A política apenas reflete o comportamento humano num determinado tempo e espaço. E, aqui no Brasil, ao que parece, cada um só quer garantir a sua, seja por motivos de subsistência, como uma bolsa família, ou por razões fisiológicas, como dormir um pouco mais num domingo.

 

Agora é assim: cada um por si.

E, em assim sendo, seja o que D'us quiser.

Contanto que Ele continue sendo brasileiro.

 

Rosana Hermann é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 12h23
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Verde ou vermelho?

De Nelson Botter.

Hoje eu planejava escrever sobre a jornada dupla feminina, como isso tem afetado a saúde das mulheres, o quanto elas precisam lutar contra o complexo de "mulher-maravilha" e etc, entretanto não deu. Vim trabalhar de metrô e observando as pessoas no vagão me deparei com uma senhora trajada num terninho todo vermelho berrante, no estilão Martha Suplicy (que não é mais Suplicy) de ser. Não teve jeito, automaticamente fiz a associação com o PT, que associei à bandalheira, que associei ao Lula, que associei às eleições de domingo.

Pior, me lembrei de como algumas pessoas foram agressivas em seus comentários nos últimos textos que escrevi sobre política, como se eu não pudesse ter uma opinião contrária à delas. Como se fosse pecado achar que votar nulo não seja protesto e sim ajudar indiretamente a reeleição em primeiro turno, como se fosse algo abominável manifestar abertamente que meu voto é contra mais 4 anos do atual presidente. Qual o problema?

Acho estranho alguns leitores levantarem a bandeira da democracia e ao mesmo tempo escrachar quem pensa diferente deles. E remoendo todos esses pensamentos resolvi deixar de lado, ou melhor, para a próxima semana (ou uma semana qualquer) o texto sobre as mulheres. É, hoje vamos ter mais uma crônica chata sobre aquele assunto que é um verdadeiro porre: política. Mas prometo que serei breve. Sim, tão breve quanto os queridos leitores que adoram xingar e maldizer os cronistas que expõem opiniões contrárias à sua. Hoje farei igual, é o dia do contra-ataque, é dia de bancar o otário, e quem vier com pedras nos comentários vai levar resposta minha, na base da paulada, pois acordei a fim de briga...

Acredito piamente que o voto nulo seja realmente uma opção, quanto a isso não há dúvidas, mas desde que ocorra pela simples falta de opção. Ficou estranho, né? Fácil de explicar: se você está votando nulo porque chegou à conclusão que nenhum dos candidatos serve pra você, que nenhum deles é a pessoa que você quer colocar lá no planalto, muito bem, vote nulo, falta de opção. Agora, se você vota nulo como uma forma de protesto, achando que as eleições serão impugnadas ou algo do tipo, saiba que você está sendo idiota, com todas as letras. Por quê? Porque os políticos cagam e andam para o seu protesto.

E tem mais, se você vota nulo por pura preguiça de procurar um bom candidato, achando que ninguém "merece" o seu voto, lamento mais ainda. Entretanto, defendo o seu direito de fazer qualquer coisa com o voto. Não concordo e não faço igual, mas você é livre para fazer o que melhor lhe convier. Lavar as mãos é fácil, permite a continuidade da velha ladainha de que o Brasil não tem jeito e bla, bla, bla. Só não esqueça que você é grande colaborador dessa situação, tem culpa no cartório, pois na hora de escolher (bem ou mal) quem vai estar lá na frente te representando, prefere se omitir.

Eu insisto que é preciso tentar renovar a classe política brasileira. Se tirarmos as raposas velhas de lá, a máquina da corrupção não acabará, mas poderá se desestruturar e diminuir. Isso já é um começo. Mas se você prefere votar nulo a tentar apostar as fichas num novo candidato, azar o seu... e de todo o Brasil. Não prego nenhuma solução para o cenário político brasileiro, pois talvez nem haja mesmo, mas acredito que possa existir um "começo" de solução. Basta largarmos aquela preguiça histórica de não querer controlar nossa própria história, deixarmos de ser um país de conformados e nos indignarmos um pouco mais, mas sempre com um mínimo de inteligência.

Ao mesmo tempo é desesperançoso ver que os números da ignorância do povo superam os de países emergentes superpopulosos e - teoricamente - mais atrasados antigamente, como China (que está voando) e Índia. Nessas horas vemos que o Brasil dificilmente deixará sua condição de eterno país do futuro. As pesquisas eleitorais refletem isso, mesmo com todos os escândalos o país prefere a continuidade. É uma soma de compra indireta de votos (como o Bolsa Família) com uma evidente falta de confiança na ineficiente oposição, além do velho e bom conformismo, aquela história de sempre: "todos roubam e nada vai mudar".
 
Agora é com você, está nas suas mãos, na ponta dos dedos. Faça como quiser, mas faça consciente. E pense, mas pense muito bem antes de apertar aquele botão verde, o da esperança, pois é uma chance de tirarmos o Brasil do vermelho. Não sou supersticioso e o Zagalo que me desculpe, mas sempre achei que o número 13 dá um azar danado...

Nelson Botter é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 11h10
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Delírios de uma sesta.

De Xico Sá.

 

Como é bom tirar uma sesta, abaixar a cortina e dar um risinho safado para o capital que se esborracha lá fora; como é bom, mesmo para um falido, ajeitar os travesseiros –de palha ou de pena de ganso- e cerrar os olhos para sonhos pequenos. Uma sesta à sombra da toda-poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, aqui perto do meu esconderijo;  uma sesta com os macaquinhos lá fora nos fios, como a minha sesta carioca; uma sesta com as janelas abertas na rua da Aurora, a rua mais linda do mundo, de onde avista-se Beberibes, Capibaribes, Áfricas, Tongas e Polinésias...

A minha sesta ibérica, como na origem do costume, lá no Juazeiro e Crato. Como é bom tirar uma sesta com uma nega enroscada aos pés, sono leve de conchinha, colherzinha e quetais. Mas os dois precisam estar no espírito da sesta. Uma alma em desassosego acaba com qualquer sesta, sesta-de-favor não vale, cesta carece de savoir faire... Um gato ali pelas nossas costelas –opa!, um felino de carne e osso, um bichano- que delícia.

Numa sesta não vale sonhos épicos, apenas sonhos pequenos, daqueles que a gente realiza num piscar de olhos. Ou simplesmente deixa para lá. Ridículo correr desembestadamente atrás de sonhos. Sonhos são filmes grátis, que vemos deitadinhos, sem o barulho ridículo de pipoca ou de gente.

“Ei, morena linda que passa, vamos ao cinema?” Ai trago ela para a sesta. Cinema é travesseiro e pezinho colado.

Os sonhos são feitos pelos cineastas mortos, jeito de ocupar-lhes no purgatório. Coisa da aliança espúria de Deus e do Diabo.

Sesta: modo de usar. Quanto dura uma sesta? O ideal é que não se faça o uso do despertador,  que não seja um curta-metragem, que seja um filme que se durma nele inteirinho, que se beije o olho de quem dormir primeiro, como sempre guardo as minhas mulheres, até com uma rezinha baixinho para nunca acorda-las e sempre protege-las, ô Deus guarde essa costela colada à minha e que esse suorzinho seja o superbonder possível, a resina mais grudenta, que nos livre do fim, amém. Mas o amor acaba, meu filho, sopra um anjo pousado no ombro de Paulo Mendes Campos, que me diz baixinho, sossega, menino, esse coração.

A sesta com a bênção das mulheres e da minha mãe. “Meu filho, durma pelo menos uma meia horinha depois do almoço”. Minha mãe chorava, no dia em que fui embora, mas nada dizia além da receita da sesta. Mulher de coragem: deixar aquele graveto, só o couro e o osso, ganhar a estrada apenas com uma rede que ela botou no fundo da mala...

Como eu queria achar de novo essa rede e tirar a maior das sestas, mas troquei por alguma coisa, vício, comida,  sei lá, entre uns desalmados de um cortiço do Recife, num sótão ali na Barão de São Borja. Até quando a usei, era uma rede que balançava lágrimas e meus chinelos sempre acordavam boiando de manhã.

 

Xico Sá é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 11h00
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Um banho de feira.

De Tati Bernardi.

Eu estava há meses achando tudo feio, cinza, falso e limitado. Da cama ia para o trabalho, do trabalho para a cama. Me arrumar pra que se não existem pessoas interessantes no mundo? Sair pra que se quase todo mundo é igualmente sem graça? Ir para onde se todos os lugares são feios e sem novidades?
Parei de fazer as unhas, pintar os cabelos, comprar roupas novas e malhar com o Paulão, personal que todo mundo achava lindo, menos eu.
Ao me ouvir comentar que estava há exatos 7 meses sem fazer sexo, minha amiga Laura, baiana legítima, no entanto loira de olhos claros, teve a idéia brilhante: Pai João!
João era seu “pai de santo” desde a adolescência, quando ela precisou de uma forcinha para entrar na faculdade. Depois disso, João de Deus conseguiu emprego, casa própria em São Paulo, namorado e até namorada para sua “filha” loira.
Eu ri incrédula e simpática, acenando que não com todas as partes do meu corpo. Mas ela não se convenceu, ligando para ele no dia seguinte e dando meu nome completo, data de nascimento e outras coisas que não faço idéia.
Às exatas cinco e meia de uma tarde chata de quinta-feira recebo uma ligação em meu celular com o prefixo de Salvador. Achei que meu celular havia sido clonado novamente e não atendi. Mas o tal do João não era homem de desistir fácil e continuou insistindo, até que eu atendi:
-Mia fia, ô lê lê, tu tá com um encosto bravo em cima di ocê, ô lê lê! Vai tomá cinco banho com girassol, hortelã, gengibre, mel e vai me ligá no último dia do banho. Ô lê lê. Ocê vai ve como a vida vai ficar bonita de novo. Upa lê lê!
Fiquei sem entender nada, fiquei fula da vida com a minha amiga que deu meu telefone para aquele homem sem me avisar, fiquei achando que aquele pai de santo era um médico perfeito pras minhas dores de garganta (mel? gengibre?) e não pra minha falta de apetite sexual!
Mas depois parei e pensei: como é que esse homem adivinhou que ando achando tudo feio? Eu não tinha dito isso pra ninguém e, no entando, ele adivinhou! Resumindo: lá fui eu comprar os ingredientes.
Depois de ir a três floriculturas grandes do meu bairro, eu já estava desistindo de encontrar os girassóis, até que me lembrei de uma feira no Parque da Àgua Branca, não muito longe da minha casa, que ocorreria na manhã do dia seguinte. Quem está há sete meses achando a vida um saco, e sem ninguém para amar, pode ficar mais um dia, não é mesmo?
Estacionei dentro do parque e resolvi fazer uma longa caminhada antes de ir às compras. Era bem cedinho e não estava nem frio, nem calor, o tempo perfeito para reparar mais nos outros do que em si mesmo. E foi exatamente o que eu acabei fazendo: reparei nos outros. Crianças, casais de namorados, casais casados, bebês, babás, velhinhos passeando de mãos dadas, intelectuais e seus óculos lendo embaixo de árvores, pessoas correndo no ritmo do Ipod último modelo, atletas acompanhados de profissionais que cronometravam o tempo. Que tempo? O tempo parou para mim, sentei num banquinho para tomar água de coco e, aos poucos, voltei a não julgar tanto a vida e ser mais feliz.
Uma mulher de moletom cor-de-rosa passou por mim e sorriu, ela tinha os olhos bem profundos, o cabelo bem curtinho e a nuca exposta, era tão linda que acompanhei seus passos até ela ficar bem minúscula na minha visão. Na sequência um homem com o shorts mais curto do mundo parou na minha frente para se alongar. Pernas, pêlos, músculos, cheiro de homem. Algo que não acontecia comigo há muito tempo de repente desaflorou: eu fiquei boba, encantada, querendo arrumar os cabelos e passar batom.
Lentamente o dia se impunha, as árvores se mexiam, a poeira de terra levantava, os passarinhos competiam usando o máximo de suas goelas, como em um concurso sertanejo, e as borboletas voavam em bando, ainda que fossem diferentes em tamanho e cores.
A feira estava começando a acontecer. Os cachorros dormiam sonolentos nas sombras, os homens fortes descarregavam tudo a que tinham direito. As frutas novinhas e coloridas faziam uma composição linda que explodia aos poucos com o brilho do sol que ainda se espreguiçava.
Eu nunca tinha reparado, mas o dono da barraquinha de verduras era um tipo bem másculo e interessante. Herdeiro de uma fazenda razoavelment e lucrativa… Hmmm fazenda, imagina só a gente andando a cavalo, rolando na grama, dormindo ao som de cigarras e acordando ao som de passarinhos? Delícia. Fiquei até com vontade de fazer uma piada com ver-dura, mas achei que não era o caso, apenas sorri e segui adiante.
Na barraca de flores um homem de terno tentava se resolver entre margaridas e rosas, flores básicas e que dizem muita coisa, pelo menos para mim. Adorei ver aquele homem muito cheiroso desviando de poças e de frutas esmagadas em nome do amor. O amor, que lindo, ele existia sim, ainda havia homens como aquele, gentil, de terno, cheiroso e apaixonado. Homens que acordam cedo e dormem tarde, tudo para agradar uma mulher.
Ou será que ele levaria as flores para uma amante? Ou será que ele levaria as flores para se desculpar por ter uma amante? Gentilmente o homem pagou as margaridas e não quis aceitar o troco, antes de sair apressado para corrigir algum erro ou dar início a ele, dedicou alguns segundos para me devorar com os olhos.
O homem que comprava as maçãs tinha a mão enorme e os dedos fortes, o jovem da barraca de sementes e folhas secas parecia me convidar com seus olhos de loucura para um chá alucinógeno, ainda que estivéssemos falando apenas de camomila. A delicada japonesinha tinha a pele tão clara e macia que me deu vontade de comer vários pêssegos com casca e tudo. O cheiro de manhã misturado ao de mato me deu uma vontade louca de me misturar a todos e sentir o desejo de todos. De repente o mundo inteiro respirava e exalava sexualidade. Eu queria devorar e ser devorada por todos.
Por fim encontrei meus girassóis, comprei logo um monte porque, além do meu banho de cinco dias, me deu vontade também de enfeitar a casa.
Esperei a água esfriar um pouco e joguei uma meleca muito cheirosa e marrom da minha cabeça, que tinha novas mechas loiras, até os eus pés, que usavam agora esmalte vermelho.
O gosto era realmente bom, tanto que dediquei o resto da tarde a dar umas lambidinhas de leve nos meus braços.
Eu tinha recuperado o meu gosto por mim mesma , pela vida e, por consequência: pela minha cidade. São Paulo conseguiu ficar tão bonita quanto uma visão ampla da Baia de Todos os Santos, vista da casa do tal do Pai João, como fiquei sabendo depois.
Não sei se por causa dele ou apenas porque alguém me tinha feito reparar que algo estava errado, eu estava diferente. Talvez, simplesmente porque deve ser normal morrer, de vez em quando, para renascer melhor depois.
O texto deveria acabar aqui, com um fim bonito, poético e até meio religioso. Mas é preciso contar que o meu problema dos sete meses sem “ver a coisa”, com direito a margaridas espalhadas para tudo quando foi lado, também foi resolvido. Ô lê lê, e como foi.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 12h04
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Freud, meu amor, Freud.

De Ricardo Campos Soares.

Freud à vontade. Do jeito que quiser. Em qualquer lugar. Na areia. No mar. No Leblon. Em Copacabana. Na Áustria. Na Espanha. Freud na teoria.

Freud na prática. De noite. De dia. Em casa. No quarto. Na sala. No banheiro. Na cozinha. Na ante-sala. Numa praia no mediterrâneo. Desde a Morávia escorregando por Andaluzia até dar em Brasília.

É Freud. Na rua. Na esquina. No carro. No banco. À vista. No palácio. Freud sem medo. Sem culpa. Na moita. Na encolha. Freud por trás. Dentro. Na intimidade. Na granja. Na reunião. No depoimento. Com o dossiê nas mãos. No congresso. Falando ao celular. Freud sussurrando. Freud jogando. Freud no divã.

Freud tranqüilo. Freud bem à beça. Feliz e mau. Freud como um pau. Freud cheirando. Freud bebendo. Freud fumando. Freud sem deus. Freud na boa. Freud em paz. Freud em liberdade. Freud impune. Freud, meu amor, Freud.

Ricardo Campos Soares é leitor do Blônicas e escritor convicto, devoto de nossa senhora da literatura, jornalista praticante e carioca fervoroso. Seu blog.

Quer seu texto publicado no Blônicas? Mande-o para seleção, mas no corpo do email, sem arquivo anexo - blonicas@uol.com.br

Escrito por Blônicas às 11h17
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Primavera para Lula.

De Leo Jaime.

O inverno está acabando. Depois de amanhã, em tese, a primavera irá sorrir. Em verdade os dias já estão confusos há semanas. De inverno para  verão e algumas passagens rápidas por dias primaveris. As coisas são diferentes agora. A garoa paulistana é uma raridade e o clima está todo irregular. Ainda falamos em primavera mas imagino que na prática ela seja apenas uma referência. Tudo pode acontecer. E acontece.

Estamos diante da nova eleição. Poucos dias para saber qual avaliação o povo faz do país que temos no momento e da forma que ele é governado assim como a aprovação, ou não, dos que estão nos representando no congresso e executivo. Aparentemente, como no caso do clima, tudo parece ter mudado. O pior é que nos adaptamos a esta dificuldade de estabelecer o que é inverno, verão, primavera e outono do mesmo jeito que não sabemos mais o que é direta e esquerda, democracia e ditadura, honestidade e corrupção e assim por diante. O caos está instalado e a leitura que faço é a da piada: não faz marola! Como tudo nos afeta, prejudica, os ladrões conhecidos levam vantagem sobre os que não conhecemos. Com todas as evidências de corrupção de Lula, seus assessores imediatos e os homens fortes de seu governo, o povo ainda o prefere. Acho que o medo de um Collor deve ser maior do que o convívio com a ladroagem escandalosa que se instalou em todos os segmentos do atual governo.

Eu, que votei em Lula, apostava em uma situação contrária. Não imaginava que os bancos teriam lucros inimagináveis, recordes históricos, e que a economia do Brasil, a um só tempo, fosse se classificar em último ou penúltimo lugar no ranking mundial. Sabia que, sendo um governo teoricamente de esquerda, Lula faria o estado gastar mais e acreditava que haveria uma limpeza em partes digamos sujas da estrutura, como de certa forma acabou acontecendo. O que eu não imaginava é que essa limpeza se daria pelo excesso de bandalheira envolvendo gente do próprio PT. Não imaginava que o desperdício de dinheiro público fosse acontecer mas sabia que a arrecadação de impostos iria aumentar e que o fisco ficaria muito mais rígido com o trabalhador que paga impostos regularmente. Não sabia que, em 4 anos, Lula duplicaria seu patrimônio e seu filho passaria a ser um milionário por fazer negócios espetaculares com o instituições que de alguma forma precisam da simpatia de seu pai. Não sabia muita coisa e acho que a maioria continua não sabendo. Assim como diz o próprio presidente. A ignorância passou a ser um indulto indiscutível. Oras, mas um presidente que não sabe de nada é um bom presidente? Esta é a pergunta que ninguém suporta.

O curioso é que ninguém fala em impeachment. A Une, com uma fortuna conseguida com vendas de carteirinhas de estudante, deve estar empenhada em multiplicar esta fortuna e não em opinar sobre a corrupção. A oposição, em nome da estabilidade, ou de um acordo de cocheira do tipo "não me entrega que eu não te entrego", acha tudo esquisito mas não toma atitudes. Quem está punindo ou tentando punir a bandidagem são a Polícia Federal e o Ministério Público. O judiciário, por assim dizer. Se não há gritaria e passeata, essa é a leitura que o povo faz, não deve haver nada de verdadeiro ou pelo menos anormal em tudo o que se averigua. Portanto, vida que segue, vamos continuar como estamos. Há também o endosso ou conluio de alguns colegas que, de uma hora para a outra começaram a achar que um certo grau de desonestidade é absolutamente compreensível e até louvável no exercício do poder. São os artistas que inventaram a "corrupção do bem". Justificam qualquer ato, por mais obscuro que ele seja, com a desculpa de que é para um bem maior ou simplesmente não vendo outro jeito. E vão votar em Lula por não ver outra opção. Estabelecem a prerrogativa para a ditadura: por pior que ele seja é o único que pode governar. Não raro estes que assumem este discurso são admiradores de Fidel, o pior ditador vivo. Para esta turma, os meios justificam os fins. Para mim, ao contrário, que trabalhei com o Betinho em sua campanha contra a fome, assistencialismo, principalmente em época de eleição, é atraso. Bolsa família ou dar uma dentadura e uma botina? A diferença é que uma coisa é feita com o dinheiro público e a outra com dinheiro de origem duvidosa. Na prática garante um voto. E nenhum futuro.

Estamos diante de uma realidade muito estranha. Quem for governar, daqui em diante, sabe que o povo não se incomoda mais com corrupção e, sendo assim, pode e deve meter a mão com força. Sabemos que Lula é um grande simpatizante de Evo Morales e principalmente de Hugo Chávez, dois caras com toda pinta de ditadores sul-americanos com amizades no mundo ilícito e muito populismo. Chavez quer uma guerra com os EUA para "unir os povos" e se instituir em definitivo no poder. Até quando o Bush vai fingir que não está ouvindo os xingamentos? E quando começarem as sanções: de que lado ficaremos? Vimos que Lula não defendeu a Petrobrás diante dos ataques do governo boliviano. Vimos também que em matéria de diplomacia estamos perdendo todas. Assim como temos uma das piores distribuições de renda do mundo e um dos piores índices de crescimento, num momento internacionalmente muito positivo.

Faz sol, dá praia, deixa como estar. Assim tem sido, assim será. E gente como eu, o bando dos descontentes, são chatos e ponto final. Cada país tem o presidente que merece. Eu mereço! Você também!!!! Não adianta chorar, primaveras nunca mais serão as mesmas.

Leo Jaime é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 17h39
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Sexo na praia, mentiras no planalto e videotape pra todos.

De Rosana Hermann.

Assim que disponibilizaram o video da entrega das ambulâncias, ligadas ao esquema sanguessugas, baixei o arquivo para assistir. Fiquei empolgada com a chance de ver o mesmo DVD que estava sendo comprado por militastes do PT por uma fortuna em dinheiro sem origem. Baixei, abri, assisti e desisti. Muito chato. Muito longo. Não cheguei nem à metade.

Dias depois apareceu o video da Cicarelli numa praia de Tarifa, em Cádiz, na região da Andaluzia, Espanha, Península Ibérica, Europa, Terra. Eram só quatro minutos e trinta e oito segundos, mas foram suficientes para determinar o assunto da semana. O video dos sanguessugas, dançou. As ambulâncias ficaram para segundo plano diante de um avião aterrissando na areia e afundando no mar.

Não é preciso explicar por quê sexo interessa mais que escândalos políticos embora os dois envolvam sacanagem. Nem é necessário dizer que relacionamentos entre homens e mulheres vendem mais do que acareações entre corruptos. Mas estamos a poucos dias de uma eleição importantíssima, daquelas que elegem o presidente da república. E, no entanto, ninguém toca no assunto política, corrupção, nada. Ninguém quer saber. Por que será?

Queria ter uma resposta precisa, coerente e interessante. Mas só tenho algumas hipóteses, fracas, tolas e superficiais: as pessoas preferem assuntos de sexo porque elas entendem o que é. É básico, instintivo e do jeito que o brasileiro gosta. Já o cenário político envolve coisas que muitos eleitores não devem reconhecer, como a palavra 'dossiê'. Pergunte nas ruas para ver qual fração da população sabe o que é dossiê. Ou se reconhecem um segundo sentido no nome do ex-assessor Godoy, Freud. Se sanguessuga paz algum sentido. Se o termo 'super faturamento das ambulâncias' acender uma lâmpada tão clara quanto aquela que ilumina a cena em que Cicarelli ajeita a berinjela na sunga do namorado. Sem chance.

Corrupção envolve um monte de gente. Sexo, no caso, só precisa de um par. Corrupção, mesmo quando praticada por gente tosca é algo mais sofisticado, envolve esquemas. Sexo, não. É primitivo. Não precisa nem explicar. Rola até sem saber o nome. Cenas de corrupção enojam. Cenas de sexo erótico excitam. E, por último, corrupção é algo que você detecta e quer eliminar. Sexo é algo que você acompanha e tem vontade de praticar. Isso sem contar coisas mais óbvias como a bundinha da Cicarelli que dá de mil na cara do Berzoini.

Eu voto no sexo saudável da Cicarelli.
Essa sim, vive sem medo de ser feliz.

Rosana Hermann é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 20h20
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Um.

De Nelson Botter.

 

Me imprimo em você. Não como uma tatuagem, nada disso, não sou desenho, sou desejo, pois quero mergulhar em tua pele, invadir seus poros na calada da noite, ser um gatuno cupido, e navegar por sua corrente sangüínea, repousando em seu coração. De lá não quero mais sair. Nunca mais. Sempre mais.

 

E quero sentir a rígida maciez da superfície rosada da sua língua, carne deliciosa e inquieta, molhando cada centímetro do meu corpo, examinando minhas curvas, buscando entradas, como uma serpente à procura do ninho, vagando sem destino nem pressa. Nesses momentos eu sou você. E sou sempre mais você.

 

A cada abraço a sensação de que os corpos se imprimem, se colam, fotocópias anatômicas de anatomia. Quero o sabor do seu sexo, bem quentinho, pulsando, jorrando, e também quero o cheiro do seu suor salgado, a vida que se esvai a cada segundo, mas que nos preenche e nos faz ganhar do tempo. Quero você e me quero em você.

 

Se a vida é momento, se viver é sofrer, se não há explicação para o que já se tentou explicar, pouco importa agora, quero luxúria, meu pecado favorito, quero você. Seu seio é vida, seu gozo é minha razão de viver, mas a distância é sofrer. Vem, chega mais, fique perto, me cante o rumo, o nosso rumo. Quero me colar em você, a tal da impressão que eu não soube explicar, que talvez seja apenas uma forma de me agarrar na sua alma, um simples medo de cair no meio da jornada e me perder... E se for pra me perder, que seja em você.

 

Nelson Botter é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 11h08
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Breve código de etiqueta do boêmio.

De Xico Sá.

 

1) É de bom-tom sempre guardar o nome dos garçons, afinal de contas é no ombro deles que vais chorar, ao som de “Nervos de Aço”, a inevitável, acachapante e humaníssima dor de corno.

 

2) Na saúde e na doença, a culpa será sempre do tira-gosto, ah, aquela calabresa, aquele torresmo, aquela azeitona me fez mal à beça... Jamais a culpa será da cachaça ou do uísque.

 

3) Boemia é como futebol, é ritmo de jogo, seqüência; se você a larga por uns dias, ela te pega na volta, mesmo que peças,suplicante, a tua nova inscrição.

 

4) A divisão do tempo da prosa, na mesa de um bar, deve obedecer ao seguinte critério: 50% sobre mulheres, 40% sobre futebol e 10% sobre as ressacas monstruosas, a nostalgia precoce das quedas. E que venham as próximas.

 

5) Procures sentar sempre nas primeiras mesas do botequim, se possível na calçada, pois todos os dias, alguma mulher irada sai de casa, revoltada com o consorte, e diz assim: “Hoje eu vou dar para o primeiro que encontrar”. Se bem colocado, este primeiro serás tu, bravo boêmio.

 

6) Direito máximo do consumidor boêmio: desde que o freguês não se incomode com água e sabão nos pés, poderá ficar no recinto até a descida do portão de ferro.

 

7) É livre o “pindura”, data vênia, para fregueses com mais de cinco anos de casa, como reza a lei do usucapião.

 

8) Meu bar/meu mar... É permitido nadar no seco.

 

9) Andem sempre com o endereço e os seus nomes completos pendurados na correntinha do pescoço.

  

10) No país da impunidade, a saideira é como a lei, existe para ser desobedecida. Seu garçom faça o favor!!! Mais uma!!!

 

Xico Sá é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 20h08
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Relações de trabalho.

De Rosana Hermann.

O primeiro problema do trabalho é o salário. Salário você sabe, é a compensação em dinheiro que você recebe pelos serviços prestados no final do mês. Deveria ser tratado como o reto, cada um cuidando do seu. Mas os funcionários devem se sentir mais como os cachorros e por isso, um fica metendo o focinho no do outro. Já ganhei muito, pouco, nada e sempre fui a mesma pessoa. No momento estacionei no pouco e de vez em quando tenho saudades do muito. Mas nunca me incomodei com o salário de ninguém. Salário não mede quanto a pessoa vale como ser humano. É só um valor de mercado em um determinado local e momento. E ponto. Ficar revoltado com o quanto o outro ganha é perda de tempo e um caminho seguro para a insanidade.

O segundo problema do trabalho é o mundo que extrapola o trabalho em si, ou seja, todas as relações com os outros, superiores, inferiores e parceiros. Demora para aprender que muitas vezes não é nada pessoal, embora pareça. Pode ser que alguém tente puxar seu tapete, derrubar seu castelinho de cartas, molhar o seu pãozinho quente. Mas não é porque você é você, é porque é você que está ali ocupando aquele lugar. Ou porque você, além de ser você, tornou-se uma pedra no caminho de algum ambicioso que precisa atropelar você no caminho para sua escalada a lugar nenhum.

E tem o terceiro problema, o mais sério, o que extrapola o mundo material, que vai além do dinheiro e da ambição pelo poder. É o mundo dos afetos e dos sentimentos. As pessoas querem ser importantes. Querem ser amadas. Disputam não só um cargo mais alto na hierarquia do organograma, elas querem um lugar dentro do coração do chefe, do líder. Querem que suas idéias prevaleçam. Ela, não, nós porque certamente você também quer ou já quis isso, assim como eu. E é aí, nesta disputa subliminar que a coisa degringola. Porque nos jogos oficiais, as regras são claras e nesses joguinhos interpessoais as regras não apenas são obscuras como flutuantes.

Diante das panelinhas que se formam, das traições, dos conluios, todos nós ficamos ao mesmo tempo frágeis e paranóicos. Levamos as desconfianças para a mesa, os medos para casa e dormimos com os planos de contra-ataque.

E, pra ajudar, ainda tem as festinhas, os encontros, as viagens e... ah! Toda a comunicação paralela do mundo online. Funcionários e ex-funcionários em comunidades do Orkut, as perigosas conversas paralelas no msn que ficam nos históricos que esquecemos de apagar ou desabilitar.

Que bom seria se tudo fosse às claras. Se o ser humano gostasse da luz. Se aceitasse dizer e ouvir a verdade. Se pudesse revelar suas intenções. Que bom seria se ninguém tivesse vergonha de sentir o que sente e desejar o que deseja. Se houvesse espaço para que assumíssemos tudo sem sermos massacrados. Que bom seria se assim fosse. Se fosse. Que bom. Seria.

Rosana Hermann é cronista do Blônicas às quartas e tem um blog novo, o Skype Brasil. Visite clicando aqui!

Escrito por Blônicas.. às 19h10
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Estou cansada de você!

De Helena Marcolini.

Acho muito engraçadas essas pessoas que se dizem cansadas com a política. Estão exaustas de mentiras e corrupção e por isso, nesta eleição, não votarão em ninguém.

É meu amigo, você realmente deve ter muitas razões para tamanho cansaço. Afinal, você conhece bem todos os nossos deputados e senadores e sabe o nome de cada um deles. Lembra-se, como se fosse ontem, em quem votou nas últimas eleições. Você assiste ao Jornal Nacional e acredita em tudo que o Willian Boner diz. Você não vê o Horário Eleitoral porque você não tem tempo, você é realmente muito ocupado. Mas eu sei que você conhece todos os candidatos muito bem, disso eu não tenho dúvidas. Aliás, você também não lê os prospectos de políticos que recebe na rua porque você não acredita em mais nada que eles dizem, são todos iguais. Mas se você nunca os leu, como pode ter tanta certeza disso?

Você está cansado por inércia, porque está na moda ignorar a política e fechar os olhos para o que não te interessa. Realmente, você já tem problemas demais. Você senta sua bunda branca em frente à TV e assiste canal de fofoca, você lê o seu horóscopo e vomita frases feitas em cima de mim. O país é uma merda e é tudo culpa da política, você é uma merda, por culpa da política também, você nunca tem culpa de nada e eu tenho tanta pena de você. Você usa o mesmo discurso para tudo e se acha super inteligente. Você, com sua coragem ridícula, enche a boca pra dizer que nesta eleição não vai votar em ninguém, como se isso fosse a solução para todos os seus problemas fúteis e medíocres. Os políticos são todos um bando de filhos da puta e mentirosos, não merecem o seu valioso voto. Mas o que mais me revolta é que você é tão covarde e desinformado que não tem coragem de honrar suas próprias palavras. E são pessoas exatamente como você que acabam elegendo os mesmos filhos da puta que te cansam e te fazem odiar tanto a política.

Ao invés de ficar reclamando, tome uma atitude e assuma suas obrigações, porque, infelizmente, o seu voto tem o mesmo valor que o meu.

E eu, estou cansada de você.
 
Helena Marcolini é leitora assídua do Blônicas. Seu blog.

Quer ver seu texto publicado aqui no Blônicas? Mande uma crônica para seleção no blonicas@uol.com.br

Escrito por Blônicas às 14h37
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Santidade é um treco bom pra caráeo !!!

De Santo Paulo Castro.

 

     Vocês podem ler, não ler, sabem? Não sabem? Percebam o alcance disso. Se rolar, faço propaganda. Ou não. Comentários ou não. A Iluminação é uma coisa tão simples, você olha e de repente escreve COM LETRA MAIÚSCULA. O Botter não pode postar. Ele é doce, esquece por vezes, mas é delicado. Como eu, como meu amor! Como pode alguém perder você, cantam Los Hermanos, não que tal verso faça sentido, já que acho que quem não me quer é que perde, mas a vida poderia ser bem melhor, bem melhor, e pra tanto basta sabe o que? Nada. Uma frase. Uma maneira de dizer, mas sem se preocupar muito, ou o treco mais importante, o espontâneo some. E se você não sabe escrever, ou dizer, uma palavra, escolha outra, são tantas e a língua é tão porosa e saborosa !!!!

     Se eu não estou dizendo coisa com coisa o que pode acontecer? Ser expulso, já fui outras vezes e daí? Ah, a gente chora, né? Como agora esse leve aperto na pele do tórax, mas acontece algo que te salva, não vem de fora, pois Jesus, sim Jesus, Osho, Buda, você mesmo, vive em você. Parece complicado? NÃO! ( liberdade do CAPS LOCK !), eu apenas digo: você é você. Não é mesmo?

     Fui fazer xixi e depois fui acarinhar minha cachorrinha, e dizer mil vezes pra minha filha: te amo, te amo, te amo.

     Minha filha é um barato, gente. As pessoas querem usá-la em estratégias de subornos afetivos, eu mesmo, pô, quantas vezes, mas ela não deixa. É uma figura! Pena que tenha gente má no mundo e o Orkut esteja cheio de tarado. Pois eu aconselharia adicioná-la! E mais que isso, venham jantar aqui em casa! Até palavrão dá pra falar. E sabe o que ela fala?( liberdade de repetir um verbo, “falar” ! ), ela fala assim:

     - EITCHA !!!

     Aahahahahahhahaha!

     Aqui tá cheio de gente importante e outras nem tanto. E isso não significa nada. Sabe o que é chato mesmo? Cortarem tua luz na hora do banho. Mas e o banho frio que faz um puta bem pra saúde?! E a palavra “puta” que pode ser linda, como bem indefectou( liberdade para NEOLOGISMOS) Xico Sá, elogiando as putas e falando mal ( caindo de boca...hahahahahahaha) das { nas } garotas de programa. Pô, mas até essas de repente podem ser bem jóias. Sabe o que eu vou fazer antes que cortem minha luz? Uai, tomar banho! Acho que só amanhã cedo corro o risco. Os caras da Paulista são tão gente boa que não ferram com o cidadão cansado no fim do dia. Nem são eles, é mesmo a organização DIVINA das horas. De noite, banho, dormir e sacar que a vida não é pior que o sonho; isso de sonho eu diria em outro dia, é coisa de covarde, mas hoje não, não existe gente covarde: pra que xingar ou considerar que tudo na vida é xingamento? Se uma pessoa está braba, tudo é agressivo! Se ela está de bem com a própria história, você dá uns tabefes, recebe outros, delícia, e fala “ putinha, gostosa, vagabunda” e ela diz “cachorro, puto, maldito coração” e a vida fica bem sorridente! .

     O que dificulta tanto a gente mudar de humor pra aceitar o outro?

     Ah, eu não sei. Tenho que saber tudo só porque sou o Paulo Castro, essa delícia de ser humano, que gosto de sentir que vive em mim e me escolheu pra amar ?!!!!!!!!!!!!!?

     Se numa corrida você não ganha, pô, vai na padaria, pede uma água, um gatorade, e faça gracejos com a turma ali, passe o telefone, se não gostarem e te baterem? Uai, o máximo que pode acontecer é tu morrer. Morte é uma coisa tão besta que só consegue chegar por último! Sacaram ? Ahahahahahaha. Beijos. Boa noite. Ótima, aliás !

 

Paulo Castro atingiu a iluminação e é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas... às 20h19
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Ano de eleição.

De Milly Lacombe.

Ano de eleição é ano de julgar o casamento gay. E como poucos são capazes de julgar com mais ímpeto e fúria do que um bom cristão, não são raras, nem silenciosas, as manifestações contrárias a união de pessoas do mesmo sexo. Não importa que haja no mundo problemas muito maiores e mais graves: quando se trata de endemonizar o casamento gay, alguns fiéis simplesmente não conseguem deixar de se manifestar de forma sonora e apaixonada. Danem-se os desabrigados, os mal alimentados, os desamparados – o que vale é sair às ruas, tropeçando em moradores sem teto como se fossem obstáculos invisíveis, armados de faixas e megafones, a fim de angariar almas que percebam o absurdo que seria votar em um candidato cuja plataforma prometa lutar pelo casamento gay. E lá vão os fiéis, sempre amparados pela benevolência da Igreja a que servem – Igreja que parece só reconhecer a homossexualidade para fins de pedofilia.

E, embora eu ache que qualquer tipo de casamento à moda antiga – desses que, dentro de um templo, e sob o testemunho de um sacerdote, prometem o que jamais poderíamos prometer a um outro ser humano – beira a loucura, acho saudável que a discussão seja jogada à luz.

O que me intriga não é por que querem os homossexuais casar como fazem há milênios nossos colegas heterossexuais. Claro que eu poderia refeltir sobre o fato e chegar à conclusão de que lutar para que se tenha acesso a uma instituição baseada na mentira e na hipocrisia é uma imbecilidade. Mas eu também um dia já quis ter o direito de me casar, simplesmente para me sentir incluída. Então, entendo que a necessidade de me fazer representar perante a lei é apenas uma questão de auto-estima. Até porque, somente se nos for concedido o direito de casar legalmente é que poderemos optar por não fazê-lo, e, aí sim, vingar o nosso estilo de vida: menos rígido, mais descompromissado (estilo que alguns chamam de primíscuo, mas que, na minha avaliação, poderia ser apenas entendido como menos hipócrita. Ou você conhece um casal heterosexual que viva feliz de acordo com as rigorosas leis do matrimônio? Mas aqui estamos perdendo o foco: é quando a discussão saí do casamento para entrar na monogamia que fica bem mais complicada.)

Então, voltemos ao casamento. Como eu ia dizendo, o que me intriga não é essa necessidade quase medieval de casar de papel passado, mas sim o ímpeto e o tempo que alguns cristãos dedicam à luta contra o casamento gay. Por que exatamente eles se sentem ameaçados se, por exemplo, o Estado conceder a mim e a minha companheira o direito de casar? Como o fato de duas pessoas do mesmo sexo terem o direito de dividir bens, de se visitarem em uma UTI, de herdarem patrimônio um do outro vai alterar, ou prejudicar, a vida de um devoto cristão? Que tipo de ameaça a união civil de pessoas do mesmo sexo representa à família? Entendo as lutas que são a favor de alguma causa, por mais maluca que seja a causa. Mas não entendo a lutra contrária. Não entendo os que perdem tempo para se opor. Não entendo como uma luta que se resume em querer sacramentar legalmente o amor pode ser considerada equivocada. Não entendo como alguns cristãos colocam em suas agendas, como tarefa primordial, lutar contra a legalização do casamento gay. A quem estamos ferindo quando pedimos para casar legalmente?

Meu voto é para que um dia vivamos em um mundo no qual as pessoas possam se amar como bem entender, sem que isso faça parte de agendas políticas ou religiosas. Até lá, que Deus esteja por perto, para nos proteger de seus devotos.

Milly Lacombe é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 17h52
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O sultão sem coração.

De Tati Bernardi.

Mal pisei na balada já correram pra me avisar: “Se prepare, ele está aí, e não está sozinho.”
Eu sabia, eu sabia. Estava saindo de casa com meu jeans fuleiro, meu tênis vermelho surrado e uma camiseta qualquer quando tive a brilhante idéia de me trocar inteira. Eu era agora uma moça com um pretinho básico curtérrimo, uma longa bota de bico fino e um belo decote que insinuava um sutiã pink. Um arraso.
Ah, então ele estava lá e estava acompanhado? Sem problemas, quem já tá na merda não se incomoda com mais sujeiras. Eu não iria embora não, iria ficar e tentar rebolar ao máximo a bunda que eu não tenho.
Escolhi o ângulo perfeito, aquele em que ele não teria como não ver, e comecei a desfilar minha falsa alegria pela pista, eu ria e dançava como se fosse a pessoa mais alegre do planeta.
Uma amiga me alertou: “Ele está com uma loira que é um arraso.” Eu nem liguei, arraso por arraso e loira por loira, até aí eu também sou. Com a diferença de que eu sempre fui uma loira-arraso que sabia conversar uma ou outra coisinha com ele e nunca fiz questão de presentes. Aquela devia ser uma burra interesseira.
Daqui a pouco outra amiga (tô começando a duvidar dessas amizades) veio com a novidade: “Você viu a morena que está com ele? Sensacional!”
Uma morena? Mas não era uma loira? Que seja, dane-se, eu também era, no fundo, no fundo, uma morena. Ele estava cansado de saber (e conferir) isso. Uma morena não estragaria minha noite não, eu tinha um sutiã pink, uma cano alto de couro nos pés, um novo corte chiquérrimo de cabelo e uma nuca deliciosa à mostra. Tava tudo certo.
Resolvi conferir, por via das dúvidas. Como será que era essa loira, ou essa morena. Era loira ou morena? Andei o bar inteiro atrás dele até que o vi sentado num sofá imperial com seus adidas velhos em cima de um puf imperial (a decoração da bosta do bar é imperial). Enquanto ele saboreava um mojito das mãos de uma linda loira, uma linda morena esfregava seus enormes peitos na cara dele e chupava uma folhinha de hortelã. O sofá ainda abarcava uma castanha, uma ruiva, uma japonesa, duas baixinhas assanhadas e uma grandona com cara de traveco.
Ele não estava nem com uma loira, nem com uma morena. Ele estava em um harém. Ele era um sultão com mil mulheres. Era o dono do pedaço. Mandava e desmandava naquela merda. Se naquela merda de bar vendessem uvas em cachos, ele certamente estaria comendo uma das mãos de uma daquelas vadias.
Eu quase podia ouvir ele falar no ouvido deslumbrado daquelas putas: “Vai, querida, pega lá o que você quiser beber, hoje é por minha conta.” “Vamos, lindinha, vamos lá pra minha casa que tem oito andares, uma king size com mil almofadas de seda e um deck decorado de estrelas”.
Ele fez que não viu, mas me viu olhando. Se ajeitou no sofá, jogou a porra do cabelo ensebado pra trás e deitou a cabeça no meio dos peitos da morena. A loira, enciumada mas querendo participar da brincadeira, jogou as pernas por cima dos dois. As outras dançavam e rebolavam em volta dele. Era praticamente uma orgia na minha frente.
Cansei, era demais pra mim. Ainda que eu subisse em alguma mesa pelada e jogasse fanta uva nos peitos (eu não bebo), eu não ganharia dele. Ele tinha vencido, ele estava por cima, só me restava ir embora.
Depois de três horas sem entender por que raios a fila para pagar a bosta do bar não andava, resolvi ver o que estava acontecendo.
E como desgraça pouca é bobagem, o que estava acontecendo é que demorava um pouco para somar a conta de 14 putas alcóolatras numa só comanda e dar para o sultão pagar com o cartão da empresa. Que cena, que vontade de vomitar.
Tudo bem, tudo bem, respirei fundo. Quantas vezes eu não tinha desfilado com garotos mais jovens e mais fortes do que ele? Quantas vezes ele já não havia me ligado implorando um almocinho sem maiores danos e eu havia negado. Ele só estava me dando o troco. E que troco: a conta das vadias bêbadas tinha ultrapassado toda a grana que ele já havia gasto comigo em anos.
Cheguei em casa arrasada. Arranquei aquela roupa ridícula que mostrava aquele sutiã ridículo e joguei aquelas botas ridículas o mais longe que eu pude. Coloquei, querendo morrer, meu pijama de ursinhos: enquanto isso ele comia duzentas mulheres que certamente usavam roupinhas mais sexy.
A Lolita (minha cachorrinha) se encaixou em mim, querendo dormir de conchinha. Que fim triste para essa mulher de maquiagem borrada e coração dilacerado. Enquanto isso ele devia estar encoxando duzentas mulheres que também latiam (e com muita sorte minha também eram peludas).
Mais uma vez a velha e boa sensação de que o mundo todo é lindo, o mundo todo é desejado, o mundo todo se diverte, o mundo todo vibra, trepa, goza, brinca, ama, festeja, acontece, se dá bem… e eu continuo feia, brega, renegada, com teias de aranha, sozinha e no escuro.
Meu sofrimento não tinha fim, mas foi interrompido pela salsa eletrônica do meu novo celular rosa. Era ele do outro lado: “Conversa comigo? Tô sem sono…”
Eu sabia, eu sabia, nem todas as “sultãonetes” do mundo eram capazes de dar a ele o que eu dava. Ainda que meu coração fosse um só.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 12h02
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Voto nulo é votar Lulo.

De Nelson Botter.

 

Tenho visto muitas campanhas por aí para que as pessoas votem nulo nas próximas eleições como uma forma de protesto. Entretanto, a coisa não é bem assim, o voto nulo acaba beneficiando determinados candidatos que são justamente o alvo do protesto. Por isso, está na hora desse pessoal que defende o voto nulo acordar e enxergar o tamanho da besteira que estão promovendo. Vamos protestar, mas com inteligência, né?

 

O melhor protesto é usar seu voto de maneira consciente, é ajudar a derrotar a corja de corruptos que tentam se reeleger. É claro que o Brasil não vai se livrar da corrupção, é claro que mesmo novos políticos podem entrar na dança e se corromper, mas é preciso procurar alternativas, bancar novas apostas, reciclar o parlamento nacional, procurar eleger um parlamento mais inteligente e interessado em leis que melhorem nossa condição de vida.

 

É inconcebível que sejamos os campeões mundiais de impostos. Esse resquício da corte portuguesa, que - por exemplo - confiscava 25% de todo transporte de ouro que vinha da região de Minas até Parati, é um dos maiores empecilhos para o crescimento da economia e uma melhor distribuição de renda. O médio e pequeno empresário hoje praticamente paga para trabalhar, pois o governo é um sócio majoritário de seu negócio. Com isso, não consegue crescer, não gera mais empregos e - pior! - acaba quebrando e gerando mais desemprego. O governo que faça sua parte, diminua os gastos absurdos e luxuriosos, assim não precisará de tanta arrecadação. Chega do povo bancar essa orgia de poder.

 

Por isso é preciso haver segundo turno, é preciso que os candidatos possam confrontar suas propostas de governo, possam debater suas idéias e exercer o que a democracia tem de melhor. Até aqui vimos um Lula se esquivando do debate, preso a uma imagem de Robin Hood, consolidada principalmente no nordeste e norte do país. O segundo turno é necessário para que o atual presidente venha a público expor suas idéias, muitas delas não cumpridas no período de 4 anos no poder. Também se faz necessário o segundo turno para que o outro candidato, seja lá quem for, tenha oportunidade de apresentar-se frente a frente com Lula. É preciso o confronto na política e não só o "entendimento".

 

A oposição não é lá as mil maravilhas, em muitos momentos é fraca, omissa e tem rabo-preso com a corrupção, é óbvio, mas termos de agüentar mais 4 anos de populismo atrasado e ignorante (no melhor estilo Hugo Chavez) é ridículo. Um país continental como o Brasil precisa de representação concisa e coerente. Está na hora de focarmos o desenvolvimento e parar com essa coisa atrasada e pseudo-revolucionária que sempre persegue as lideranças da América Latina. Precisamos de gente preparada para governar, chega de "eu não sabia de nada".

 

Enfim, alguns velhos coronéis vão se aposentando, mas deixam sucessores, infelizmente. Se nada mudar nesse próximo mês, a política do "rouba, mas faz" (que antes era o jargão da extrema direita) se perpetuará por mais 4 anos, ou sabe-se lá por quantos. É, meus amigos, é de dar medo até em psicopata...

 

Nelson Botter é cronista do Blônicas.
Escrito por Blônicas às 10h49
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Sonhando com a Botocúndia.

De Castelo.

Vejo a placa: Botocúndia. Passo em seguida por um cientista que diz: “se Deus quiser”, assim com a boca cheia.
Vou indo. Caminhando, insone.
Não muito longe dali está o médico que disparou vários tiros no paciente. Tudo porque o advogado dele havia aceitado a propina do padre que traficava drogas; o mesmo pároco que era protegido do ginecologista preso por pedofilia.
Ainda assim, não sei bem a razão - peço uma benção ao religioso:
- Estou de licença-prêmio, meu filho – ele responde enquanto passeia ladeado por dois enormes seguranças no parque da cidade.
Noto que o entorno mudou muito. Mas aqui não era um parque? Árvores, plantas, pistas de cooper? Por que virou este estacionamento gigantesco?
Despeço-me do vigário e sigo desviando dos automóveis e manobristas.
Na padaria da esquina, peço um café. O atendente me diz que não sabe o que é café. Acho estranho. Repito o pedido, falando mais alto. O atendente:
- Aceita chá de boldo?
Por que ninguém mais sabe o que é café?
Ele me mostra um cardápio ensebado. Há pelo menos 15 opções de chá de boldo: com chantilly, irish boldo, capuccino de boldo, boldo carioca, boldo expresso...
Olho em volto. A padaria toda bebe placidamente chá de boldo.
Na tevê do estabelecimento coincidentemente passa um comercial de uma marca da amarga bebida.
Casal de jovens, à beira de uma lareira, finamente agasalhados, bebem em elegantes xícaras o produto. O locutor diz, tom empostado: “Boldo Premium. Extraforte, para momentos extraordinários”.
Na calçada um bando de policiais foge de três marginais armados de metralhadoras.
Entra no recinto um som abafado. Vem de um trio elétrico repleto de dançarinos e dançarinas com roupas africanas. Engraçado, eles dançam ao som de “I’m a believer”, dos Monkees.
É um lugar estranho mesmo.
De novo os policiais passam correndo à minha frente. Agora fogem de um jovem que os ameaça com uma pequena granada de mão.
Na calçada um juiz togado segura um cartaz. Leio: “vendo sentenças, preços módicos”.
Dou sinal a um táxi.
Depois de alguns instantes, um deles pára. Entro. O taxista:
- O que você quer comigo?
Digo que quero ir para o centro. Ele:
- Como assim, quer ir para o centro?
Mas o que acontece neste lugar? Os padres são corruptos, os juízes vendem sentenças, os médicos matam os pacientes, as áreas verdes viraram estacionamentos e os táxis... bem, os táxis não te levam a parte alguma; o meu indo embora pela avenida.
Em pé no meio da rua, asfalto todo esburacado, em pleno inverno um sol de Gana abrasa tudo e todos.
As estações invertidas, os pólos derretendo, as matas frias. Os táxis vão passando sem olhar para quem está na calçada. Then I saw her face, now I’m a believer, not a trace of doubt in my mind, I’m in love, Im a believer! I couldnt leave her if I tried.
Momentos depois, acordo no Brasil. Era um tudo um pesadelo. Que alívio.

Castelo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 13h30
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De tudo o que ele me deu, o melhor foi um pé na bunda.

De Tati Bernardi.

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo "olha, não dá mais". Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda amava muito ele) com um e-mail, não é mesmo? Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu "mas agora eu to comendo um lanche com os caras". Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não voltava pra mim? Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema.

Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia. Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito. Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve. Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.

Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos e filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi que eu tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim. Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.

Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris. Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto.

O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele. Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher que eu acabei me tornando mulher demais para ele.

Ele quem mesmo?

Tati Bernardi é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 10h54
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Vivendo além dos limites.

De Leo Jaime.

Dirigir à noite é sempre um problema. As ruas costumam estar livres, vazias, mas não dá para imaginar que seja tranqüilo: o pessoal da mesada está na ativa. Principalmente nas noites de sexta e sábado. O pessoal da mesada é aquele que só volta para casa se não tiver outro jeito, e fica zanzando de carro parando em lojas de conveniência, para tomar umas e outras, antes e depois das baladas.

Ontem, voltando de um show, vi algumas cenas destes personagens. Um carro de farol apagado e cheio de homens passava devagar, no meio da rua, impedindo a passagem de quem quer que fosse. Deixa explicar. Imagine uma rua com duas pistas. Imagine que há uma faixa central a dividir as duas pistas. Imagine um autorama em que o carrinho fica exatamente no meio da faixa. Pois é. A impressão que dava era de que ele queria meter medo no pessoal da rua e bloquear a passagem de algum outro carro para, talvez, interceptá-lo. Vai ver não era nada disso, era apenas um exibido querendo desfilar com seu carro velho, rebaixado e com rodas especiais. A luz apagada era só para não ofuscar a visão, pois o som estava nas alturas. Toco rock e alto, e quando digo que o som estava nas alturas sei o que estou falando.

Curioso que só ouça música muito alto no carro, e quando digo alto quero dizer muito além do que o ser humano comum pode suportar dentro de um carro, aqueles que ouvem música de gosto extremamente duvidoso. Nunca ouvi, e o mundo é obrigado a ouvir, um destes carros que tem caixas acústicas enormes dentro, tocando uma música boa sequer. Meu conceito do que pode ser música boa é bem elástico! A cena era essa: madruga e um bando de homens dentro de um carro com o farol apagado, deslizando lentamente no meio de uma rua. E todos berrando dentro do carro para falar mais alto do que os falantes que berravam um putz putz de última.

Mais tarde um pouco, voltando para casa, vinha a uns 60 Km/h pela Avenida Europa quando sou ultrapassado por um carro que devia estar, pelo menos, a 140 Km/h. Passou fazendo vento e balançando meu carro. Fiquei imaginando o motorista jovem que rompe fronteiras, sabe como é? Que vive além dos limites. Que não quer ser mais um, manja? Doutorado em física quântica ou hábil literatura o caralho! Vou correr de carro bebo! Mais à frente ele passou para a pista contrária, na mesma velocidade, e foi pela contra-mão acho que se preparando para uma curva adiante, em frente ao Mube, museu que fica em uma daquelas esquinas. Fez a curva sem fretar e entrou num poste que sustentava o semáforo. Instantaneamente após o acidente a sua luz de ré foi engatada e ele começou a fazer o movimento para desencaixar o carro do poste. Quero dizer que o jovem motorista não deu nem um segundo para avaliar os danos físicos ou mecânicos de sua barbeiragem. Bateu e engatou a ré num átimo e começou a acelerar como quem vai dar a largada num grande prêmio.

Assim que o carro se moveu ele saiu acelerando fundo, tentando imprimir o mesmo ritmo de antes do acidente, embora o carro não reagisse por estar muito avariado. E saiu, pisando fundo, talvez para que ninguém o visse já que alguns carros ficaram parados olhando a cena e imaginando se ele precisaria de socorro.

Que é isso? Jovem não come mel, mastiga a abelha, dizia um personagem de Chico Anísio.

Bem, o jovem em questão evidentemente pode ter 50 anos como 17, não importa. O que a publicidade vende como idéia de juventude que tem que quebrar os padrões, ser diferente, viver além dos limites e tornar a vida mais especial não pelas realizações, mas pelo perigo ou irresponsabilidade com que é vivida, esse padrão de juventude, esse recorte de juventude não limita idade. Limita a vida.

Fiquei imaginando se naquela curva houvesse um ponto de ônibus ou gente saindo de um dos eventos que lá costumam ocorrer. Sábado mesmo eu participei de um! OU se algum carro viesse na contra-mão quando lá ele resolveu transitar. Fiquei com pena. Se ele tivesse morrido ou ficado inconsciente a cidade ficaria menos perigosa. Fiquei com pena de todos nós, pois ele saiu, imediatamente, a toda, doido para bater de novo. Talvez lamentando não ter acertado ninguém. Vai saber! Um filho da puta destes não pensa na mãe. Nem na dele nem na de ninguém.

Leo Jaime é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 12h06
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