COLUNISTAS
MILLY LACOMBE


XICO SÁ

CLÉO ARAÚJO

NELSON BOTTER JR

TATI BERNARDI


LEO JAIME


ANA REBER

HENRIQUE SZKLO

GIOVANA MADALOSSO

CARLOS CASTELO

BIANCA ROSOLEM

LUSA SILVESTRE

EDSON ARAN

SILVIO PILAU


AQUI VOCÊ TAMBÉM ENCONTRA:

Ailin Aleixo
Antonio Prata
Carol Marçal
Cristiana Soares
Evandro Daolio
Gisela Rao
Marcelino Freire
Rosana Hermann
Paulo Castro

E MAIS:
Alexandre Heredia
Ana Paula Ganzaroli
Analice Alves
Edgar Costa Neto
Felipe Soares Machado
Helena Marcolini
Isadora P. Szklo
Klauss Klein
Lívia Venina
Lu Paiva
Luís Couto
Luis Gonzaga Fragoso
Marcelo Ferrari
Marcelo Sguassábia
Mauro Judice
Ricardo Campos Soares
Ricardo Prado
Thaís SBA
Thaty Hamada



ARQUIVO

01/02/2011 a 28/02/2011
01/12/2010 a 31/12/2010
01/08/2010 a 31/08/2010
01/07/2010 a 31/07/2010
01/06/2010 a 30/06/2010
01/05/2010 a 31/05/2010
01/04/2010 a 30/04/2010
01/03/2010 a 31/03/2010
01/02/2010 a 28/02/2010
01/01/2010 a 31/01/2010
01/12/2009 a 31/12/2009
01/11/2009 a 30/11/2009
01/10/2009 a 31/10/2009
01/09/2009 a 30/09/2009
01/08/2009 a 31/08/2009
01/07/2009 a 31/07/2009
01/06/2009 a 30/06/2009
01/05/2009 a 31/05/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/03/2009 a 31/03/2009
01/02/2009 a 28/02/2009
01/01/2009 a 31/01/2009
01/12/2008 a 31/12/2008
01/11/2008 a 30/11/2008
01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/08/2006 a 31/08/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/06/2006 a 30/06/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/01/2006 a 31/01/2006
01/12/2005 a 31/12/2005
01/11/2005 a 30/11/2005
01/10/2005 a 31/10/2005
01/09/2005 a 30/09/2005
01/08/2005 a 31/08/2005
01/07/2005 a 31/07/2005
01/06/2005 a 30/06/2005
01/05/2005 a 31/05/2005
01/04/2005 a 30/04/2005
01/03/2005 a 31/03/2005
01/02/2005 a 28/02/2005
01/01/2005 a 31/01/2005


LIVROS



EM BREVE



Visitantes únicos desde 15/01/2005
Site Meter Add to Technorati Favorites

XML/RSS Feed
O que é isto?

Leia este blog no seu celular


Quando duas mulheres se encontram.

De Cristiana Soares.
 
Mara entrou flutuando no estúdio da rádio, acomodada em uma cadeira de rodas, que parecia dar continuidade ao seu corpo gracioso. Nessa hora ouvi aquela música do Secos & Molhados que fala de uma pluma que pousa suave. Assim foi a abertura do filme onde conheci Mara Gabrilli pessoalmente. Ela e sua equipe me convidaram a dar uma entrevista para o programa “Derrubando Barreiras”, na rádio Eldorado.

Fui para falar do livro de literatura infantil que lancei recentemente, “Por que Heloísa?”, que conta a história de uma menina com paralisia cerebral e sua incursão no mundo, inspirada na vida da minha filha, Luísa. O livro, pincelado em cores vivas e escrita lúdica, perpassa, entre outras questões, pela acessibilidade física e atitudinal.

Entre quatro paredes à prova de som, estavam duas mulheres. Uma de frente para a outra. Uma escaneando a outra. Vi-me refletida nela o tempo todo. No tom da pele do seu rosto. Na sua idade. Na sua fluência mental. Na sua atitude de vida.

Duas mulheres semelhantes e diferentes. Enquanto ela falava pausadamente e com suavidade, eu falava rápido como uma criança entusiasmada, entre risos, curtas gargalhadas, alternadas com um toque dramático mexicano. Mãos voavam para todos os lados. Ela, sutil, doce, contida. Porém, igualmente incisiva.

Apesar da aparente curiosidade de uma em relação à outra, não foram necessárias perguntas e respostas entre nós duas para sabermos o que temos em comum. Essa percepção foi instantânea. Baseada em trocas rápidas através de mensagens subliminares.

Antes do técnico dar o sinal para iniciarmos oficialmente a entrevista, apresentei-lhe minha outra filha, Lorena, que me acompanhava. Descrevi-a como minha assistente visual. Já que com 14 graus de miopia e, mesmo com óculos ou lentes de contato, não enxergo muito as coisas da vida que se vê com os olhos. Preços e prazos de validade, no supermercado, por exemplo.

Qualquer palavra ou número que eu precisasse interpretar ali naquele ambiente, com corpo menor do que 24, iria precisar da ajuda de Lorena. Tudo bem que com os óculos ficaria um pouco mais fácil. Mas fui com as lentes, já intencionada a “sair bonita” nas fotos, que foram tiradas pela minha assistente, é claro, porque fazer foco, sem meus fundos de garrafa, nem pensar.

A maioria não percebe logo de cara essa minha limitação. Disfarço bem (ultimamente ando dando bandeira), mas só eu sei como me desloco no mundo através do tato, do olfato e da propriocepção. Em noção de espaço eu sou boa. Devo ter algum campo extra-sensorial ao redor do corpo.

Mara também estava com sua assistente para ajudá-la, já que não se movimenta com autonomia do pescoço para baixo.

Confesso que senti inveja na hora em que ela leu a pauta do programa sem necessidade de graus, a uma distância razoável do papel (o que seria impossível para mim). Aliás, eu a invejo por outros motivos também, mas sinto pudores em escancará-los aqui.

Durante a entrevista, Mara se ajeitava mexendo o pescoço. Eu me ajeitava mexendo as pernas.

Se largada à própria sorte na natureza nua e crua, Mara não sobreviveria. Mas com o arsenal de tecnologia assistiva que nossa civilização oferece hoje e mais a assistência de outros seres humanos que a circundam, ela não só sobrevive, como faz política, trabalha, escreve para revista, vai ao cinema e namora.

É claro que tudo isso tem um custo financeiro. Mas ela é auto-sustentável. Ao contrário da maioria dos cidadãos brasileiros com algum tipo de deficiência. E de muitos que não têm nenhuma. A essa população, Mara se dedica. Para que sua condição particular não seja um privilégio de uma minoria.

Inicialmente, entrei na militância inclusiva movida pela minha filha. Hoje estou nela porque respiro. Assim como Mara, para quem respirar sozinha, sem a ajuda de aparelhos, segundo ela me contou logo de início, é uma grande conquista. Hoje, ambas inspiram oxigênio com o propósito de fazer um mundo melhor para TODOS.

Não lembro muito do eu que disse durante a entrevista, porque o mais interessante viria depois. Tentar descobrir o que aquela mulher tem de diferente de mim. Mas o tempo foi pouco e a curiosidade continua.

Cristiana Soares é escritora convidada do Blônicas e escreve no Blogtalk.e no "Por que Heloísa?"

Escrito por Blônicas às 11h55
[]


Água de coco.

De Antonio Prata.

Quando fui ver, já tinha ficado amigo do coqueiro. Claro que não foi assim, de uma hora pra outra. Leva tempo até a gente se apegar realmente a um vegetal: eles não são muito expansivos, não falam nada e não dão sinais evidentes de afeto. Mas se você prestar bastante atenção, verá que uma boa amizade pode ser cultivada. Literalmente.

O coqueiro fica no jardim da casa que, recentemente, comprei em Ubatuba. Confesso que, nas primeiras vezes que fui pra lá, nem dei muita bola para ele. Da última vez, no entanto...

Era fim de tarde e eu estava cansado do dia de praia. Sentei na varanda, estiquei as pernas em cima de um murinho, olhei o sol se pondo, o céu vermelho, o mar dourado e, diante desse cenário de calendário de despachante eu já estava quase me convencendo de que a vida era boa e tudo ia dar certo no final. Mas eis que minha atenção foi desviada pelo tal coqueiro.

Você deve saber que bastam algumas horas na praia para as coisas irem mudando dentro da gente. Vamos ficando mais calmos, contemplativos, os pensamentos vão se tornando profundos e leves, cadenciados pelo barulho das havaianas batendo no calcanhar, das ondas batendo na praia... A gente fica num meditar tranqüilo como o balanço da rede... (E com vontade de acabar todas as frases com reticências...). Foi nesse espírito que olhei o jardim e, quando dei por mim, já tinha pensado: esse coqueiro é gente fina. É uma árvore desengonçada, magrela, reta e com aquela cabeleira toda desarrumada, lá no alto, que nem o Louco da turma da Mônica. Deve ser um piadista. Um desses caras altos e meio tímidos, mas com um humor afiado. E, cada vez mais empolgado por esse clima hippie-praiano (deve ser a maresia), comecei a pensar: pô, ele é um ser vivo, eu também. Ambos temos que nos alimentar, beber água e respirar. Ambos nascemos e ambos morreremos. Aconteceu de eu ser gente e de ele ser coqueiro, a evolução o levou a fazer cocos e eu a fazer histórias,  mas num passado longínquo éramos o mesmo microorganismo.

No terceiro dia na praia eu já estava até pensando em abraçar o coqueiro e chamá-lo de meu irmão, mas tive que voltar a São Paulo. Ainda bem. Não sou do tipo que abraça árvores. Não ainda.

Hoje à tarde, num dia frio e cinza, senti saudades. Querendo saber mais sobre o assunto, liguei para a Paula, minha amiga bióloga. Tirei-a das profundezas obscuras de seu mestrado e perguntei: Paula, diz aí tudo o que você sabe sobre coqueiros. Durante alguns minutos escutei coisas fabulosas. Por exemplo: na África morrem mais pessoas atingidas por cocos que caem da árvore do que em acidentes aéreos; a carne do coco chama-se endocarpo e, o mais esdrúxulo; a água que a gente bebe é o endosperma. Nesse momento, pedi para ela parar. Era mais informação do que eu precisava. Endosperma? Que coisa é essa? Mudei de assunto, mandei beijos para a família e desliguei. Há coisas que a gente não precisa saber sobre os amigos.

Antonio Prata é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 16h27
[]


A dama dos chics e o rei dos ogros.

De Carlos Castelo.

Karl Marx e Sigmund Freud, Adolf Hitler e Napoleão Bonaparte, Jesus Cristo e Sidarta Gautama. Não há dúvidas de que tais encontros, se tivessem acontecido, mudariam a face da História Ocidental.

Mas, em minha modesta opinião, o encontro que realmente traria profundas alterações no modus operandi das nações seria entre Hugo Chávez e Glorinha Kalil. Respectivamente, a rainha dos chics e o rei (perdón!) dos ogros.

Numa pequena licença poética, o diálogo se daria assim:

Hugo Chávez: A senhora pode fazer algo por minha imagem?

Glória Kalil: Sim. Porém, no caso do senhor, é preciso começar não pelas suas roupas, ridículas aliás, mas antes pelo seu comportamento em público.

HC: A senhora está se referindo ao episódio com aquele rei cabrón?

GK: Pois é, fazer o rei mandá-lo calar a boca pode querer dizer que houve exageros de sua parte. Aliás, deixar os outros falarem, não cuspir enquanto diz algo e parar de andar com essa miniconstituição na mão são básicos para a civilidade.

HC: Miniconstituição na mão? Qual o problema?

GK: O senhor anda de farda vermelha. Com um livrinho na mão, fica parecendo um flamingo evangélico. E, olha essa sua boina...

HC: O que tem a minha boina?

GK: Ela o deixa com a cara do Jerry Lewis em O Palhaço do Batalhão.

HC: Mas é um presente de El Comandante...

GK: Essa sua mania de querer ser Fidel é tão brega...

HC: Ah, por que no te callas?!

Carlos Castelo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 16h34
[]


A brava peleja da mulher e da cachaça.

De Xico Sá.

Sinopse: cansada de humilhações nos lares, a cachaça vai à forra. Sem perder a elegância jamais, deixa a sua crítica da ressaca moral pura. Acompanhem:

- Ou ela ou eu – disse Germana, toda metida no seu vestidinho de palha, no seu Ronaldo Fraga de palha de bananeira.

O pobre do cachaceiro ficou passado, perplexo no seu zarolhismo a 45º de graduação alcoólica.

Arrastá-lo dos bares era um serviço humanitário tão comum à patroa quanto lavar roupa suja ou discutir a relação envelhecida em barris de estrago.

Mas naquele dia tudo seria diferente. Deparou-se logo com a birra da empalhada, que reivindicava, no mínimo, mais gratidão do cachaceiro a quem tanto manguaçara.

- Ou ela ou eu - disse de novo, botando fogo pelas ventas.

Sem permitir a réplica feminina, dona pinga incendiou mais ainda o ambiente, a Mercearia São Pedro, diga-se, ali no alto da vila Madalena:

- Cansei de te derrubar em colo de vagabunda...

Embora muito educada, uma fofa, a patroa não suportou  a humilhação:

- Você está acabando com a vida desse infeliz... Repare só o farrapo humano que virou.

- Ah, minha santa, a graça desse bofe sou eu, Bovary ces´t moi. Dou-lhe verve, ânimo, o luxo da coragem, mato-lhe a timidez e os assombros...

- Desalmada, destruidora de lares, você acaba com o que sobra desse infeliz...

Marquinhos abaixa o portão de ferro.    

Germana adora aquele barulho. É música, é Mozart, diz, assanhada. Sabe que o bicho pega e cresce o amor incondicional dos homens por ela. “Viagem ao fim da noite”, batizou assim aquele congraçamento entre os machos de boa vontade. Na sua elegância de palha, Germana detesta quando os homens pedem “mais uma”. Ela gosta de ser chamada pelo nome, com devoção, olhinho baixo e tudo.

E a peleja continuou:

- O que acaba com essa criatura é a tua rabugice, a tua carranca, já te viste no espelho quando acordas? Que cabelo é aquele, dona?

- Pois saiba que esse desalmado acorda te maldizendo, numa ressaca miserável, sempre como aquele corvo, never more, never more, never more...   

- Quando se recompõe volta aos meus caprichos... É um doente por mim, queres devoção maior?

- Eu sou a cura...

- Tu és mesmo um banho frio, sem alma, bálsamo chinfrim... És tão sólida na vida dele quanto um Sonrisal...

- És a ruína desse infeliz...

- Apenas não desejo que ele morra cheio de saúde... Já pensou que triste?

- Cínica.

- Gorda.

- Invejosa, enquanto dás a queda eu dou um colo macio e reconfortante...

- Se ele erra o prumo de casa é por conta da tua feiúra...

- Mas nunca errou o buraco da fechadura...

As duas se engalfinham. A mercearia vem abaixo. Marquinhos levanta o portão de ferro. O sol por testemunha de mais uma peleja entre a mulher e a cachaça. Ah, por isso que eu não quero que me faltem essas danadas. Tão passionais, tão iguais, tão donas das nossas quedas e baques.

Xico Sá é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 11h12
[]


Frases sem sentido.

De Henrique Szklo.

Quanto mais eu me conheço, mais eu me decepciono com a raça humana.

.....................

Os políticos não são corruptos. Nós é que somos certinhos demais.

.....................

Nenhuma mãe é virgem.

.....................

“Bem-passado, mal-passado ou ao ponto?” – perguntou o carrasco antes de acionar a cadeira elétrica.

.....................

Os antigos egípcios, ao preparar suas múmias, retiravam o cérebro da dita cuja pelo nariz, utilizando uma espécie de saca-rolha. Já o homem contemporâneo utiliza a cocaína.

.....................

O suicida desiste da vida de forma definitiva. Milhões de pessoas preferem a desistência light.

.....................

Eu não acredito em nada que seja crível.

.....................

Não existe nada mais sem sentido do que procurar o sentido das coisas.

.....................

Não gosto das idéias que tive até hoje. Prefiro mil vezes as idéias que ainda vou ter.

.....................

Tudo muda numa velocidade tão grande que eu já não sou mais o mesmo que começou a escrever esta frase.

.....................

Nasci para ser filho de rico. Eu fiz a minha parte. Meu pai é que não fez a dele.

.....................

Um judeu que não sabe ganhar dinheiro... às vezes acho que fui adotado.

.....................

Sempre fui contra o castigo físico na educação de meus filhos.  O psicológico é muito mais eficiente. E divertido.

.....................

A desilusão é a mãe da maturidade.

.....................

“Vocês sabem com quem estão falando? Sabem que é o meu pai?”, disse Jesus ao ser preso pelos romanos, puxando a carteirinha celeste.

.....................

Quanto mais o tempo passa, mais me distancio da juventude.

.....................

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Prova de que Ele deve ter um problema seriíssimo de auto-estima.

.....................

Todo cafajeste é simpático. É para o simpático que damos um voto de confiança. Portanto é ele quem tem a maior possibilidade de nos desapontar. O antipático já desagrada no primeiro olhar. Não esperamos nada dele. O que vier é lucro.

.....................

Nunca conheci um escritor que tivesse palavra.

.....................

O problema dos gêmeos siameses é que eles têm duas caras.

Henrique Szklo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 18h46
[]


Para aquele lugar.

De Tati Bernardi.

Você aumenta o I-pod até quase estourar os tímpanos. Aumenta a carga até quase estourar os joelhos.
Seu prazer em estar viva não basta e você toma aquelas químicas da felicidade prescritas pelo psiquiatra ou por algum amigo que freqüenta raves.
Seu cabelo não basta e você estoura ele até ficar igual ao da menina da novela.
E você aumenta as horas de corrida conforme aumenta a sua idade.
E aumenta os amigos oba-oba porque descobre que quase nunca tem amigos de verdade quando realmente precisa.
E aumenta os casinhos e diminui o amor.
E arregala os olhos para dar conta de ver tudo e saber de tudo mas continua acordando com aquele vazio.
E o mundo te acompanha ou você acompanha o mundo.
E as escadas rolantes e os elevadores fazem de conta que tudo bem você não saber mais como andar com suas próprias pernas.
E os comerciais berram muito na TV porque ninguém escuta mais nada.
E seus amigos, casinhos e até o cabeleireiro só falam de si próprios e você não escuta mais nada porque está louco para chegar a sua hora de falar de si
próprio.
Você está nas alturas, no topo, no seu melhor. Mas se sente devendo ao mundo. Pouco. Preguiçoso. Menos.
Suas funções estão no limite humano. Mas se pudesse, você compraria mais memória pro cérebro e mais bateria pro coração.
O que você não pode ter naturalmente, compra. O que não pode fazer ou falar, usa. O que não pode sentir, imita. O que não pode viver, inventa.
E assim você se renova mecanicamente, a casa fase. Como um computador que vira G3, G4, G200.
Mas um dia, depois de não agüentar mais uma vida de vitrine e pessoas querendo barganhar a sua existência, você descobre que não existe nada
melhor do que mandar tudo isso para aquele lugar.

Tati Bernardi é colunista do Blônicas e autora do livro "A Mulher que não Prestava", da Panda Books.

Escrito por Blônicas às 11h57
[]


Crônica.

De Leo Jaime.

Sei que faz tempo que não apareço nestas linhas. A explicação é sincera, ainda que insuficiente; estou gravando um disco novo e, mesmo antes de começar, as idéias viravam novas canções. Esse era o foco.
Há, porém, coisas que acontecem e merecem um texto e a letra de música não é o formato mais adequado. As notícias, por exemplo. E este é um bom espaço para comentar as notícias e pairar sobre suas refrações.
Hoje, por exemplo, leio que Lula diz que podem inventar qualquer motivo pra criticar Chavez, menos dizer que ele não é democrático. 
Fico com a nuca arrepiada ao ouvir isso. E mesmo sabendo que estarei me expondo ao ódio dos pseudo-rebeldes (ou vacas de presépio da velha
esquerda) que patrulham tudo na internet para achar e reprimir quem tenha uma opinião diferente, achei por bem comentar isso aqui. Porque parece sério. E é.
Há um discurso muito comum nos pseudo-rebeldes que é o seguinte: os políticos são todos uma merda, desonestos, e o verdadeiro criminoso está em Brasília. Isso tem até em letra de banda de rock atual. É um clichê. E é visto como um discurso rebelde embora seja de extrema direita e reacionário.
Amigos, eu vivi neste país quando não havia congresso. Quando havia censura nos jornais e qualquer um vestido com a camisa do América podia sair de casa e não voltar nunca mais. Então eu posso jurar de pés juntos que qualquer congresso, por mais repleto de pulhas possa ser, é melhor do que não ter congresso. Qualquer imprensa radical e tendenciosa é melhor do que a versão única de um governo antidemocrático. Chavez é um ditador e se está gastando quase todo o dinheiro da Venezuela em armamento bélico, não deve ter boas intenções. E há uma tendência popular em favor dele.
O incauto raciocina da seguinte forma; é contra o Bush deve ser legal. Foi assim que Hitler ganhou muitos adeptos. Ou como dizia Nietsche (Tô com preguiça de ir ver a capa do livro pra ver como se
escreve..) a forma mais rápida de se estabelecer uma ligação é estabelecer um inimigo comum. Você chega no ponto de ônibus e
comenta: essa porcaria vive atrasada. No instante seguinte tem alguém batendo papo com você. É bem simples mesmo.
Quando se diz que o Congresso é uma merda, o mal está sendo visto como um evento externo. O que se está dizendo é: eu não tenho nada a ver com o Congresso e "eles", que vieram de outro planeta, são maus. 
Mentira. Nós temos tudo a ver com o Congresso e eles somos nós. Ou nossos representantes. Se você  escolheu um merda pra te representar, a culpa não é dele, ou não só dele. Você é que foi feito, ou bancou o otário, e tem total responsabilidade sobre a merda que fez. Eu votei no Gabeira, um dos poucos que tem tido uma atitude coerente e posições claras naquele ambiente deveras sombrio. Eu não me sinto nem culpado e nem mal representado! Pra mim o que faltam são boas escolhas e não o fechamento do Congresso!
O discurso em favor da ditadura militar, esse do Congresso é uma 
merda,  é parecido com o do apoio ao fanfarrão boçal da Venezuela.  
Ainda que aparentemente seja de outra base ideológica. Sejamos
sinceros: ditadura é tudo uma coisa só, não existe de fato nenhuma diferneça entre um filho da puta assassino com camisa amarela ou rosa. Ainda mais quando ele não precisa prestar contas a ninguém, senão seus fanáticos apoiadores e puxa-sacos.
A direita e a esquerda no mundo evoluiram e deixaram de ser, como julga nosso pseudo-rebelde, o mal contra o bem. São forças conservadoras e progressistas complementares e necessárias. E as teorias utópicas de solução política do tipo "panacéia universal" já cairam em descrétido há tempos. Banidas pela própria história.
Resta esse povinho atrasado que acha que precisamos fazer uma revolução bolchevique na América do Sul, acreditando piamente que Che Guevara é Jesus Cristo, Fidel Castro é papai noel, Hugo Chavez é democrático e o caralho a quatro. E o coelhinho da páscoa? Ah, fechar o congresso!
Pelos céus. Um pouco de raciocínio não há de fazer mal nenhum! Se um cara acha que a única imprensa que pode falar é a que recebe salário dele, a última coisa que se pode dizer deste cidadão é que ele seja democrático! Será preciso explicar o óbvio? Se ele está se armando até os dentes, e fazendo com que nosso exército se arme também (É óbvio que o babaca não pretende soltar as bombinhas dele contra nenhum velho inimigo porque ele não os tem!) e tanto uma guerra imbecil quando uma intervenção militar no governo braslleiro se tornam ameaças possíveis. É sério.
Quando Lula, pra fazer merda no caso do apagão aéreo, passou a mão na cabeça dos militares em greve, estivemos perto de um golpe. A regra é
clara: militar não faz greve, faz motim. E se amotinar tem que pagar no xadrez. Oras, as forças armadas foram destituidas de qualquer poder quando o presidente, desrespeitando o estatuto da aeronáutica, resolve liberar o amotinamento e declarar que é aceitável.
Confesso que fiquei com medo. Assim como fiquei hoje, quando vejo nosso presidente definir aquilo que faz os estudantes enfrentarem o exército chavista nas ruas como sendo um exemplo de democracia.
Bom, deve ter sido alguma coisa que ele bebeu. Ou não.

Leo Jaime é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 09h31
[]


Tenho medo.

De Nelson Botter Jr.

Em pleno dia da proclamação da república me deparo com a seguinte notícia:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não é possível criticar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, por falta de democracia e que naquele país o que não falta é "discussão". Lula voltou a defender o presidente venezuelano daqueles que o criticam por querer permanecer mais tempo no poder.
"Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa, inventem uma coisa para criticar. Agora por falta de democracia na Venezuela não é. Estou há cinco anos no poder e vou chegar a oito anos, eu participei de duas eleições (...). E na Venezuela já teve três referendos, já teve três eleições não sei para quê, quatro plebiscitos, ou seja, o que não falta é discussão", disse Lula, ao final de um evento no Itamaraty. (...) "Eu acho que na democracia é assim: a gente submete aquilo que a gente acredita ao povo e o povo decide e a gente acata o resultado. Porque senão, não é democracia", disse Lula. Lula voltou a falar dos que se "queixam" que Chávez quer um terceiro mandato. Para o presidente, ninguém fez o mesmo sobre a ex-premiê britânica Margaret Thatcher, que ficou no poder entre 1979 e 1990. Confrontado com a diferença dos casos, pelo fato de que o Reino Unido é uma monarquia parlamentarista na qual o governo pode ser questionado e substituído a qualquer momento, Lula reagiu, irritado. "Distinto por quê? É continuidade. Não tem nada de distinto. Muda apenas o sistema, o regime: de regime parlamentarista para regime presidencialista, mas o que importa não é o regime, é o exercício do poder. Ninguém se queixa do Felipe González que ficou tantos anos, ninguém se queixa do Miterrand que ficou tantos anos, ninguém se queixa do Helmut Kohl que ficou quase 16 anos", afirmou, invocando respeito à autonomia e a soberania de cada país.
(Letícia Sander, Folha de S.Paulo).

Aí me pergunto: estaria nosso presidente já admitindo a possibilidade de um terceiro mandato, ação defendida por muitos petistas que não conseguem encontrar um candidato capaz de vencer as próximas eleições? Estaria Lula afirmando indiretamente que se houver a possibilidade de concorrer a um terceiro mandato, o fará? Estaria o presidente deixando transparecer um movimento para que um terceiro mandato seja viável, se apoiando na suposta democracia do voto? Estaria eu formulando uma simples teoria da conspiração ou o PT mudou seu plano de perpetuação no poder (devido à queda de Zé Dirceu) apostando em mais alguns anos para Lula?

Tenho medo, muito medo mesmo, pois a oposição é conivente, vide o teatrinho da CPMF, que no final será aprovada, mesmo com toda a "resistência" dos tucanos e democratas. Não me surpreenderia um conchavo para um terceiro mandato de um mesmo presidente, em troca de dinheiro, favores, cargos e outras mutretas.

Tenho medo, pois estamos nas mãos de gente inescrupulosa, da mesma laia do Hugo Chávez, que Lula tanto defende.

Tenho medo e acho que você também deveria ter...

Nelson Botter Jr. é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 14h37
[]


Bossa Nova para principiantes.

De Edson Aran.

Tenha mulheres! Praias! Barquinhos!

1 – Se você acha que amar é tolice, bobagem e ilusão é Bossa Nova. Se amar foi sua ruína é samba-canção. Se a ingrata deu pro Assum Preto, pro Pintassilgo e pro Ditão é música sertaneja.

2 – Se você acordou de amanhã se sentindo miserável não é Bossa Nova. É blues.

3 – Se a última fileira do teatro consegue te escutar não é Bossa Nova. Se a primeira também não escuta é show do Philip Glass. 

4 – Se você vai à praia de tardinha para ver o barquinho é Bossa Nova. Se você só viu barcão, solzão, canção, campeão ou outra coisa terminada em “ão” é samba-enredo. Menos improvisação. Aí é jazz.

5 – Música com maçã, Iansã e febre terçã geralmente é coisa do Djavan. Mas se tiver pau, pedra e um resto de toco é o fim do caminho.

6 – Se você veio da Bahia, mas um dia ainda volta pra lá, a rodoviária fica logo ali. Valeu.

7 – Se você fica deprimido quando pensa no amor é Bossa Nova. Se você pensa no amor e fica deprimido é impotência.

8 –  Se você é cantora e mostra o joelho é Bossa Nova. Se mostra a bunda é axé music. Se mostra que só sabe gemer com voz fina e estridente é a Sandy. Ou o Júnior. Uma das duas.

9 – Se as mulheres jogam calcinhas no palco quando você canta, definitivamente não é Bossa Nova. Se você é homem e tira a calcinha no palco é Tropicalismo. Se você é mulher e entra no palco sem calcinha é a Britney Spears.

10 – Se ela passa num doce balanço a caminho do mar é Bossa Nova. Se a sua alegria atravessou o mar é outra coisa.

Edson Aran é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 09h44
[]


Bem pior do que furtar gravatas.

De Milly Lacombe.

Já dizia Agamenon: a Igreja só permite a homossexualidade para fins de pedofilia. Mas calma com a ventania. É preciso esperar que se complete a investigação que envolve o imaculado Padre Julio, porque, até lá, a suposta pedofilia (ainda que uma amiga tenha dito que sexo com um rapaz de 15 anos não deveria ser categorizado como pedofilia) será apenas especulação - afinal, ainda não se provou nada, e, contra o padre, por hora, apenas a história de um ex interno da Febem, outra relatada por testemunha sem nome, o aparecimento de mais um suposto abusado e a santa reputação de distúrbio sexual do clero. Portanto, prossigamos com cuidado na recapitulação da saga.
Primeiro, o homem de deus vai à polícia dizer que está sendo extorquido. Se apressa em explicar que um ex interno da Febem está prestes a acusá-lo de abuso sexual, e por isso, indignado, resolveu delatar o safado. Onde já se viu caluniar um sujeito decente, que só faz ajudar aos outros? Inferno nele! Mas, antes de satã, um rendez-vous com a justiça dos homens, por favor.
No dia seguinte, os jornais pedem a benção ao padre e tratam de divulgar seu drama sem se preocupar em analisar a história sob o ponto de vista do acusado: vai ver não é preciso consultar mais ninguém já que santo Julio, um cara que só faz recuperar aspirantes a marginais, está sendo chantageado por um desses que ele ajudou na vida. Muito fácil identificar o mentiroso dessa trama. As injustiças do mundo! O padre que só pensa no próximo está sendo sacaneado.
E eis que, diabolicamente, a história ganha vida própria. 
O padre não foi ‘obrigado’ a dar ao infrator apenas 50 mil reais, conforme inicialmente registrado por ele à polícia. Agora, a defesa do padre já admite 150 mil, talvez mais, talvez bem mais - quem se lembra? O padre parece confuso, já não sabe quanto acabou dando ao amigo que virou inimigo. Muito menos dá indícios de que se lembrará de onde veio tanta grana, nem em que circunstância acabou indo a uma concessionária comprar um carrão zero para o sujeito que jura ser seu parceiro sexual.
Sobre a compra do carrão, o padre primeiro diz que foi sacaneado: colocaram a máquina em seu nome sem sequer o consultar. Depois, confrontado pelo depoimento do vendedor da loja, que disse ter sido o padre o comprador do carro, volta atrás e, miraculosamente, lembra-se de ter ido à concessionária com o homem que agora o agora alega ser seu amante. Se era esse o tipo de ajuda que o padre dava a quem tentava reformar (sexo pago e carros zero) ainda deve haver fila nos fundos de sua Igreja.
Não bastasse a via sacra, aparece uma testemunha que diz ter visto o santo homem em práticas libidinosas com menores. Mas quem é essa pessoa que não tem o nome divulgado? E esse outro rapaz que também diz ter sido abusado sexualmente pelo padre? Ah, só podem ser pessoas que querem acabar com a reputação do padre, da igreja, do catolicismo. Trata-se, certamente, de uma conspiração para destruir o padre, a Igreja e, é evidente, o PT, partido ao qual Julio é ligado há anos.
Tudo piora quando vem a público o tal ex rebento, em carne e osso, dizendo, em detalhes sórdidos, que foi abusado pelo padre durante anos e anos. E que já havia recebido, em troca dos favores sexuais, mais de 700 mil reais do homem de Deus. Cruzes: Tanto dinheiro na conta corrente de um padre só pode ser milagre. Mas um homem tão bom como Julio bem merece ser beneficiário de uma intervenção financeiramente divina.
Só que a coisa piora um tico mais: o suposto amante de Julio é um homem criativo e diz ser capaz de descrever o corpo do padre minuciosamente. A pedidos, o faz. Além disso, relata onde e como se davam os encontros sexuais. Diz ainda que havia outros abusados pelo padre. Ah, pivete! Como podes acusar assim um irmão que só quer o bem? Sai de reto.
O advogado do santo homem corre para pedir que não levemos a sério as acusações do ex interno porque trata-se de um marginal, tecnicamente falando. Faz sentido. O rapaz, perdido na vida, acabou na Febem. Ali, achou que teria uma chance. Foi abençoado ao topar com padre Julio, que prontamente o ajudou. Foram anos de piedade gratuita, de pura doação, de presentes como uma sport utlity zero quilômetro, e agora o rapaz paga com isso: extorsão e acusação absurda.
O padre, depois de duas semanas de reclusão, vem a público com o que juga ser a prova definitiva de que é inocente: uma fita que comprova a extorsão. Ele apenas se esquece que a extorsão não é, nem de longe, a parte mais grotesca dessa história. O que queremos saber é se santo Julio de fato era amante desse dito marginal, e, nesse caso, se houve outros menores que foram vítimas de sua distorção sexual. A extorsão, santo homem, é o pedaço menos azedo desse evangelho.
O diabo é que, até este momento, as histórias que se encaixam são as relatadas pelo dito e rotulado marginal, que até agora não foi pego mentindo. O que diz o padre, para aqueles que se dispõe a raciocinar sem fazer uso da fé cega, não dá conta exata.
Se ficar provado que Julio mantinha relações sexuais com um ou mais rapazes em troca de dinheiro, então, aos olhos da opinião pública, quem será o marginal dessa história? Ou será que o fato de ter ajudado muita gente com suas ações humanitárias dá direito ao padre de, livre de julgamento e críticas, convocar seus fiéis, sob promessa de repasse do dízimo, para bater uma punhetinha nos fundos da Igreja? Ah, abençoado clero. Pedofilia, assédio moral, mentiras sórdidas … Essa gente acredita mesmo naquilo que prega?
Diante de tudo isso, eu só sei de uma coisa: furtar gravatas mais parece uma benção.

Milly Lacombe é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 11h42
[]


Mais viradas.

De Carlos Castelo.

As Viradas Cultural e Esportiva foram um sucesso na cidade. Por que não criar outras?

VIRADA-VIRADA: O Autódromo de Interlagos seria liberado aos motoristas que desejassem capotar, abalroar e se atirar em postes, livres de limites de velocidade, multas e marronzinhos. E tudo isso completamente ébrios, senão não estaríamos em São Paulo.

VIRADA DE LADO: Um domingo por mês todas as casas de lenocínio abririam suas portas (e outras coisas mais) para celebrar o “Free Oscar Day”. As profissionais do sexo viriam para as calçadas a fim de promover cursos de massoterapia, pompoarismo, strip-tease e etiqueta no bordel. Possibilidade dos fregueses, munidos das notas fiscais referentes às despesas nos inferninhos, terem descontos no IPVA.

VIRADA 38: Todos os marginais do município, devidamente cadastrados nas sub-prefeituras de seus bairros e quites com o Carnê-Leão, trocariam nesse dia seus “berros” por uma arma de paint-ball, podendo atirar em suas vítimas à vontade nos cruzamentos. Luciano Huck apadrinharia o evento.

VIRADA DE GOVERNO: Um sábado por trimestre a população teria direito de virar as gavetas da Assembléia, Prefeitura, Secretarias e outros órgãos correlatos. Depois, pegar os documentos e entregar a um Procurador da República. Se houvesse alguma irregularidade, os envolvidos, antes de ir para a cadeia, deveriam trabalhar como garis em alguma ação do “Cidade-Limpa”.

Carlos Castelo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 10h50
[]