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Não tenho nada pra dizer
De Henrique Szklo

Minha presença aqui no Blônicas tem sido irregular nos últimos meses e explico porquê: falta absoluta do que dizer. Como não sou funcionário do blog, não recebo por texto publicado, ninguém me ameaça de morte, não sou obrigado a escrever “de qualquer maneira”. Jornalistas profissionais e colunistas têm em geral este desafio. Precisam escrever faça chuva ou faça sol. Se estiver nublado também. Se não têm assunto, inventam um. Se não conseguem inventar um, requentam outro. E às vezes ficamos sabendo até de gente que pega textos alheios e os chama de seus. É o desespero associado à um caráter de segunda mão. De qualquer maneira é um desafio e tanto. O Chateaubrian escreveu uma coluna por dia, ininterruptamente, até quase a sua morte. Nem quando estava na cama, após um AVC, ele deixou de cumprir com sua obrigação. Só não escreveu quando estava de coma, mas isso a gente perdoa.

Bem, voltando à vaca fria, a falta de assunto é um fantasma que assombra 11 dentre 10 colaboradores da imprensa escrita. Mas pior que escrever sem ter assunto, é achar que você tem uma coisa muito importante para dizer à todo mundo. Iluminar a humanidade com a sua lampadinha de 10 watts. Meu Deus, isso é que é falta do que dizer. E esta pretensão tem assolado o mundo moderno. O fenômeno dos blogs pessoais está diretamente relacionado a essa falta absoluta de noção que o ser humano orgulhosamente apresenta. Uma bandeira mixuruca e toda rasgada que ele empunha com aquele ar de “eu sou foda mesmo!”. Querer que o mundo compartilhe com você de toda a sua sabedoria e percepção da vida é, no mínimo, ridículo. Deveria estar no código civíl, onde o acusado deste crime seria apedrejado em praça pública. Ia faltar praça e pedra. Sinto muito lhe dizer, mas o que você acha do comportamento da Britney Spears, do caráter dos políticos em geral ou se Cuba é ou não uma ditadura, não interessa a ninguém. A sua opinião não vale nada. Pode até ser que passe a valer um dia. Mas este “valer” tem uma conotação diferente daquela que imaginamos. As pessoas correm atrás de opiniões abalisadas, de gente preparada, famosa, inteligente, para poderem assumir alguma posição sem precisar pensar por si próprias. Vou ler o que o bam-bam-bam está dizendo e assim construo a minha própria opinião. Simples, rápido, sem dor, sem trabalho sujo. Dá muito trabalho desenvolver uma opinião pessoal. É melhor já comprar pronta. Delivery.

Eu mesmo assumo que não tenho nada a dizer. O que de certa forma também é uma coisa a ser dita. Portanto a gente não tem escapatória. Aliás, deu para perceber por este texto que estou mesmo sem assunto. Só escrevi porque achei que precisava compartilhar isso com você.

Henrique escreve...
Visite seu site, o blog da mãe, o fotoblog de camisetas autodestrutivas e sua Academia de Criatividade.
Escrito por Blônicas.. às 11h50
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às margens do rio sena

de nelson botter jr

sentando ao lado de um banco na frente da catedral de notredame repousava um velho de feições ásperas e desgastadas pelo tempo ele não tinha nome as pessoas passavam e não o viam um fantasma um ninguém apenas repousava com respiração dificultada pelo inverno se os anjos em volta tivessem realmente asas voariam até os gárgulas que a tudo vêem do alto da catedral e lhes fariam companhia mas não para chegar até lá só mesmo vencendo mais de trezentos degraus uma verdadeira maratona que aquele senhor não poderia se atrever a tentar queria tanto ver a cidade de lá poder observar o sena e toda a história que se levantou em suas margens ficou ali sentado pensando no que poderia fazer mas não fez e esperou a morte lenta e indolor dia após dia pensava que poderia fazer isso ou aquilo mas sempre havia uma condição adversa e nunca podia concluir o que desejava uma pena ele pensava queria tanto até que um dia o anjo da morte que também não tinha asas mas que a tudo observava do alto da catedral veio buscá-lo desceu os trezentos e tantos degraus para levá-lo a outro mundo outro lugar outra morte o velho não mais ofegava apenas admirava aquele ser belo finalmente poderia fazer companhia aos gárgulas e contemplar a paris que há muito se perdeu uma cidade que teve de descer os trezentos e poucos degraus da catedral em que napoleão foi coroado para se render às mudanças à perda de grande parte do charme do salto alto e abrir seus braços aos que antes só podiam se contentar com os brioches do outro lado da muralha a cidade se tornou mais hostil pensou o velho antes de ser carregado nos braços pelo anjo da morte o velho já estava acostumado com isso sempre fora carregado pela vida agora não poderia ser diferente na morte anjo lindo e sedutor que a tantos leva antes do tempo carregava-o nos braços com a força de mil gárgulas ele sabia que assim o ofegante moribundo poderia finalmente descansar de toda sua confusão e caos bem como a cidade frenética explodindo para todos os lados uma angústia bestial sem ponto nem vírgula nem final

nelson botter jr é cronista do blônicas

Escrito por Blônicas às 18h23
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Reflexos de você.

De Thaís SBA.

Eu te enxergaria a distância... e mesmo assim com alguma coisa subentendida.
Eu te veria através, misteriosamente escondido por trás da própria transparência.
Eu te roubaria num beijo, como aqueles beijos que nascem num segundo eterno e morrem antes da eternidade.
Eu te ganharia num toque, como aqueles toques com trilha sonora de fundo, acompanhados de um olhar vindo de baixo para cima.
Mas como as únicas coisas no mundo que não são nossas são as pessoas e como eu não te roubo em um beijo e sequer te ganho num toque, e muito menos te olho nos olhos, me contento em respirar teu perfume, contemplar teu sorriso e sentir teu mistério no espaço entre nós dois.
Silencioso como silencia a morte, encantador como encanta a vida.
Teu sorriso ilumina um mistério regado a não sei o quê. Um fluido de dúvidas e curiosidade, que aumentam mais e mais ao deparar-se com a contradição que são teus olhos.
Suave como um suspiro e suplicante como uma prece.
Apagando os raios solares com as lágrimas e renascendo uma manhã com um coração vazio e fascinante.
Cristal muito mais que lapidado e muito mais brilhante do que o próprio brilho.
Teu olhar é tão triste que chega a doer na alma.
E teu sorriso é tão puro que chega a escorrer no sangue.
Eu ficaria horas só falando de você.
E você lá do outro lado com o coração ocupado em amar um alguém.
Gosto de você.
Gosto de você como se gosta de um fim de tarde de quadro.
Gosto de você como se gosta de um sonho sem fim.
Gosto de você como se gosta de um retrato do céu.
Gosto de você como gosta a brisa dos mares
Gosto de você como a lua gosta do amor.
Fixaram você como tatuagem de luz lá no peito.
Perturbadora e angelical.
Assim é tua índole.
Destruidora e doente.
É o gosto desesperador da tua ausência.
 
Thaís SBA é leitora do Blônicas, escreve no www.chadetharantulas.blogspot.com e participa do livro "Blônicas 2, a vez dos leitores", a ser lançado em breve.

Escrito por Blônicas às 11h33
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Batendo com amor.

De Max, cão do Henrique Szklo.

Quem bate, ama. Quem apanha, é amado.

Nas profundas e inquietantes reflexões que empreendo a respeito da relação milenar entre o homem e o cão, vez por outra me deparo com verdadeiros achados. Tesouros escondidos do comportamento contemporâneo. Devo confessar, entretanto, que boa parte destas descobertas são fruto de extremada sorte em razão do acaso sobre o qual florescem. Não-raro decorrem de momentos em que me permito entregar a devaneios irracionais ou momentos de pura abstração metafísica. Recentemente me ocorreu uma delas que julguei deveras interessante e assaz pertinente. Em razão disso, gostaria imensamente de compartilhar este novo horizonte que se descortinou com vocês meus leitores, fiéis como cães que são.

Antes de iniciar meu relato, hei de reconhecer que o conteúdo de meus comentários poderá e deverá causar uma certa polêmica e não acredito ser totalmente impossível uma reação extremada e indignada vinda de alguns extratos de nossa sociedade repressora e reprimida. Mesmo assim, não recuarei. Já fui mordido por cobra, mas não tenho medo de lingüiça! Ao contrário: assumo aqui, de público, meu papel e minha responsabilidade de intelectu-au atuante, socialmente engajado e totalmente comprometido com a verdade dos fatos, características elementares que orientam a crença filosófica que defendo, o cinofilismo dialético. Não me furtarei jamais em expor a realidade à luz dos fatos. Morda a quem morder.

Evidentemente, a premissa básica de minha teoria está verticalmente baseada na relação pessoal e íntima que desenvolvo com um ser humano mediano chamado Henrique. Sem grandes arroubos de inteligência e a sensibilidade de um membro adormecido pelo diminuto fluxo de sangue em suas artérias, este indivíduo se presta perfeitamente ao papel de cobaia de minhas experiências sensoriais, filosóficas e sociológicas. Além do mais, seu desequilíbrio emocional foi o principal fator desencadeador de minhas reflexões sobre o assunto, já que por qualquer mínimo deslize ou distração de minha parte, “o couro come”, como vocês humanos vulgarmente costumam afirmar.

Bem, chega de rodeios e vamos logo ao ponto. Hoje não tenho mais a menor dúvida: a violência é irmã gêmea do carinho. Bater é uma forma primária e primal de afagar. O tapa na nuca é o primo pobre do cafuné. Toda vez que o Henrique me agride, sinto que sou amado. E quanto maior a agressão, maior o amor. Ninguém espanca a quem não ama. Ninguém se daria o trabalho de despender tanta energia por alguém que não nutrisse alguma forma de carinho. Dá para sentir nos olhos vermelhos, nas veias saltadas do pescoço, nos pelos eriçados, no olor proveniente do suor azedo que o sentimento é profundo e poderoso. E apesar de não compartilharmos de uma afinidade intelectu-au, eu e meu pretenso “dono” somos o que se costuma chamar de “unha e carne”. Adoro quando ele me atinge com um sapato, um telefone, um jornal de domingo, uma lista telefônica. A apatia dele diante de um ato impensado de minha parte é preocupante. Sinto que nossa relação esteja eventualmente em perigo. Uma seqüência de palmadas bem dadas em meu traseiro ou na minha barriga proporcionam um verdadeiro êxtase, nada relacionado ao sexo, que fique claro. Minha relação com Henrique é puramente metafísica. Somos apenas bons amigos.

Falando em tapinhas no traseiro e sexo, outro fato que comprova minha tese se encontra nas observações que faço ao assistir os atos libidinosos de Henrique com suas fêmeas. Estas, na totalidade dos casos, compartilham comigo a sensação de afetividade oriunda de uma palmada bem dada. Nas primeiras vezes que presenciei tal evento, meu impulso foi o de subir na cama e salvar a pobre donzela das garras do tirano. Mas como fui rechaçado violentamente, me resignei em ser apenas um observador atento. Notei, entretanto, que todas elas aprofundam seu prazer após os tapas em seus traseiros. Algumas até solicitam o castigo. O choque inicial se transformou em compreensão da situação. E da compreensão passei rapidamente para a aceitação e defesa radical.

Por Snoopy, me recuso, terminantemente, a crer que qualquer destas manifestações estejam desassociadas de amor, carinho e respeito ao próximo. Já posso ver, entretanto, os politicamente corretos levantando suas bandeiras sem contrastes, tocando suas cornetas sem amplitude harmônica, lançando brados ferozmente contidos contra a minha forma de pensar. Mas não tenho temor em afirmar que o que estes indivíduos precisam é de umas boas palmadas para se sentirem amados uma vez na vida e deixarem de se preocupar com bobagens.

Henrique Szklo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 10h49
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Habite-se uma coisa dessas.

De Carlos Castelo.

O setor de apartamentos novos anda tão aquecido que não faz mais lançamentos, faz decolagens imobiliárias. A todo instante aparece, do nada, um empreendimento. Sempre, é óbvio, com nomes poético-cafona-pretensiosos. Pode ser a vertente neoclássica (Portais do Deus Priapo), a mediterrânea (Torres Del Aceto Balsamico di Modena) ou a indefectível linha indígeno-natural (Ocas de Morassuaba Residencial Inn). Todas tendo em comum o desacordo entre o que o nome promete e o que o condomínio entrega.

O último folheto que recebi me chamou especial atenção. Informava sobre um grande projeto (breve lançamento e tal) com vários prédios levando o nome de canções de Tom Jobim.

O que chegou às minhas mãos, se não me falha a memória, mostrava, com riqueza de detalhes, o “Águas de Março”. Ao bater os olhos na peça, já imaginei uma chamada infame: “é pau, é pedra, estamos trabalhando noite e dia para entregar seu apartamento novo”. Contudo, a inferência seguinte foi ainda pior: e se a moda de batizar grandes residenciais urbanos com ícones da MPB pegasse, o que aconteceria?
Que tal em seu bairro um “Zeca Pagodinho Town Houses” com seu exclusivo “Espaço Breja” (onde você recebe confortavelmente seus chegados para derrubar uma gelada), com o inédito “Mijodrom Xerém” (sanitários coletivos para até cem bambas se aliviarem como se estivessem ao pé de uma jaqueira) ou mesmo com quadras de samba em lugar de poliesportivas?
Do jeito que o consumidor padrão “compro de uma vez e pago em duzentas e quarenta” anda ávido por novidades, é bem capaz de prestigiar iniciativas assim.

Com certeza transformaria em “megahit” de vendas o “The Carioca Funk Hills”, um (possível) ousado projeto de favelas verticais saído da prancheta de Oscar Niemeyer e executado pelo mestre-de-obras do DJ Marlboro.

As torres, que remeteriam a sucessos do autêntico funk de raiz – Cachorra’s Life Style Tower etc. –, dariam todas para uma imensa praça (Parapapapapa Open Space Plaza), onde o lazer se daria em grande estilo. Inclusive com pistas de skate ferroviário e estandes de tiro ao PM.

Viáveis os empreendimentos seriam. Só ficaria faltando a municipalidade liberar o “habite-se”. Mas, como não teria nada a ver com outdoor, cigarro ou garupa de motoboy, é até capaz de obterem a liberação.

Carlos Castelo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 11h46
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Enviar + F5 = ?

De Antonio Prata.

“Se vc quer a relação completa de quem fuça seu Orkut, e quantas vezes essa pessoa fuçou, é simples. Mande esta mensagem para todos seus amigos do Orkut e em seguida aperte a tecla F5, o Orkut lhe enviará automaticamente não os últimos e sim todos que te visitaram desde o primeiro dia da sua conta criada”.

Se você está no Orkut, provavelmente já se deparou com o e-mail acima. Eu o recebi de umas trinta pessoas. Tudo bem, todo dia, desde que tenho internet, deleto spams e correntes da caixa de entrada com a resignação de quem varre folhas caídas no quintal. É a vida.

Teve a época do vírus falso do ursinho cinza, a fase em que a Sony estava dando notebooks (bastava, diziam, repassar adiante o e-mail), a onda das correntes ameaçadoras que “um engenheiro de Massachusetts quebrou e no dia seguinte toda a sua família morreu subitamente de forma até hoje ignorada”.

Geralmente, os spams e correntes vêm das mesmas pessoas. (Deve ser o tipo de gente que acredita que o hambúrguer do McDonald’s é feito com minhoca, o homem nunca foi para a lua e que se comer manga com leite cai duro igual a pobre família de Massachusetts). O e-mail sobre o Orkut, no entanto, me chegou de todo lado. Fiquei pensando: por que será que pessoas inteligentes, que não moveram um dedo quando o prêmio era (ou melhor, não era!) um notebook, resolveram agora enviar um spam em troca da suposta lista? Carência.

Somos todos carentes.  É como se, recebendo a lista de pessoas que fuçaram nossa vida, tivéssemos a confirmação de que somos interessantes, amados, cobiçados ou desejados. No mundo em que vivemos, a gente vale o quanto pesa – aos olhos dos outros. O que é uma celebridade, afinal, senão uma pessoa celebrada por muitos? A lista de todos os que entraram no nosso Orkut, desde o começo, é mais ou menos como a lista de todos que se interessaram por nós, nem que só um pouquinho, nos últimos tempos. Amigos, inimigos, namorados, namoradas, ex...

O Orkut, por si só, já é uma espécie de termômetro onde medimos nossa popularidade. Essa balela do F5 seria como um extrato concentrado do Orkut, trabalhando no centro de nossa carência. Quase como: clique aqui e saiba se você é legal. Triste? Pode ser, mas tem alguma coisa de positivo no fato de as pessoas preferirem se arriscar a fazer papel de bobas (mandando spams que não funcionam) porque querem saber se são amadas do que para ganhar computadores, não é?

Antonio Prata é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 19h30
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Mais uma CPI do amor e do sexo.

De Xico Sá.

Uma amiga, senhorita F., entrou na caixa postal do correio eletrônico do marido. Ih, lá vem a mesmíssima história, phodeu com ph, já vi esse legítimo Hitchcock dos lares doces lares mil vezes, esse Stephen King do amor e da sorte, esse ato bestialmente repetitivo e sempre monstruoso.

Pra completar, a senhorita F. deu uma sherlockadazinha também no celula, de leve, enquanto o traste-costela via lesadamente o Fla-Flu de domingo.  

Um desastre.

 Entre cantadas e semi-cantadas ou apenas bobagens virtuais, leros, flertes, lirismos avulsos e outras gracitas..., a amiga entrou em desespero, gritou, berrou, imitou o quadro do Munch, discutiu a relação por uma semana, e quase acaba com aquela vida sob o mesmo teto até então reconhecida no seu grupo de amizade como exemplar, honesta e íntegra. Casal invejável meeeeesssmo.

O cabrón tinha algum caso para valer? Não. Algum namorico mais a sério? Nada. Havia transado com alguém e comentava que foi bom, meu bem?, essas coisas?! Nécaras. Só vadiagem internética, tipo a polícia prender no carnaval por embriaguez e desordem,saca?

Tudo espuma flutuante, sem lastro de verdade, garrafas atiradas aos mares da virtualidade e suas sereias ulyssianas.

Mas foi o bastante para uma baita crise. Quase uma ruptura. Além de ter deixado a xícara amorosa trincada para os próximos cafés com torradas e aquelas coisas lights que as moças tanto gostam.

Por estas e por outras é que não é nada recomendável quebrar o sigilo postal do companheiro ou da fofolete.

Ora, quem, entre nós, resistiria a meia hora de quebra do sigilo amoroso ou sexual?

Como na arrecadação de recursos para campanhas eleitorais, todo mundo, até mesmo no mais escondido dos conventos de devotas beneditinas, já teve o seu “caixa 2” do desejo. Em pensamentos, atos ou omissões, tanto faz.

Em telefonemas, emails ou declarações bêbadas na madruga. No MSN, entonces, ave palavra e más intenções!

Ninguém resiste a meia hora de quebra de sigilo. No amor, somos todos, em alguma ocasião, corruptos. Em maior ou menor grau, todos damos nossas pisadas ou nossas phodas platônicas.

Menos naquela hora em que a paixão por alguém nos toma 100% do cérebro e a febre amorosa é capaz de quebrar termômetro. Depois passa, é o que dizem, inclusive a ciência, que dá um prazo de validade às paixões de três meses... ou seis meses, menos de um ano, com certeza –preguiça monstra de entrar mais uma vez no google.

 Nosso destino é pecar, como disse o pudico tio Nelson, padrinho espiritual deste cronista. Por estas plagas, até a virtude prevarica.

Às sextas-feiras, então,já repararam como o cheiro de pecado toma conta dos bares e é mais forte até do que o odor que vem dos ralos e bueiros?

Quem, entre nós, machos & fêmeas, resistiria a uma CPI do amor ou do sexo?

Este cronista ficaria rico, na pele de um camelô de álibis. Ah, as lindas e impagáveis fraquezas da carne.

As despesas com jantares à luz de vela denunciariam os amantes pelo cartão de crédito ou no extrato para simples conferência. Os porteiros de prédios e motéis seriam os mais perseguidos dos depoentes. Seria um inferno.

A melhor amiga ou o melhor amigo, estas instituições supostamente vestais, também seriam convocados a depor. Na CPI do amor sobraria até para o entregador de pizzas, que também sabe muito sobre os segredos de alcova e adonde tudo termina.

Por estas e por outras, melhor abafar o caso, amor, passa o orégano. Segue a vida, melhor, seguimos a morrer em vida, como diria meu amigo Sêneca.

Xico Sá é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 09h50
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A tapioca nossa de cada dia.

De Milly Lacombe.

Quem acusa este Governo de se movimentar com a agilidade de um marisco não sabe o que está dizendo. Pois vejamos. Estarrecido pelo debochante uso de cartões corporativos para mimos pessoais de seus escolhidos, o Governo, que, como já é protocolar, nada sabia sobre o assunto, imediatamente decretou: Fica proibida a divulgação de gastos com cartão. Pelo menos daqueles gastos feitos com o cartão da Presidência. É, de fato, uma medida salutar para acabar com o uso indevido do cartão corporativo.

A explicação para essa sábia atitude, que, de tão óbvia, nem carecia de explicação, é que fazer com que a discriminação das despesas executadas em cartões corporativos – esses que você e eu gentilmente pagamos a nossos legisladores – seja jogada ao conhecimento público coloca em risco a segurança do presidente e de sua família. E quem, em sã consciência, poderá aceitar que a segurança de nosso líder seja colocada à prova por causa da divulgação da compra de uma caixa de vinhos franceses via cartão que doamos a ele e fazemos questão de bancar?

A justificativa sobre a proibição trata do risco iminente que corre a vida do presidente a partir do momento em que esses dados sejam jogados à luz, risco endossado pela Abin, que confirma ser uma enorme imprudência a publicação dos gastos da patota de nosso comandante. Não somos da Abin, mas é mesmo bastante provável que células terroristas internacionais possam rastrear os gastos feitos com o cartão da presidência em, por exemplo, peças de maminha e picanha e tirar daí um plano para eliminar o líder. Sabendo o que entrou na cozinha e na adega de Dona Marisa Letícia fica muito fácil bolar um atentado contra sua família, via carnes, hortifrutis ou bebidas alcoólicas.

E a preocupação não deve apenas ser com o mundo terrorista, que naturalmente tem o nome de Luis Inácio Lula da Silva como um dos primeiros a ser aniquilado em âmbito mundial, mas também com o brasileiro de uma forma geral, um povo históricamente dado a violência contra seus governantes. Por isso, pela integridade física do presidente, é prudente que Dona Marisa ou quem quer que seja que leva no bolso esse tal cartão corporativo da Presidência, gaste como bem entender, sem a necessidade de prestar contas a mim ou a você, que, a bem da verdade, temos mais o que fazer de nossas vidas, como, por exemplo, trabalhar duro para tentar, no fim do mês, pagar a conta de nossos cartões, que, por uma dessas infelicidades mundanas, não são corporativos.

Divertido notar que, enquanto não havia proibição, era fácil acessar o portal da Controladoria Geral da União e ver relacionado ali, por exemplo, o gasto de 114 mil reais com vinhos e carnes feitos pelo assessor especial do gabinete do presidente, para o homem e sua família. Ou gastos com a montagem de uma academia de ginástica, no ABC ou em Florianópolis, quem consegue registrar tanta informação?, para um dos filhos de nosso líder. Dá para se ter uma idéia de como é necessário jogar essas informações em um quarto escuro. Afinal, a preocupação com a segurança do cara é interesse nacional.

Mas, entendam, a proibição diz respeito apenas ao barraco do ilustríssimo senhor Presidente desta república bananenta. Já os pobres ministros, essa galera que anda em carro importado e blindado, com motorista e custeado por você e por mim, continuarão a ter suas tapiocas escarafunchadas pela curiosidade pública, que, ao que parece, não tem mesmo limites.

Aliás, só muita paixão pela coisa pública para aceitar ser ministro neste Brasil. Coloquem-se no lugar de nossos ilustres governantes e imaginem-se na cruel posição de ter que explicar toda e qualquer tapioca engolida e paga com dinheiro do povo. É para deixar qualquer um maluco. Exatamente por isso, esses esforçados cidadãos optaram por sacar em espécie, com o cartão pago por você e por mim, mais de 50 milhões de reais no ano passado. Ou, para deixar essa conta mais degustável, nossos administradores públicos sacaram, na boca do caixa com seus poderosos cartões corporativos, o equivalente a mil Honda Fit zero quilômetros no espaço de um ano.

Mas dá para entender. Com grana viva na mão, não há a necessidade de mostrar onde a bufunfa foi gasta, e comam-se tantas tapiocas quanto quiserem. Tonta é a Sra. Dona Matilde, a tal da Igualdade Racial, que não se deu ao trabalho de andar até um caixa eletrônico e enfiar nosso dinheirinho no bolso para poder torrar como bem entendesse, em free shops ou tapiocarias, sem ter que aguentar essa perseguição da mídia, nem o constrangimento de ter que devolver a grana aos cofres públicos, o que pode acontecer, dizem, a qualquer momento. Tivesse Dona Matilde feito como seus colegas e sacado em espécie, teria mantido o cargo. Porque o importante não é agir com ética e honestidade, o importante neste País abençoado é apenas não ser flagrado.

Agora, Matilde deve estar batendo a cabeça na parede de raiva pelo erro infantil, enquanto, na Capital Federal, seus companheiros continuam a comer tapiocas mil, sempre sacando em espécie, é evidente, porque, nessa nossa Banana também chamada Brasil, uma coisa é a denúncia e as provas atiradas ao povo. Outra, muito diferente, é a mudança de hábitos sórdido e a condenação dos culpados: se o cara da sala ao lado faz, por que não eu? Façamos todos, pois.

E assim, ao ritmo do samba do administador doido porém honesto que vem lá da Capital, continuaremos a sambar o ano inteiro. Acerta o passo aí que a batida vai aumentar. Ziriguidum pra você também.

Milly Lacombe é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 12h02
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