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COLUNISTAS
![]() XICO SÁ Escritor, jornalista e colunista da Folha. É do Cariri, mas teve a sua educação sentimental no Recife. Visite seu blog. ![]() NELSON BOTTER JR Escritor, diretor e produtor de animações. Tem artigos e crônicas em revistas e sites. Coordena o Blônicas. Veja seu site. ![]() LEO JAIME Artista (cantor, ator, compositor e escritor). Tem trabalhos em teatro, TV, cinema, revistas e jornais. Visite seu site. ![]() TATI BERNARDI Escritora, redatora e colunista. Detesta a massa que faz tudo igual, mas come sempre Penne ao Limone. Site. ![]() CARLOS CASTELO Escritor e compositor do Piauí, exportado para São Paulo aos 2 anos. Criador do "Língua de Trapo". Visite seu site. ![]() MILLY LACOMBE Escritora, jornalista e colunista da Revista Tpm. Adora futebol e é comentarista da SporTv. Visite seu blog. ![]() HENRIQUE SZKLO Escritor e depressivo. Filho da D.Sarah (blog) quer ser rico, poderoso e símbolo sexual. Tem um cão que é a sua cara. Veja o site.
COLABORADORES
![]() ANTONIO PRATA Escritor e cronista do Estadão e revista Capricho. Colaborou na novela Bang-Bang. Visite seu blog. ![]() ROSANA HERMANN Roteirista, física nuclear e Ph.D. em ponto arroz duplo. Redatora, repórter e apresentadora de rádio e TV. Visite seu blog. ![]() MARCELINO FREIRE Escritor, organizador editorial e agitador cultural. É de Sertânia (PE) e recebeu o Prêmio Jabuti em 2006. Visite seu blog. ![]() EDSON ARAN Escritor, jornalista e diretor da Playboy. Além de fazer seu site sem ganhar um centavo, é autor de livros legais. ![]() LUSA SILVESTRE Escritor, roteirista, publicitário e professor da ESPM. Escreve para revistas e é desblogado por falta de tempo. ![]() PAULO CASTRO Escritor, psiquiatra e psicanalista. Tem uma coluna semanal no jornal "Correio Popular" de Campinas. Visite seu blog. ![]() EVANDRO DAOLIO Escritor, palestrante e empresário. Autor da série de livros "Ria da minha vida antes que eu ria da sua". Visite seu site.
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Cheirando tudo.
De Henrique Szklo. O problema das drogas atinge aos cães Recentemente tive a triste notícia de que um colega nosso, policial, morreu em razão de uma overdose de cocaína. Pobre criatura. Provavelmente estivesse vivendo um momento de muita agitação e ansiedade. Não creio, entretanto, que tenha sido culpa dele. Não consigo acreditar que um cão tenha vontade de se matar. A pressão por resultados deveria ser grande, imagino. Mesmo assim a auto-destruição não faz parte de nosso repertório. Honestamente, reputo a culpa desta trágica situação aos humanos que se diziam seus amigos, mas que, covardemente, o apresentaram às drogas que o levaram inexoravelmente ao vício. Se dizem amigos, afagam nossas cabeças, nos oferecem guloseimas, biscoitinhos e outros quetais para nos conquistar, utilizam suas falas mansas cheias de veneno para depois nos trair vergonhosamente. Dizem que nós somos seus melhores amigos. Imagine o que fariam com os piores. Pelas babas do Pateta, é repugnante esta prática de viciar pobres cães em drogas. E para quê? Para utilizá-los como narizes ambulantes em busca de entorpecentes escondidos em malas, containeres e afins. Querem que os desesperados cães viciados sejam dedos-duros de seus colegas-em-desgraça humanos. Quer dizer: ainda transformam as pobres criaturas em delatores vis. São vítimas transformadas em vilões. Mas os cães são muito mais dignos que vocês, mesmo no vício. Nunca ouvi falar de um cão que roubasse objetos de sua casinha para vender ou trocar por alguma droga.. Até porque bolinha de borracha, osso de couro e os brinquedos em geral não têm nenhum valor de revenda. E que traficante iria aceitar como moeda de troca um monte de objetos repletos de baba? Cães viciados não mentem para a família, dizendo que estão limpos quando não estão, nem ficam mais agressivos com quem os coloca contra a parede. Jamais conheci cães que batessem na própria mãe (é claro que umas avançadinhas sem maldade acontecem de quando em quando), ou que concentrassem toda a sua energia na busca por mais e mais drogas. Cães tem mais no que pensar além da busca alucinante por prazer. Sexo, por exemplo. Também não conheço nenhum cão traficante, tentando seduzir indefesos filhotes na saída de suas escolinhas de adestramento, nem tentando dominar um morro e usando armas para enfrentar a polícia. Scooby-Doo me livre! Por outro lado, também não temos nenhum apoio para aqueles que querem abandonar o vício. Não existem campanhas contra o consumo nem existem associações de cães viciados anônimos, Au-Au-Au (perdoem-me pelo trocadilho, mas às vezes meu instinto animal toma conta de mim e perco completamente o controle de meus atos). Continuando, não existe nenhuma ONG, clínicas de desintoxicação, nem vejo comerciais de TV ou autoridades se mobilizando para resolver o problema. Por Snoopy, cães também não têm nenhum interesse em apresentar a droga a seus colegas. Não oferecem nem pressionam socialmente. Nenhum de nós faz apologia à droga nem cria músicas idiotas utilizando este assunto. Você que é meu leitor sabe que eu tenho um vício, mas que nem de perto chega na gravidade das drogas pesadas. Eu cheiro traseiros, confesso, mas por razões terapêuticas e sensoriais. Quem faz como eu sabe que cheirar traseiros abre as portas da percepção. A porta dos fundos, claro. Segundo o cinofilismo dialético, filosofia que venho defendendo há anos, os cães se utilizam de meios mais naturais e saudáveis para resolver seus conflitos pessoais e os mais profundos questionamentos da sociedade canina moderna. Roer um osso por meia hora certamente vale mais que um ano de terapia. Com a vantagem que o osso não sai da boca automaticamente após cinqüenta minutos. Odie explica. Diferente dos humanos, os cães viciados tem uma preferência apenas por drogas aspiráveis. Por uma razão até que óbvia, já que é praticamente impossível para nós utilizar seringa e muito menos enrolar cigarros de maconha. Nossa constituição física não nos permite manipular finos papéis de seda, apesar de que na hora da lambida, somos imbatíveis. Henrique Szklo é cronista do Blônicas. Gastronomia coorporativa.
De Cléo Araújo. Cada um se virava do seu jeito para matar aquela fominha de final de tarde no escritório. Uns traziam barrinhas de cereal, outros iogurte light com pedaços de frutas e havia ainda aqueles que sucumbiam ao carrinho de quitutes do Seu Mário. Cléo Araújo é a nova cronista do Blônicas. Aguarde, em breve, muitas novidades. Chance.
De Nelson Botter Jr. Enquanto espirra o perfume de fragrância duvidosa, Emanuel pensa no tamanho da roubada em que está se metendo. Essa coisa de encontro às escuras, ou “blaindaiti” (como dizia seu amigo Cezar), definitivamente não é a melhor das idéias pra sair daquela melancolia danada. Tudo por causa da Glorinha. Mas agora já foi, são águas passadas, ela que seja feliz com o tal auxiliar administrativo do cartório, que em uma semana acabou com meses de planos. Caguei, diz ele se olhando no espelho. Um Alain Delon, diria sua avó. Nelson Botter Jr é cronista do Blônicas e sempre diz que “chance” é sorte em francês. Seleta coletiva.
De Antonio Prata. Eu nunca vi a vizinha. Desde que ela se mudou para o apartamento ao lado, faz alguns meses, minha imaginação alimenta-se apenas do que deposita ao pé do lixo comum, na curva da escada. Antonio Prata é cronista do Blônicas. Só os feios salvam.
De Xico Sá. "Por que ser feio é mais interessante? Ora, a beleza é passageira; a feiúra é para sempre" (Serge Gainsbourg). Xico Sá é cronista do Blônicas. Você não tem mais certeza se é de esquerda quando...
De Edson Aran. Check list para os dias que correm: 1 – Os intelectuais que defendiam educação para todos agora desconfiam de gente educada 2 – Quem reclama de corrupção é chamado de “moralista pequeno-burguês” 3 – A liberdade de imprensa não é mais, assim, tão do cacete... 4 – A “política econômica neo-liberal assassina” agora chama “política econômica de forte conteúdo social” 5 – Ética uma coisa que só faz sentido no tempo do Espinoza (não o técnico de futebol, aquele outro) 6 – Alternância de poder é coisa de quem não está no poder 7 – Tem mais propaganda louvando o governo do que na época do general Médici 8 – Todos os metalúrgicos paulistas viraram coronéis nordestinos 9 – Nunca antes na história desse país tudo foi tão igual ao que aconteceu antes na história desse país Edson Aran é cronista do Blônicas. Como tornar-se uma celebridade.
De Carlos Castelo. Não é que se deva ou não se deva ser uma celebridade nos dias de hoje. Não há escolha. Quem não for está nas mesmas condições de um palestino chegando de madrugada em Tel Aviv sem documentos, pelado e segurando a bandeira de seu país. Ou seja, está frito em óleo de pastelaria. Quem não é celebridade não arruma os melhores empregos, não é convidado para baladas, não pega os assentos VIP nos shows. Pior: não pega ninguém. O não-célebre (ou sem-fama) de hoje é o equivalente ao servo da gleba da Idade Média. Com a diferença de que o servo da gleba era admitido nas festas de seu senhor. Portanto, já que não há luz no fim do túnel mesmo, sejamos todos Narcisa Tamborindeguy assumidas. Eis o caminho das pedras para virar uma: 2. Beber muito espumante Miolo e esconder o rótulo para, na foto, parecer que é Veuve Cliquot. 3. No caso feminino, tentar loucamente encurtar o caminho, descolando um piloto de F-1 ou equivalente para dividir o leito. 4. Comprar uma assessoria de imprensa e lançar-se como principal produto de divulgação da empresa. 5. Afanar o caderninho de anotações “moleskine” da Joyce Pascowitch e colocar seu nome na lista dos “vip’s” na marra. 6. Usar óculos escuros. Até no box. 7. Gerar factóides. Antes, porém, ir ao Aurélio e aprender o significado da palavra “factóide”. 8. Passar a circular por festas e eventos em trajes sociais e com uma gigantesca jaca pendurada no pescoço. 9. Numa festa promovida por Glorinha Kalil, tentar suicídio pulando de barriga em cima da musse de salmão. 10. Fazer milhares de adesivos com sua foto 3X4 e colar no lugar do rosto da celebridade que estiver na capa de Caras. 11. Ir para Aspen e ficar sobre um esqui dando bom-dia, boa-tarde e boa-noite a todos que passam. 12. Vestir uma roupa de festa e freqüentar todos os casamentos da Igreja Nossa Senhora do Brasil. 13. Subornar o manobrista do Fasano para que ele lhe traga na porta do restaurante um Jaguar em vez de seu Ford Ka. 14. Trajar-se de Homem Aranha/Bat Girl e pular de pára-quedas do alto do Edifício Itália. 15. Colar adesivos fosforescentes na roupa. 16. Seqüestrar o João Dória Júnior. Carlos Castelo é cronista do Blônicas. |