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Absorvendo o perdão.

De Thaís SBA (com participação de Nelson Botter Jr).

Não era traição.

Ela não poderia considerar aquilo uma traição. Era só uma mania. Meu Deus, quem não tem manias nesse mundo? Umas mais esquisitas, outras menos, mas é normal do ser humano. Ou não é? Tudo bem que a mania dele não era das mais comuns, mas poxa, cada um com seus problemas, ele não prejudicava ninguém. O cara podia estar matando, podia estar roubando, mas não estava fazendo nada disso.

Sua esposa levou um tempo para desconfiar, mas aos poucos foi notando que toda vez que menstruava, o lixinho do banheiro parecia que tinha menos papel do que aparentava na hora de limpar. Além disso, percebeu que seus absorventes usados estavam sumindo. Aquilo era um tanto estranho, pois não tinham empregada e ele não era de ajudar nas tarefas domésticas, ainda mais quando o assunto era recolher o lixo.

Enfim, ela desconfiou que alguma coisa estava errada, mas jamais passou por sua cabeça o que seu marido fazia com estes encharcados absorventes. Com medo de estar louca e imaginando coisas, mas sem coragem de tocar no assunto com o suspeito marido, resolveu pegá-lo no flagra numa noite em que o dito cujo havia levantado de madrugada para ir ao banheiro. Ela, com ouvidos bem apurados, escutou um barulho estranho... Levantou da cama sorrateiramente e caminhou em direção ao banheiro. Sua mão tremia ao encostar na fechadura da porta, mas ela tinha que fazer aquilo, precisava entender o que estava acontecendo, que mistério era esse.

Num ímpeto abriu a porta e deparou-se com a cena mais dantesca de sua vida (mais dantesca do que quando viu seu pai mordiscando um morango da boca do motorista da empresa em um restaurante do centro): seu marido estava sentado no chão do banheiro, alimentando-se de seus absorventes usados, sobre a tampa da privada, deliciando-se com os coágulos que estavam grudados no canto de sua boca

Quando viu aquilo, caiu gélida no chão em posição fetal, e ali chorou por toda a noite.

O marido levantou-se ainda mastigando um pedaço de Sempre Livre com abas. Assustado com o flagra, chorava e desculpava-se.

-Você é de outro mundo! - ela gritava. - Que monstruosidade! Você é filho de Satanás! Sai Exu!
-Mas amoreco, eu posso explicar! Deixe-me pelo menos tentar.
-Exu Fubum Cuxum!!!
-O que é isso, amoreco! Você está me assustando!
-Lucum, tudum, grussum!

Ela repetia palavras incompreensíveis e chorava desconsolada. Ele, sentindo-se um vampiro de quinta categoria, saboreava as últimas plaquetinhas grudadas e olhava aquela cena bestificado enquanto soluçava tentando encontrar uma resposta.

-Que traição!  - gritou a esposa - Como você foi capaz de esconder uma coisa dessas durante tanto tempo! Se eu quisesse me casar com um vampiro, casaria com aquele do filme da entrevista, que tem a cara do Tom Cruise, olho azul, e morde pescoços com um charme irresistível...

Nesse momento, ele urrou medonhamente e fugiu.

Três dias se passaram, e após um retiro num convento, ela resolveu ir atrás do marido, pois as freiras (que nunca foram casadas) a convenceram que o amor cura tudo.
 
Só foi encontrá-lo acidentalmente no banheiro feminino de um shopping da Zona Sul, roubando O.B. 's usados das moças que por ali passavam.

Então se olharam: ela, com as calças quase arriadas na entrada da porta e ele, com um pedaço de O.B. inchado na boca, lambendo os dedos que apoiavam um coágulo roxo.

Ao ver que ele se alimentava do sangue de outras, ficou possessa e não teve dúvidas, mostrou que ali quem mandava era ela, e que nenhuma lambisgóia roubaria seu marido. Deixou a calça cair até os joelhos, mirou firme nos olhos dele e disse: "Vem, meu amor, vem com fé que estou naqueles dias".

Foi um banquete. Perdoaram-se. Voltaram para a casa e ali se amaram mais ainda.

Um mês depois, enquanto ele limpava os ouvidos com cotonetes, o telefone tocou e lá foi ele atender. Após voltar ao banheiro, ela utilizava o vaso para fins orgânicos.

-Quem era, amoreco? - ela perguntou.
-Era sua mãe avisando que vem almoçar aqui hoje.
-Então temos que preparar o almoço mais cedo.
-É verdade. (silêncio). Ué eu jurava que tinha deixado o cotonete aqui em cima da pia...
-Não brinca! Tem certeza? - respondeu ela, enquanto tirava discretamente um pedaço de algodão que havia enroscado no meio do dente.

Thaís SBA escreve no sanatorio-municipal.zip.net e Nelson Botter Jr escreve neste sanatório aqui.

Escrito por Blônicas às 15h03
[]


O mundo faliu.

De Tati Bernardi.

Essa foi a frase da minha mãe no último domingo, saindo do Hospital
Samaritano. Depois de quatro horas repetindo um exame de sangue para
saber se ela estava enfartando (e ela e eu quase enfartamos de verdade com
tantas repetições, pensando que só poderia ser algo grave!) descobrimos que
a máquina do hospital estava quebrada! E as enfermeiras vinham na maior
cara de pau e falavam “senhora, o problema é o seu sangue”. Não agüento
isso, não agüento o mundo. Se tem uma coisa que é boa na minha família, é
o sangue italiano que esquenta muito mais do que eu gostaria de esquentar a
cara da vaca da enfermeira falando mal do sangue da minha mãe. Foram
quatro horas no hospital e era a porra da máquina que estava quebrada. E
nós, classe média, felizes por estarmos em um hospital de Higienópolis
coberto por nossos planinhos médicos de classe média. Eu imagino o que
não sofre e o que não é enganado quem nem isso tem.
Mas tudo bem, dane-se a merda da máquina de processar sangue do hospital
Samaritano e a enfermeira vaca que nos enganou. E o médico que nos
enganou. Mal sabem eles que o que minha mãe tinha era um problema de
estômago facilmente solucionado por ela mesma que agora deu de se
automedicar lendo o Google. Até quis brigar com ela...mas com que
argumento depois do que aconteceu? Viva o Doutor Google que não falha
nunca!
Depois de uma manhã no hospital, tudo o que eu queria era pegar meu carro
logo, no estacionamento do hospital, e correr pra casa. Vi que estava sem
dinheiro mas isso não seria um problema, segundo o manobrista “aceita
crédito e débito, moça”. Ah é? E quem disse que eu tenho crédito ou débito?
Meu Credicard Mastercard internacional foi bloqueado por clonagem (algum
infeliz quis comprar 3 mil reais em besteiras nas Lojas americanas no Rio de
Janeiro enquanto eu pagava um cafezinho de 3 reais numa cafeteria no
Jardins, em São Paulo. E meu cafezinho, por estar em São Paulo, foi
bloqueado. Isso já faz dez dias e cadê um novo cartão? Não sei. Cada vez que
tento reclamar alguma vaca me atende mal e me deixa esperando 3 minutos
numa musiquinha chata. Desisti.
Meu cartão de débito venceu em maio. Ligo no cartão para pedir um novo e
eles falam que é com a minha gerente do Bradesco, uma imbecil que vive
rouca de tanto ir em micareta. Ligo pra imbecil e ela me diz que é problema
da central do cartão. O fato é que estou há um mês sem poder movimentar
minha conta, fazendo cheques de dois reais para comprar bala. E a gente
pagando aquelas taxas e mais taxas e aturando comerciais com aquela voz
grossa. Uma “completamerda”.
Mas tudo bem, minha querida e ex quase enfartada mãe me empresta
dinheiro para o estacionamento. Vamos em frente. Agora é chegar em casa e
curtir o resto do domingo. Certo? Errado. Quem me aguarda em casa,
desesperada, é a luzinha verde da secretária eletrônica. Quinze chamadas
não atendidas do meu pai. Ele não sabe o que fazer, já que a Nextel instalou
um gerador de força praticamente dentro de sua casa e ele não dorme há
uma semana. Ele já ligou pro SAC da Nextel, pro Psiu e até pra polícia. Nada
foi feito. Na-da! Ele tem quase 70 anos e não dorme há uma semana. Minha
mãe escapou de enfartar, mas agora é ele quem está correndo riscos. Mundo
de merda. O mundo faliu, minha mãe diz antes de tomar remédio pro
estômago prescrito pelo Doutor Google. Esse sim funciona. Só ele.
Penso que para alegrar meu pai, talvez, hoje a NET instale o combo “telefone,
internet e tv a cabo” que comprei para dar de presente a ele, há mais de um
mês. Como assim a NET ainda não instalou, pai? E nem ligou pra combinar
uma hora com você? Ligo pra NET, sou atendida por 567 babacas que só
passam o problema pra frente e nada resolvem. Depois de 35 minutos no
telefone em esperas insuportáveis e aturando gente que me perguntava as
mesmas coisas 567 vezes, um ser mal humorado e semi analfabeto me
informa que a rua do meu pai está “fora da área de instalação da NET”.
O mundo faliu. Era domingo a noite e eu só queria cuidar dos meus pais
como eles, um dia, já cuidaram de mim. O jeito foi fazer piada porque sorrir
ainda é de graça e, graças a deus, não depende dessas marcas que nos
bombardeiam o dia inteiro de informações e ódio. E agora, pra completar,
ainda tem a nova CPMF. O mundo faliu.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 12h24
[]


A arte de pedir - a pedidos.

De Xico Sá.

Uma das maiores virtudes de uma fêmea é arte de pedir.

Como elas pedem gostoso.

Como elas são boas nisso.

Resistir, quem há de?

Um simples “posso pegar essa cadeira, moço?” vira um épico. É o jeito de pedir, o ritmo da interrogação, a certeza de um “sim” estampado na covinha do sorriso.

Pede que eu dou.

Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo!

Estou pedindo: pede!

Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis.

Pede a bolsa mais recente da Louis Vuiton, pede o shopping inteiro, pede o Iguatemi, pede a Daslu, melhor ainda, pede a Daspu e veste só para o teu homem.

Pede que compro nem que seja no camelô, na 25 de Março, nas galerias dos coreanos, compro da Orenilda, minha prima sacoleira de São Miguel Paulista.

O que importa é o requinte e o atendimento da demanda.

Não me pede nada simples, faz favor, please.

Já que vai pedir, que peça alto. Você merece, uma mulher como essa não tem preço.

Um concerto de Iggy Pop bem longe daqui?

Te levo.

Amor sincero?

Fácil, fácil.

Fidelidade?

Acabo de criar o seu exclusivo cartão de milhagem.

Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses.

Podemos não ter onde cair morto, mas damos um jeito, um truque, 12 vezes sem juros, no pré-datado, no cheque sem fundos.

Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço..., são lindamente barulhentos.

Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.

Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos.

Quero o gloss renovado de todas as vezes que me pede para fazer um pedido, assim, quase sussurrando no ouvido: “Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?”

Um jantar no D.O.M. ou no Fasano?

É pouco para o meu bico.

Flores de helicóptero?

Como na filosofia do pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!

Pede, benzinho, pede tudo.

Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere???

Pede, minha nega, que o amor tudo pode.

Mesmo as que têm mais poder de posse que todos nós não escapa de um belo pedido.

Com estas, as mais poderosas, tem ainda mais graça. Elas pedem só por esporte ou fetiche, o que não lhes comprometem a pose e muito menos a independência futebol clube.

Não é questão de poder ou dinheiro.

O que importa é o pedido em si, o romantismo que há guardado no ato.

Os melhores cremes da Lancôme? Vamos a Paris comprar juntos.

Eu lhe peço: me pede.

Não pede mimos baratos, pede atenção, por exemplo, essa mercadoria tão cara ao mundo das moças. Pede que corrija os erros do meu português ruim, que eu deixe de alternar a segunda e terceira pessoa, que falta de classe, na boa, pede, nem que eu chame o Pasquale para ficar de “vela” corretiva entre nós dois...  

Pede, amorzinho, pede gostoso, sou o senhor das tuas demandas.

Xico Sá é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 14h13
[]


Fomos perfeitos.

De Cléo Araújo.

Segurei sua mão antes de atravessar a rua.
E de repente, pensei: acho que quero esse homem para sempre.
Você e seu jeito engraçado de ser elegante, seu jeito elegante de ser engraçado.
Como naquela vez, quando cruzou a sala para me acudir de uma cantada inoportuna... Foi como se não quisesse resgatar ninguém que você seguiu, despretensiosamente determinado a me tirar da área de investidas do amigo embriagado. Eu fingi nem perceber. Toda a sedução estava em deixar você ser assim, meio lord, mesmo quando tinha que lidar com um amigo cheio de mãos.
Com você fui até meio mulherzinha. Foi naquele jantar, em que eu deixei você escolher o prato para mim. Logo eu, que chegava aos lugares com o menu lido previamente pela internet e que costumava indicar os pedidos que os outros deveriam fazer. Você me quebrou, me deixou gaga e me apresentou cordeiro ao molho de menta. E eu gostei.
Você segurava minha mão sobre a mesa, onde uma luzinha de vela iluminava o estreito espaço entre nós. E eu nunca mais iria querer ser sozinha na minha vida se tivesse você me mimando daquele jeito, a segurar minha mão, a me indicar pratos de cordeiro ao molho de menta, a me servir taças de vinho e a me fazer querer você para sempre.
Um pouco era só por causa daquela entrada que você tinha do lado direito da testa. Outro pouco era porque você tinha aquele olhar safado/cavalheiro de Matthew Mcconaughey. Ou talvez fosse só porque você era quentinho num dia frio.
Eu gostava particularmente da manhã. Você era mais perfeito do que em outras horas do dia, pela manhã. Seus braços davam a volta no meu corpo e eu me sentia sedutoramente pequena e franzina. Acho que poderia me sentir pequena e franzina para sempre, ali. Eu ficava na cama e você ia se arrumando enquanto o quarto se perfumava de um aroma de melão. Então, você se vestia. Nunca houve no mundo alguém que ficasse tão bem em uma camisa branca.
Você me arrastava até a cozinha, preparava ovo mexido, suco de laranja e café. Eu só assistia. Não fazia nada, a não ser deixar você cuidar de mim e de tudo.
A gente saía, você segurava minha mão e assim ficava fácil de a vida ganhar sentido. Acontecia em cada esquina, quando a gente parava para esperar os carros e você me beijava. E segurava a minha mão. E me beijava de novo. E de repente, eu pensei: acho que quero esse homem para sempre.
De mim você não esperou nada de elementar. De mim, eu sei, você sentiu saudade logo depois. Mas foi como num trecho de Lygia Fagundes Telles que o resto aconteceu.
O meu “para sempre” virou um casamento com os mistérios. O seu “para sempre” eu nunca soube.
Eu só sei que é do toque morno das suas mãos sobre meu rosto frio que eu me lembro...
Toda vez que a temperatura cai.

Cléo Araújo é cronista do Blônicas e ficou um tanto romântica essa semana.

Escrito por Blônicas . às 10h39
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Declaração Universal dos Direitos do Boiola Enrustido.

De Henrique Szklo.

1) Todo boiola enrustido nasce homem e equipado com todas as ferramentas para o exercício de sua masculinidade. Mas em algum momento, se torna vítima de um inadiável e incontrolável impulso;

2) Todo boiola enrustido tem o direito de tentar esconder dos outros o que ele não consegue esconder nem de si mesmo;

3) Todo boiola enrustido tem o direito de casar com uma mulher e até ter filhos para ver se aquela vontade estranha passa ou se, pelo menos, as pessoas param de fazer comentários maldosos a seu respeito;

4) Todo boiola enrustido tem o direito de usar lingerie, mas não aquelas vulgares e espalhafatosas, por que afinal de contas ele é homem ou não é?

5) Todo boiola enrustido tem o direito de amar secretamente o Marcelo Antony;

6) Todo boiola enrustido tem o direito inalienável de ter sempre uma piadinha de bicha para contar mas, principalmente, interpretar, com todos os detalhes, incluindo-se aí os gritinhos e trejeitos;

7) Todo boiola enrustido tem o direito de ler a revista G só por causa das matérias extremamente interessantes;

8) Todo boiola enrustido tem o direito de, a título de brincadeira, passar a mão na bunda dos amigos ou sentar em seus colos para “fingir-se” de gay;

9) Todo boiola enrustido tem o direito de ter seu lado feminino muito desenvolvido. Desenvolvidésimo!

10) Todo boiola enrustido tem o direito de acreditar que um dia essa vontade louca vai passar e ele vai voltar a ser 100% homem.

Henrique Szklo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 15h56
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