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ARQUIVO
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Está escrito na fachada: "Isso é um lar".
De Xico Sá. Noves fora o “homem de predinho antigo”, aquela criatura que adora um pé-direito alto, um sofá de época e uma luz indireta, o macho solteiro é um desastre no capítulo decoração. Tem lá o seu sofá velho, a sua tv, uma cama barulhenta, três ou quatro panelas _sem cabo_ encarvoadas pelo tempo, e copos de requeijão, muitos copos de requeijão, alguns deles ainda com um pedaço do papel do rótulo. Se brincar, o cara coleciona também os velhos copos de geléia de mocotó, um primor de utensílio “vintage”. E quando a fofa, toda fina e fresca, nova namorada, chega lá no muquifo com a sua garrafa de champanhe?! Procura, procura as taças, para fazer uma graça com o marmanjo, e nada. O jeito é beber Veuve Cliquot em copo de extrato de tomate. Quem mandou apaixonar-se por um macho-jurubeba autêntico, que vem a ser justamente o avesso do metrossexual, aquele mancebo da moda que se lambuza de creminhos da Lancôme e decora o loft, sim, ele mora num loft, de acordo com as tendências da revista “Wallpaper”. “Uó-o-qué, rapaz?, seje homi”, diria meu amigo Rinaldo, lá no sítio Acauã, de Chã Grande, a terra do chuchu, agreste pernambucano. Pior é quando ela tenta mudar tudo. E põe aquele seu quadro caríssimo e de grife numa sala que não tem nem mesmo um sofá que preste?! Um desastre. A fofa, toda classe média metida a besta, não desiste nunca. Ai presenteia o bofe _sim, ela está doida e perdidinha pelo cabra!_ com uma batedeira prateada ultramoderna com 600 funções, que nunca será usada. Ai fica aquela batedeira high-tech fazendo companhia aos três pratos chinfrins e aos garfos tortos _como se o Uri Geller, aquele parapsicólogo que aparecia no “Fantástico” das antigas, tivesse jantado por lá ou feito faxina na área. Ela começa a revirar geral, um deus-nos-acuda, numa casa onde ninguém havia mudado sequer uma planta de lugar. O reino vegetal, aliás, é outro ponto fraco do macho solteiro. Jarros, flores? Nem de plástico. Na casa do homem solteiro típico, a utilidade triunfa sobre a estética. O cúmulo do utilitarismo. Sofá da tia-avó vira cama, como diz a minha amiga D., co-autora dessa crônica. A cama vira sofá, a rede vira sofá e cobertor, o cobertor vira cortina preso à persiana... A falta de cortina é outra marca registrada do desmantelo do cavaleiro solitário. Quando muito, papel filme. Abajur? De jeito maneira. Tosco no último, ele não tem cultura de luz indireta, nem nunca terá, esqueça. Outro traço de personalidade do macho solteiro: tudo que chega até a cozinha vira tupperware _aquelas embalagens plásticas de lasanha comprada pronta, caixinha de entrega de comida chinesa ou japonesa, potes de sorvete... Melhor assim do que as frescuras do ex da minha amiga D., a mesma rapariga acima citada. Ela entrou na casa dele e logo ouviu a advertência, em altos brados: “Não pisa de salto no meu carpete de madeira!” “Nooooosssssa!,” arreganharia a bocarra o velho Costinha, se vivo fosse. Xico Sá é cronista do Blônicas. George, deixa quieto...
De Silvio Pilau. Por quê? Juro que essas duas minúsculas palavrinhas ficaram martelando meu cérebro durante toda a sessão de Star Wars – The Clone Wars. Se a nova trilogia ainda possuía razão para existir, The Clone Wars, primeiro longa em animação de Star Wars, é aquele filho perdido, com sérios problemas de identidade e que jamais encontra seu lugar no mundo. O filme até não é de todo ruim. Na realidade, por pior que seja a história, por mais mal-desenvolvidos que sejam os personagens e por menos empolgantes que seja a ação, o universo de Star Wars continua bacana o suficiente para manter um mínimo de interesse. Ainda assim, a obra de Dave Filoni, com roteiro de Henry Gilroy, é incapaz de explorar com eficiência os pontos que fazem a mitologia da série tão cultuada. O filme nada acrescenta à série ou ao que se conhece sobre os personagens. Para piorar, possui uma história fraca e construída sem cuidado. Alguns personagens conhecidos, por exemplo, aparecem com o único objetivo de marcar presença, sem papel na trama – como o caso de Yoda, Mace Windu e Amidala. Além disso, The Clone Wars parece mal situado na cronologia, uma vez que Anakin Skywalker nem demonstra sinais do processo de transformação pelo qual deveria estar passando. Na verdade, a trama simplista não passa de uma desculpa para a criação de cenas de ação pouco empolgantes, que se atropelam e preenchem quase toda a duração da obra. Assistir duelos de sabre de luz e as batalhas com os dróides continua sendo bacana, mas torna-se repetitivo se a história por trás não ajuda. The Clone Wars baseia-se exclusivamente na identificação entre personagens e público criada pelos outros filmes, o que enfraquece a produção. Além da tolice da história envolvendo o filho de Jabba, o roteirista Gilroy parece não saber como encerrar a trama que criou – mesmo que nada tenha de elaborada. Com diálogos rasos, que ocasionalmente surgem entre uma e outra batalha, The Clone Wars acaba apelando para piadinhas e soluções de enredo completamente sem sentido, como o surgimento da senadora Amídala e a aparição de um tio estiloso de Jabba. Sim, vocês leram certo: um tio estiloso de Jabba. Para piorar, a animação criada pela Lucas Animations é precária – impossível não se incomodar com a inexpressividade do rosto dos personagens, especialmente para quem está acostumado às obras da Pixar, que conseguiu tornar expressivo até o robozinho de Wall-E. O cineasta parece ciente disso e tenta outros artifícios para mostrar os sentimentos dos personagens, como dar closes nos olhos para deixar claro que são malvados. Preguiçoso em sua estrutura narrativa e com pouco inspiradas cenas de ação, Star Wars – The Clone Wars só não é uma decepção porque ninguém esperava muito do filme. Ainda que o universo de Lucas sempre tenha um mínimo de magia, ela é praticamente inexistente aqui, uma vez que a produção não passa de mais uma maneira de gerar novos milhões para o bolso do outrora venerado criador. E que sirva de aviso para Lucas: quando os próprios fãs de Star Wars viram a cara para um longa da série, é hora de repensar algumas coisas. Silvio Pilau é cronista do Blônicas. Go take a shower!
De Cléo Araújo. Não tem como não ficar homesick na presença de um chuveiro estrangeiro. Cléo Araújo é cronista do Blônicas. O mau elemento.
De Tati Bernardi. Eu olho pra sua tatuagem e pro tamanho do seu braço e pros calos da sua Tati Bernardi é cronista do Blônicas. 10 Ministérios do Lula que você não sabia que existiam.
De Edson Aran. Este é um país que vai pra frente, ôôôôôô
1 – Ministério Pró-Minhoca (ex-secretaria do ex-ministério da pesca que virou ministério mês passado, 12.000 funcionários) Edson Aran é cronista do Blônicas. A obviedade do amor.
De Bianca Rosolem. Eu pintava as unhas dos pés de cor-de-rosa velho enquanto você colocava as calças. E fiquei olhando você as vestindo, sempre tão do mesmo jeito, que acabei por borrar a unha do dedinho que é pequena e difícil. Porra! Você sempre com tanta pressa e eu ainda com a toalha enrolada no cabelo. Bianca Rosolem é cronista do Blônicas. Silicone-cabeça.
De Giovana Madalosso. No mundo, existem seios e seios. Assim como existem homens e homens. Há algum tempo atrás, coloquei uma prótese de silicone, certa de que estava fazendo um avanço estético. Qual não foi minha surpresa ao constatar que certos homens, aqueles que assistem a filmes iranianos e participam de saraus literários, tem verdadeira rejeição ao silicone. Ao me verem com o novo par de seios, os homens-cabeça franziram a sobrancelha, decepcionados. Segundo eles, eu estava me rendendo a uma ditadura estética, mutilando meu corpo para atingir um padrão estabelecido pela mídia, resolvendo um problema de insegurança que deveria ser resolvido no divã e não numa mesa de cirurgia. Uma coisa que eles esperavam da Danielle Winnits, mas não de uma mulher esclarecida como eu. Além disso, viam nos seios naturais, ainda que flácidos, uma beleza verdadeira, antropológica, Glauberiana. Parei para pensar. Eles tinham uma certa razão, mas minha blusa de alcinha insistia em dizer o contrário. E de qualquer maneira, era tarde demais. Empinei meus seios em outra direção e fui embora, pensando que a partir daquele dia estava fadada a me relacionar com instrutores de aeróbica, operários civis e outros apreciadores da estética de massa. Não foi o que aconteceu. Um tempo depois, comecei a sair com um homem-cabeça, um daqueles que havia me criticado. Um belo dia, despi-me na frente dele. Ao ver os meus seios, ele não franziu a sobrancelha, mas arregalou os olhos por trás dos óculos de aro grosso. Depois jogou o livro de filosofia que tinha nas mãos para longe e, com a expressão de um rapaz de quinze anos, veio maravilhado ao encontro das minhas próteses. Pensando bem, no mundo existem vários tipos de seios. Com relação aos homens, tenho minhas dúvidas. Giovana Madalosso é cronista do Blônicas. A fila anda é o caramba.
De Cristiana Soares. Apresentei um ao outro. A intenção era removê-los do celibato. Na primeira noite, reconheceram-se na possibilidade. Numa segunda, partiram para a concretude. Numa terceira, não sabiam o que fazer um com o outro. A partir daí, desempenharam um patético movimento de ir-não-indo-talvez-fondo. Sugeri a ela que se mostrasse mais acessível, já que ele até ensaiou um convite para o depois. Ela cedeu uns graus e fez-se mais responsiva. Mas para ele pareceu ser tarde demais. Nesse meio tempo já havia voltado à toca. Os dois hoje mal se falam, protegidos pelo constrangimento. E rodaram a catraca. A escritora de livros para adolescentes, em uma sessão de aconselhamentos sentimentais no Youtube, diz para seu público: - “Não” não dói. No dia seguinte sai no xixi. Você nem vai lembrar mais! Opa. “Não” dói sim. Tudo bem que não devemos deixar que ele nos imobilize. Mas dói. Ainda mais se é o primeiro de nossa vida. E como assim “eu nem vou lembrar mais”? Lavou tá novo. Essa é a premissa das relações pós-modernas. Luto pela perda pra quê? Afeto? O que é isso? Ah, você quis dizer sexo. Selvagem. Com múltiplos orgasmos e performances pirotécnicas. Intimidade pra quê? Somos desinibidos e bem resolvidos. É tirar a roupa e créu. E se não houver amanhã tanto melhor. Amanhã pra quê? A fila anda. É a deixa do seu melhor amigo depois daquele pé que você ganhou. E, assim, de cinismo em cinismo vamos nos esbarrando. Sem apego, sem vínculo, sem reconhecimento do outro. Sem nenhuma humanidade para atrapalhar. Tsc, tsc, tsc. Milhares de almas solitárias nessa imensa malha contemporânea. Porque é tudo fake. Porque não existe relacionamento, por mais físico e curto que seja, sem entrega mínima. Porque para se entregar é preciso intimidade. E para isso é preciso criar vínculo. Desculpa, mas o ser humano é assim. Incluindo os homens. O resto é história para impressionar os amigos na mesa de bar. Mesmo quando o objetivo é o desdobramento de uma balada, um orgasmo solto no ar ou algo para entreter os sentidos enquanto o efeito do álcool é soberano... supondo que seja isso o que se queira de fato... mesmo assim os corpos envolvidos estão registrando sensações de contato. Eles querem pertencimento, troca, acolhimento, fusão. Essas coisinhas. E as almas os acompanham com prazer. Sobra você. Bobão. Achando que está no controle da situação. A globalização ricocheteia como um bumerangue, a comunicação se horizontaliza via internet, as células-tronco se multiplicam, mas cá estamos, intimamente, querendo uma criatura com quem possamos trocar palavras e experiências, em quem possamos confiar por mais que alguns dias ou meses. Porém o que há disponível hoje é o amor fluído, oportuno e utilitarista. Para que amar se podemos banalizar? Trocamos a entrega pela defensiva. A dedicação pela autonomia. Somos fodões. Livres, lindos e poderosos. É só conferir nos perfis das redes sociais. E estamos evoluindo. Saímos da era do “ficar” para a era do “pegar”. Cristiana Soares é cronista do Blônicas. Deus tem tarja vermelha?
De Gisela Rao. Na lenda do Patinho Feio, o bicho não sofre por ser feio, mas por ser diferente dos outros. Ele tenta, sem muito êxito, encontrar a sua turma várias vezes e só toma na cabeça. Por fim, ele acaba descobrindo que não era um pato – e sim um cisne – e dá de cara com a felicidade ao lado das aves iguais a ele. Se deu bem o empenado. Assim como o pato-cisne, minha história também não chegou a ser das melhores. Sempre fui diferente das outras crianças. Minha mente era mais rápida, portanto sempre estudei um ano adiantada na escola, mas também era bem confusa e um pouco sem noção. Eu era espontânea demais, transparente demais, desconcentrada demais, inadequada demais, imatura demais. Bom, pra não dizer que eu era o próprio Elo Perdido, também era criativa e esperta demais. Foi na minha pré-adolescência que conheci pela primeira vez a palavra - excêntrica - que minha mãe usava no lugar de – doida - para explicar às pessoas “normais” o meu comportamento diferente dos outros. Sofri um bocado por ser assim, principalmente nos relacionamentos. Ou eu era ansiosa demais, ou dramática demais ou agressiva demais ou impulsiva demais. Eu era a maluquinha da família, que tinha puxado à também excêntrica bisavó Valentina. O tempo passou e eu sobrevivi, sempre com baixa auto-estima por ser de outro planeta. Um dia me deram de presente um livro chamado “Mentes Inquietas”, da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa. Lá, ela falava sobre pessoas com um jeito de viver e pensar muito parecido com o meu e dava a essas pessoas o nome de Hiperativas, gente com DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção). Comecei a compreender melhor as minhas atitudes e achei legal saber que tinha mais gente no mundo que me entenderia. Depois de ler metade do livro – porque um hiperativo raramente consegue ler um livro até o fim – fiz bastante terapia para ver se a coisa melhorava. A coisa não melhorou, mas aumentou bastante o meu autoconhecimento. Nos últimos anos, comecei a sentir uma certa inveja das pessoas “normais” por elas conseguirem ter mais prazer que eu. Digo isso porque, para mim, sempre foi muito difícil ficar horas num lugar só, ou tomando um cafezinho calmamente vendo as pessoas passarem, ou até mesmo curtir o sexo em cada um dos seus demorados detalhes. Simplesmente não conseguia, porque a cabeça - rápida demais – deixava o corpo inquieto e desassossegado e a alma mais ainda. Os raros momentos de atenção-no-presente que eu tinha eram tão valiosos e prazerosos, que eu sentia uma felicidade absoluta, uma plenitude boa demais. Na minha cabeça, isso era Deus. Era quando eu, por alguns momentos preciosos, podia tocar os dedos do Misterioso. Uma espécie de Feitiço de Áquila Celestial (aquele filme com Michelle Pfeiffer e Rutger Hauer), onde um eclipse fazia sol e lua, águia e lobo se encontrarem por um tempo curtinho, até tudo voltar a ser como antes. Acreditava mesmo de verdade que era iluminação. Até que há um mês um médico amigo me receitou um remédio desses tarja vermelha. É um remédio que eleva a serotonina (um neurotransmissor que ajuda a aumentar a sensação de prazer no cérebro), mas ele estava indicando para diminuir minha hiperatividade, para que eu pudesse me concentrar mais no trabalho, curtir mais a vida e enlouquecer menos o meu namorado. No começo, o treco me deu um pouco de dor de cabeça e quase larguei, mas ao longo dos dias voltei a sentir aquela calma, aquela sensação de paz e felicidade divina que descrevi agora há pouco. Minha ansiedade e agressividade abaixaram e, finalmente, comecei a perceber o que era curtir mais a vida, o momento presente. Mas veja bem: não estou falando para ninguém tomar antidepressivos. No meu caso a coisa era complicada mesmo. Existem muitas formas de uma pessoa “normal” dar uma acalmada. Esse novo sentimento me fez refletir se a sensação de tocar os dedos de Deus, pelo menos para uma hiperativa como eu, estaria disponível na farmácia da esquina por alguns reais. Teria Deus tarja vermelha? Seria Deus serotonina ou seria serotonina Deus? Cheguei à conclusão de que, a resposta para essas perguntas, é muito parecida com a que o investigador chinês fala para o Harrison Ford, no fim do filme Blade Runner: “Who knows...”. Gisela Rao é cronista do Blônicas. Humaitá!
De Lusa Silvestre. Por que eu, um homem assim chique, talentoso, prendado, conhecedor de moda (sei se é plush ou veludo de longe), por que eu ia querer entrar no Batalhão de Choque ? Tipo, por que eu ia querer me meter naquela vida de quartel sofriiiida, por que eu ia querer entrar nessa ? Não era pela roupa, né, gente: olha essa calça de PM. Sério, gente: olha essa calça de brim sujo. E azul, ainda. Não é um ó ? Brim azul. Só fica bonito se for Diesel. Então. Quando eu contei pra minha mãe, ela arranhou o rosto, descabelou, pegou no Santo Expedido e ligou pra Tia Mariquita perguntando a mesma coisa: por que ?! Por que um menino tão lindo, estudado, perfumado, tão carinhoso com a mãe, por que ia querer virar PM do Choque ? Meu pai, não: ficou orgulhoso. Deu um soco no meu peito e disse “isso mesmo, mostra pra esse povo que você não é isso que dizem na padaria.” Gente, o motivo é simples: desde criança, no internato, eu me sinto bem nesse ambiente. Entre os machos. A escolha foi natural. E foi uma decisão amadurecida, tá ? Pensei anos nisso. E quando fui fazer o teste de aptidão não sabia se dava pra coisa. Mas rolou. Muito por causa do meu corpo, sabe ? Fala sééério, olha esse meu muque. Pode apertar. Viu ? Dá pra tatuar o Corcovado aqui, em tamanho natural. E ainda sobra espaço pro Elevador Lacerda. Preparo físico. Pra ser do Choque tem que ter preparo físico. Até pra aguentar o treinamento. São meses dentro do quartel, sem sair pra balada, sem ir em Rave, nada. Só subindo e descendo em rampa de madeira, dando tiro, gritando e falando palavrão alto – acho meio brega, mas grito também. Gritar é meio coisa de pobre, não acha ? E também tinha que fazer exercício de ordem unida. Pra aprender a marchar. Ah, como seu eu precisasse. Instantinho, deixa eu marchar pra você ver. Tem que bater o pé assim, firme, tipo “estou dando faniquito”. Batendo o pé mesmo. Olha esse marchar. A bunda empina sem querer, não consigo evitar. Mas fica bonito, né ? Gisele Bundchen perde pra mim. Fala sééério, eu de coturno preto e empinando a bunda, segurando essa metranca, não, gente: é de parar o trânsito. Tinha também que estudar umas coisas, ler livro cheio de leis, o que era mais difícil pra mim, porque eu gosto de ler Cecília Meirelles - e não o Código Civil. Tinha que dormir no quartel também, ah, isso eu não curtia, não. Dava uma saudade da minha mãe que não sei como eu aguentava. Na hora de deitar, bem quando ela me trazia leite com canela em casa, ah, gente, que saudades. A coisa boa é que o pijama de dormir era aquele charmoso no úrtimo, sabe aquele da camiseta branca com número escrito no peito ? Nossa, me sentia o Tom Cruise no “Ases Indomáveis”. Na hora de deitar, ficava até assobiando o a musiquinha do filme na cama, mais pra brincar mesmo, e de vez em quando vinha um “pára de assobiar essa merda, porra !” que assustava. Tem uns caras meio grossos aqui no Choque. Acho gente grossa muito cafona. Acabou o treinamento, me formei. Teve ordem unida, marcha, aquilo tudo que a gente treinou. A gente pôs a roupa de gala, que aperta aqui na virilha, meio desconfortável, sabe ? Se fosse eu, faria de outro jeito. Deixava aqui mais folgadinho, sabe ? Que nem as calças que o Oskar desenhou, sabe aquelas que parece que o modelo está de fralda ? Acho o má-xi-mo. Mas, pra formatura, a gente pôs mesmo essa roupa de escolta de casamento de major, que é meio anos sessenta. E tem esse quepe, aqui. É, eu sei. Feio, né ? Ainda se fosse a boininha, tipo Toulouse Lautrec, até ficava melhor. Mais transgressor. Moda é comportamento, gente. É jeito de ser. É emoção. E o que minha mãe chorou na formatura ? Eu não: me segurei. Só chorei quando cheguei em casa. Pus o “Pontes de Madison” no DVD, pra fazer um clima, e me debulhei. Sabe quando a gente sabe que precisa chorar, pôr pra fora, purificar o subaé ? Ah, como faz bem. Eu merecia chorar. Tipo, sonho realizado, sabe ? No dia seguinte eu acordei outro, pronto pra descer o porrete em torcida organizada. Olha meu porrete. Fala sééério. Bom, daí começou a rotina. Escolta de político aqui, jogo de futebol ali, nada demais. Um dia, eu estava lustrando o coturno tranquilo no quartel, esperando dar seis horas pra ir pra casa (eu tinha ingresso pro show da Marisa Monte) e de repente, uóóóó, a sirene do quartel fez escândalo. Detesto escândalo, coisa mais mixa. A gente se vestiu voando, nem deu tempo de ver se estava tudo em ordem no espelho, e pronto, subimos no caminhão. Tinha estourado rebelião ali na Penitenciária do Estado. Agarrei na minha imagem de Iemanjá que eu trago aqui no pescoço – olha que coisa mais linda, trabalhadinha. Comprei em Paraty – e pedi proteção. Gente, que nervoso. A gente desceu do caminhão, e já foi pegando o escudão. Pesa cem quilos, aquele escudo. E deixa a mão tudo em carne viva. Escudão numa mão, cassetete na outra, a gente entrou na cadeia. E a gente ainda batia com o cassetete no escudo, e a cada batida gritava “Humaitá !”, que é o nome do batalhão. Imagina só: você está preso, fazendo rebelião, dormindo naquele nojo que é a cadeia, cheio de pulga, e daí vem trezentos polícia com escudão e cassetete gritando “Humaitá !” Gente, se fosse eu, largava tudo e saía gritando “Clemência” pro primeiro escoteiro que aparecesse. Fala sééério. Já viu quando a gente grita “Humaitá”? Até o Steven Seagal treme o beicinho. Mas essa rebelião foi tranquila: estava cheio de padre distribuindo marmita pros presos amotinados, então era só mais a presença mesmo. Mas aprendi: hoje quando estou histérico com alguma coisa, pode ser o trânsito, pode ser uma limpada na alma, grito bem alto “Humaitá !” pra pôr os bofes pra fora mesmo, sabe ?, soltar o que a gente tem por dentro. Resolve. Dia desses eu estava na rua, andando à paisana e vi o Gianechini. Não resisto a uma celebridade. Gritei “Humaitá !” pra ele. Ele riu. Além de rebelião, tem também muito jogo de futebol pra fazer. É ruim porque cai no domingo, normalmente. Eu prefiro almoçar na minha mãe, mas fazer o quê. E tem que acordar cedo. O bom é que junto com a gente, de caminhão, vai o pessoal da cavalaria da Polícia, que, nossa, tou pra ver coisa mais linda que aqueles cavalões enormes, peito mais lindo, músculo até na gengiva. Viril, sabe ? E, juro, acho sela de cavalo uma coisa muito sexy. Fiz até uma coleção em cima das selas de cavalo, quer ver ? Olha só. Desenhei com Crayon. Pra pôr no pescoço. Meio jogado, assim, como se fosse uma echarpe. Tipo, você é o cavalo, e o seu pescoço está selado pra o que der e vier. Tipo, cavalinho de criança. Exuberante. Gosto de trabalhar com essa coisa muito louca do cavalo e do cavalinho. Mas me perdi: jogo de futebol. É no jogo de futebol que o PM do Choque fica mais assim assanhado. Entrar em cadeia é fácil, tem os padres, o Humaitá, nunca precisa fazer muito mais que bater no escudo e dar uns gritos. Mas jogo de futebol é coisa pra macho. Quando tem briga na torcida, vixe, tem que abrir espaço dando porrada mesmo. Não gosto de dar porrada. Prefiro a conversa. Porrada é muito ignorante. E eu sou culto, gosto de poesia, teatro, tudo. E dar porrada machuca a pessoa. Fica tudo roxo. Carma negativo, isso de dar porrada. Outro motivo de eu não gostar de ficar na torcida é a catinga que fica ali no meio. Fala sééério. É xixi misturado com cecê, e bafo de acetona. O povo bebe umas pingas – mixo, né ? – depois fica pulando e suando, e daí querem que a gente fique separando briga com a mão. O quê ? Eu, pondo a mão nessa nojeira? Eu, hein. Uso o cassetete mesmo. E ainda penso “Sai pra lá, fedô” a cada pancada que dou. Mas tem também a moleza. Que é quando o sargento e o capitão vão com a sua cara e te escalam pra ficar dentro do campo. Aí, é tudo de bom. Primeiro, que não fica no meu dessa gente fedida e cheirando mijo. Coisa de pobre. Pobre é que mija. Rico urina. Ficar no campo é fácil: a gente fica sentadinho, só às vezes que tem que correr pra proteger o juiz de uma peitada. Acontece muito quando tem jogo com Argentino. Argentino qualquer coisa quer sair no pau, ô gente. Custa conversar ? Isso que dá comer tanta carne. Outra coisa que eu gosto é ficar com o Pastor Alemão perto da bandeira de escanteio. Bem fácil também; basta ficar com cara feia e de vez em quando fazer um cafuné no cão. Adoro cachorro. Eu mesmo tenho um poodle, o “Maybe”. E outra: pra quem gosta de celebridade, é o má-xi-mo. O must. De vez em vez vem um Edmundo, um Vampeta em pessoa bater escanteio. Gente, o Edmundo ali, em carne e côxa, na minha frente, batendo escanteio ? Nossa, parece comercial de cueca Calvin Klein. Tem que ser um PM muito centrado pra não pedir um autógrafo. Humaitá !! Lusa Silvestre é cronista do Blônicas. A criatividade da vizinha é sempre melhor que a minha
De Henrique Szklo A coisa mais comum que existe no mundo corporativo é uma empresa solicitar – e às vezes exigir – de seus funcionários, colaboradores e fornecedores, idéias criativas e inovadoras. Mas na hora em que estas lhe são apresentadas, um nariz torcido, uma boca arqueada para baixo e um senho repleto de sulcos invariavelmente são vislumbrados em rostos pasmos e incrédulos. Geralmente acompanhada de um “você está louco?”, a reação é sempre considerar como piada, uma brincadeira de mal gosto ou simplesmente um devaneio insano do propositor. A pergunta que me faço quando presencio uma dessas cenas é “Será que eles sabem o que é criatividade? E na eventualidade de eles saberem, será que eles têm peito para levar uma idéia verdadeiramente criativa adiante?”. Em geral não. A maioria das pessoas só se sente confiante e confortável com uma idéia quando seu banco de dados mental encontra alguma referência positiva, ou seja, a idéia precisa estar “cadastrada” em sua cabeça para ser reconhecida como “boa”. Mas como uma idéia nova estará cadastrada na cabeça de alguém? Se é nova mesmo, não estará. O que significa que exigirá um novo imput mental. E para a maioria dos mortais este é um sacrifício duro demais para enfrentar. A dor da dúvida, da incerteza, da próxima curva é insuportável. Mas por que então as pessoas insistem em perseguir a criatividade se elas não são capazes de suportá-la? Porque na maioria das vezes elas sequer sabem que isso acontece. Para elas, estão apenas fazendo um juizo de valor e não incorrendo em um preconceito. Elas acreditam de fato que aquilo não é uma boa idéia. Aí você pergunta para ela o que é uma boa idéia e ela lhe apontará uma imensa lista de idéias conhecidas, consagradas e, principalmente, testadas. E por acaso estas pessoas sabem o que os autores destas idéias vitoriosas tiveram de passar para levá-las adiante? Sabem o sacrifício emocional que tiveram de enfrentar? Sabem o medo que passaram por causa da incerteza e da dúvida inerentes às novidades? Sabem quantas vezes elas erraram até acertarem? Com certeza não. Por isso as empresas continuam obsecadas por criatividade sem sequer saber o que diabos isso significa. Criatividade por definição significa dúvida, significa risco, significa surpresa. Significa que às vezes dá errado mesmo. Mas nem todo mundo tem estômago para enfrentar riscos. Nem todo mundo é Stephen Jobs. Mas não se desesperem. Copiar bem copiado também não deixa de ser um grande talento. Henrique escreve no Blônicas e dá palestras de criatividade. Ligação.
De Carlos Castelo.
- Como? - Fa-bi-ana. - Não tem Fabiana aqui não, meu queridinho. - Não? - Não, meu amor. - E você, quem é? - Sou a Clara. - Bonito seu nome. - É? Obrigada, meu amor. E você, como é o seu, hein? - Gotardo. - Oi Go-tar-do. - Oi Cla-ra. - Hahahahaha! - Rerererere! - ... - ... - Gotardôôô? - Oiêê, Clarááá? - Tem MSN?
Te amo, asfalto.
De Tati Bernardi. Uma vez inventaram que para relaxar eu tinha que passar quinze dias numa Tati Bernardi é cronista do Blônicas. A que ponto chega a imbecilidade humana.
A ironia é que o 11 de setembro todo mundo lembra, mas 6 de agosto passa batido, apesar de cerca de 80 mil pessoas terem morrido instantaneamente e milhares de sobreviventes terem sua saúde gravemente afetada. Saber, eu sei...
De Cléo Araújo. Eu tenho certeza de que o Bono Vox é pintudo. Cléo Araújo é cronista do Blônicas. O dia em que virei travesti. *
De Xico Sá. Enfeiá-la era a receita para esquecê-la. Havia me escravizado ao que havia de mais belo. Quando inverti os dedos dos pés, a visão do abismo também foi prejudicada pelo forte cheiro do esmalte. Aos poucos eu também ia me desfigurando, via nas vitrines durante o passeio da hora do almoço. Até que veio aquela abençoada manhã. E naquele dia, tão comum como todas as vésperas, acordei travestido. Minhas feições levemente mantidas, pomo de Adão, pêlos domados, eficientíssimos hormônios, silicone sem exagero, peitinhos peras, novos, rosas. Tudo no lugar, estranheza alguma, sem carecer raspar o tacho do absurdo. Desprezo às criaturas que exageram no uso diário da expressão kafkiano. Pintei as unhas, aumentei o som do bolero, virei outro tipo de ficção. Bolero 1, Wagner 0, como em Almodóvar. Sentimentos também mudaram. Eu queria ser o próprio disfarce e aquilo muito me animava para contar a vida de outro jeito. Nos primeiros dias elevei a caricatura às últimas, carecia me afirmar e crer no meu próprio desenho novo. Adorava pintar os olhos, arte que aprendi com fantástica rapidez. Que coisa mais delicada que é a pintura dos olhos, o lápis corria em retoques tão fáceis. Minha mãe compreenderia tudo aquilo,eu cismava sozinho à noite, eu e os meus parentes-espelhos. Eu me via o tempo todo, cada minúcia, cuidado, lindo, frágil. Também amarrara meus pés para que atrofiassem. Meus pés eram muito grandes para pisar distraída nos astros do meu novo mundo. Os chineses mais antigos adoravam pés atrofiados. Dispunham de uma técnica avançadíssima, capaz de reduzir um pé a 8 centímetros, o recorde. O “lótus dourado”, como chamavam. “Olhe para eles na palma da sua mão”, teria escrito, conforme os anais fetichistas, o poeta Sung. Li nos mesmos alfarrábios que as mulheres de passos cambaleantes, por causa do tamanho dos pés, eram tidas como nobres. Havia ainda uma relação entre a atrofia dos pés e o apertamento da buceta. Os programas me deixavam confuso. Todos ainda me queriam apenas no papel de um ativo nervo. Senhores tão sérios, largam as suas senhoras nos lares burgueses e aqui caem aos meus pés. Pedem para morde-los quando enfio tudo. É muito confortável e indolor o sexo pago. Não há fissura ou agonia nessa modalidade de amor. Também é amor, amor com vários, a morte do peso do amor. Ao contrário de algumas amigas travestis, eu não era nada melancólica. O disfarce funcionava como um ácido, um prozac permanente na minha bebida. Eu entretia a todas ao falar em castelhano. Essa é a língua oficial dos travecos. “?Por qué las vaselinas son inadecuadas para la lubrificación íntima?”. Meu melhor número era dizer inteirinha a bula do gel lubrificante K&Y. “Además de dañar el preservativo, las vaselinas em cualquier presentación, son produtos a base de petróleo, non son solubles en água, nin son absorbidas por el organismo, por lo tanto son inadecuadas para la lubrificación intima y presentam incomodidad para la remoción.” Amava o disfarce, minha máquina nova de contar histórias.
Xico Sá é cronista do Blônicas. No final, tá tudo certo.
De Carol Marçal. Andei pensando a respeito da minha rotina e sem querer me dei conta da veracidade de um velho ditado que diz: “só o amor transforma”. Mas tudo tem seu preço e nada vem de graça, claro... Mas já é meu segundo capote em menos de 1 mês! Estou de quase 6. Tudo bem que nenhum dos dois foi grave, ou melhor, foram bem toscos, porque ao me dar conta da queda, coloquei as mãos a frente e não tiveram impacto algum... Misericórdia! Mas mesmo assim, né! Vamos combinar que mulher grávida não pode ficar caindo por aí. O primeiro e mais ridículo, foi na volta do supermercado, indo pra casa, pós- trabalho. Duas ou três sacolinhas do pão de açúcar voaram da minha mão, deixando que rolassem as frutas, meus todinhos, uma tortinha de frango e outras cossitas mais... E somente um mendigo acompanhou a cena medonha, olhando pra mim como se nada tivesse acontecido. Como se eu fosse discreta, pequenininha e tal. Enfim! Só sei que eu já tava quase na esquina de casa e queria me levantar logo pra mostrar minhas mãozinhas raladas ao meu marido. Sim! Admito que faço minhas firulas de vez em sempre... Afinal não é a vida toda que se está grávida para abusar de um charminho a mais... A outra queda e espero que última, foi há poucos dias, depois de terminar um jantar com uma amiga, papeando na rua, me distraí e quando me dei conta, estava no chão ao tentar subir na guia da calçada. Pode? Minha amiga demorou pra entender como uma pessoa tão grande como eu estava ali na sua frente e de repente, puff! No chão. Que coisa mais chata essa de ficar caindo. Será que vou ficar meio tan tan até o final da gravidez? Sem contar as derrubadas de garfo, babadas de água na roupa... Se seguro um lápis, ele cai. Se ando um pouco mais apressada na rua, tropeço. Agora dei pra fazer também um ronronar bem esquisito antes de pegar no sono e ao acordar a mesma coisa, que tomo cada susto que até engasgo. Gases. E minha memória deve ter tomado um comprimidinho de doril, porque às vezes até esqueço o que acabei de comer há minutos atrás, de tomar minhas vitaminas ou onde deixei o maldito telefone celular. Que inferno! Bom, tá tudo certo. Estou fazendo academia, hidro, yoga, tentando relaxar, manter mente e corpo tranqüilos e saudáveis, como recomendam os médicos. Minha professora de yoga já percebeu que minha pança não me permite fazer mais as tais posições invertidas e vai até me passar exercícios novos pra próxima aula. É, mas ainda acho que tá tudo indo, tá tudo certo. Tento não me estressar, mas sabemos que isso é quase impossível se tratando do ritmo de vida que levamos hoje... Acordo toda manhã atrasada, claro, morrendo de vontade de ficar na cama o resto do dia, mas não posso e vou trabalhar. Logo que chego, encaro olhares do tipo: “nossa, virou festa! Só porque tá grávida, ela fica se achando especial e pensa que pode abusar...”. Enfim, sento e lá começo meu dia. Tá tudo certo, faço minhas coisas, evito falar demais, mas me divirto também. Não posso reclamar. Mas que graça teria não falar mal do trabalho? Algumas vezes o esquecimento é tanto que preciso fazer um pequeno esforço para me lembrar que estou grávida. Por que as pessoas não podem fazer o mesmo? É, mulher grávida é sempre um problema no trabalho. Sofremos sim um certo preconceito. Mas tudo bem, tá tudo certo. O amor que eu espero dentro de mim é digno de muitas transformações. Exceto essas escorregadas de vez em quando, algumas faltas de memória e umas olhadas tortas logo cedo, eu estou feliz da vida, fazer o quê! Uma delícia minha filhota chutar minha barriga o dia todo, numa agitação maravilhosa que me dá muitos sustos, mas sei que ela só está querendo dizer: “Oi mamãe, não esquece que estou aqui!!!” É incrivelmente apaixonante... Apesar dos pesares, compreendo que só o amor transforma... E no final, tá tudo certo! Carol Marçal é cronista do Blônicas. |