COLUNISTAS
MILLY LACOMBE


XICO SÁ

CLÉO ARAÚJO

NELSON BOTTER JR

TATI BERNARDI


LEO JAIME


ANA REBER

HENRIQUE SZKLO

GIOVANA MADALOSSO

CARLOS CASTELO

BIANCA ROSOLEM

LUSA SILVESTRE

EDSON ARAN

SILVIO PILAU


AQUI VOCÊ TAMBÉM ENCONTRA:

Ailin Aleixo
Antonio Prata
Carol Marçal
Cristiana Soares
Evandro Daolio
Gisela Rao
Marcelino Freire
Rosana Hermann
Paulo Castro

E MAIS:
Alexandre Heredia
Ana Paula Ganzaroli
Analice Alves
Edgar Costa Neto
Felipe Soares Machado
Helena Marcolini
Isadora P. Szklo
Klauss Klein
Lívia Venina
Lu Paiva
Luís Couto
Luis Gonzaga Fragoso
Marcelo Ferrari
Marcelo Sguassábia
Mauro Judice
Ricardo Campos Soares
Ricardo Prado
Thaís SBA
Thaty Hamada



ARQUIVO

01/02/2011 a 28/02/2011
01/12/2010 a 31/12/2010
01/08/2010 a 31/08/2010
01/07/2010 a 31/07/2010
01/06/2010 a 30/06/2010
01/05/2010 a 31/05/2010
01/04/2010 a 30/04/2010
01/03/2010 a 31/03/2010
01/02/2010 a 28/02/2010
01/01/2010 a 31/01/2010
01/12/2009 a 31/12/2009
01/11/2009 a 30/11/2009
01/10/2009 a 31/10/2009
01/09/2009 a 30/09/2009
01/08/2009 a 31/08/2009
01/07/2009 a 31/07/2009
01/06/2009 a 30/06/2009
01/05/2009 a 31/05/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/03/2009 a 31/03/2009
01/02/2009 a 28/02/2009
01/01/2009 a 31/01/2009
01/12/2008 a 31/12/2008
01/11/2008 a 30/11/2008
01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/07/2008 a 31/07/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/02/2008 a 29/02/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/11/2007 a 30/11/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/01/2007 a 31/01/2007
01/12/2006 a 31/12/2006
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/08/2006 a 31/08/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/06/2006 a 30/06/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006
01/01/2006 a 31/01/2006
01/12/2005 a 31/12/2005
01/11/2005 a 30/11/2005
01/10/2005 a 31/10/2005
01/09/2005 a 30/09/2005
01/08/2005 a 31/08/2005
01/07/2005 a 31/07/2005
01/06/2005 a 30/06/2005
01/05/2005 a 31/05/2005
01/04/2005 a 30/04/2005
01/03/2005 a 31/03/2005
01/02/2005 a 28/02/2005
01/01/2005 a 31/01/2005


LIVROS



EM BREVE



Visitantes únicos desde 15/01/2005
Site Meter Add to Technorati Favorites

XML/RSS Feed
O que é isto?

Leia este blog no seu celular


Os bem casados.

De Ana Reber.

 

Um grande amigo meu resolveu se casar. Me ligou para dar a notícia e me convidar para ser sua testemunha e madrinha. Feliz com a novidade aceitei, toda inocente. Alguns dias depois da ligação, recebi um convite em casa: não para o casamento, mas para o jantar de noivado.  Nunca pensei que ele fosse assim tão tradicional, mas achei até original, amor à moda antiga, sei lá, bonitinho. Me arrumei, coloquei uma roupinha mais sóbria, afinal testumunha parece uma palavra que carrega uma certa responsa. E fui feliz e contente, pronta para molhar um pouco o bico com uma tacinha de champagne e abraçar meu amigo. Brinda para cá, brinda para lá, abraça, beija, felicita toda a árvore genealógica dos noivos e antes de me despedir, sou convocada para mais um evento dali a quinze dias: o jantar dos padrinhos. Ok, ok, a noiva deve ser beeem tradicional, vamos respeitar os bons costumes, sorrisinho no rosto e um sapatinho que não aperte muito o calo seriam as pedidas da próxima vez. No segundo evento, brindei um pouco menos entusiasmada, mas ainda feliz por ele. Foi então que me fizeram o terceiro e quarto convite: despedida de solteira da noiva e dali a quinze dias, chá de cozinha. Detalhe: para cada evento, uma lista de lojas, onde os presentes estariam disponíveis. Peraí, alguém disse presentes? Não era um só? Achei estranho. Mas como sou madrinha de primeira viagem, talvez não estivesse acostumada com aquele cerimonial todo. Foi na “fulana’s presente’s” que a ficha e o débito do cartão de crédito caíram de verdade. Carésima, a lista do chá de cozinha já tinha ultrapassado anos luz o que eu pretendia gastar até mesmo com o presente oficial. Achei um absurdo. Tinha até uma cave com sistema digital para manter os vinhos na temperatura ideal. Olha, não sabia que meu amigo tinha gostos tão refinados. Toda vez que a gente saía pra beber, ele não queria nem pagar os dez por cento. Minha vontade mesmo era  comprar um rolo de macarrão, sabe para quê. Fiquei imaginando como seria a lista oficial: barcos, carros importados e quem sabe até uma casa na praia para garantir a infância feliz dos futuros pimpolhos. Num ato de protesto, pulei a parte da despedida de solteiro e do chá de cadeira. Comprei um presentinho que cabia no meu bolso e aguardei pelo fatídico dia do casamento. Padre, igreja, muito laquê, sombra roxa do canto do olho até a sobrancelha, saltos prateados, aquelas coisas. Mas a cerimônia foi bonita e fiquei feliz de estar ali pelo meu amigo, apesar do padrinho que me impuseram: baixinho, careca e com bafo de azeitona. De braços dados com o mini me, saí da igreja e como estava logo atrás da noiva, levei um arroz no olho que me arranhou a córnea. Chorei. Gente, olha que fofa a madrinha chorando de tanta emoção. Pois é, vocês nem imaginam. Com a make um pouco borrada e já fora da igreja pensei aliviada: agora vem a parte boa, a festa, a bebedeira e quem sabe algum padrinho decente para dançar um Barry White agarradinho. Porque casamento é assim,  clima de romance e um desespero coletivo para não terminar a noite sozinho. Mas não. Engano, doce ilusão. Depois de uma valsa com um tio da noiva gordo e com a mãozinha boba, mais trezentos hits da Ivete, meu amigo recém-casado me puxa para dançar e bebasso, sussura ao meu ouvido: eu assu que isso aqui não dura nem dois anos… Meu topete caiu. Embriagada e completamente deprimida, resgatei meus sapatos no canto do salão, minha bolsinha que só cabe uma pinça e resolvi dar o fora. Me detive por apenas alguns segundos na mesa dos docinhos e pensei:  tantos bem-casados que duram tão pouco.  Que pena. Para compensar o que eu havia gasto com pé, mão e cabelo, peguei logo dez de uma vez. E fugi, como uma testemunha assutada. Algum tempo depois, recebi um vídeo do casamento por e-mail: cenas da noiva se maquiando no cabelereiro, a cerimônia, um clipe do nível artístico daqueles desenhos “ amar é”. Confesso que não encontrei palavras para responder e foi a última vez que tive notícias dos dois. E foi ontem, tomando um café, que vi no balcão da doceria uns bem-casados que me lembraram de toda essa história. Olhei para um calendário pendurado na parede e vi que fazia exatamente um ano e nove meses que tudo isso tinha acontecido. Quase dois.

 

Ana Reber é cronista do Blônicas.

 

Escrito por Blônicas às 15h56
[]


Gripe suína.

De Carlos Castelo.


P: Qual a diferença entre a sua performance e a da gripe aviária?

R: A aviária tem menos gordura, colesterol e triglicérides que eu. E voa. Porcos não tem asas.

P: Por que o México?

R: Você já viu a porcaria que eles comem naquele lugar? Até verme colocam dentro das garrafas de tequila. Não haveria lugar melhor para um suíno se propagar do que naquela pocilga. Lamento apenas que, por minha causa, o México tenha deixado de ser uma miséria, para ser uma porca miséria

P: Existe alguma sintoma especial para saber se alguém está com você no organismo?

R: Se roncar e fuçar tem grandes chances de estar contaminado. Se arrotar então, pode ir para o hospital porque sujou geral.

P: Foi dito que, no Brasil, Miriam Leitão deveria ser deportada para o México e a estátua do porquinho no Parque Ibirapuera, em São Paulo, interditada. Você acredita que há exageros em relação à uma epidemia sequer anunciada?

R: Acho exagerado. Miriam Leitão, por exemplo, escreve muita porcaria, mas o contágio dela pelo ar é mínimo.

P: O Brasil deve gastar milhões na criação de uma vacina que o combata. Você acha justo isso?

R: Sabe de uma coisa? Vocês fazem bem em investir muito dinheiro na saúde. A economia é a base da gripe suína.

P: Por falar em Brasil, por que resolveu vir para cá?

R: Adoro o lombo das brasileiras.

P: Uma mensagem final?

R: Não se preocupem demais comigo no Brasil. Quem tem Aids, dengue, tuberculose e esse Congresso, não morre assim tão fácil. Óinc!


Carlos Castelo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 11h04
[]


Bicho Grilo.

De Tati Bernardi.

Começou quando vi um filme dele há uns seis anos. Ele falava de mansinho e vesguinho no ouvido da mulher. E na cena 38 transava com ela. As costas dele me deixaram sabendo que um dia aquilo aconteceria comigo. Ele tem a coisa mais sexy que um homem pode ter que é aquela canaleta definida dividindo lado direito e lado esquerdo das costas. Cismei com o homem. Assim como cismei certa vez com um roqueiro francês que tocava gaita ininterruptamente durante um show de três horas e só sosseguei quando ele saiu da minha casa com o maxilar quase paralisado e a língua do tamanho do seu amor pelo Sergie Gainsbourg. Ah, quando eu quero, tem jeito não.

Depois daquilo, quando ele já tinha sido eleito o homem do ano no festival de cinema do Rio, o encontrei no Bar Balcão. Ele pra variar nem olhou na minha cara. E nem poderia, considerando que não fazia a mais puta ideia de quem era a minha pessoa. Mas uma amiga em comum era sua amiga de infância, e ofereceu carona na hora de ir embora. Eu prontamente me ofereci pra ir junto. Mas você não tá de carro, Tati? Não, roubaram. Acabaram de roubar. E fui junto. Sem conseguir dizer uma única frase que se salvasse no carro. Eu automaticamente me tornei burra, fútil e com voz e interjeições de uma gralha desesperada. Ainda assim, quando chegou na porta da casa dele, ele se despediu de mim e apertou tanto a minha cintura que eu achei que ia cuspir minha pedra no rim pela orelha. E fiquei semanas com aquela dor. Amando aquele homem rude e vesgo como amei poucas coisas na v ida. Ou muitas, pra falar a verdade.

E então ele sumiu no mundo e eu amei outros tantos rapazes por aí. Até que ele voltou a aparecer e começou a aparecer em todos os lugares. Ele frequenta absolutamente todos os mesmos lugares que eu. Vou tomar chá da tarde com o Sidão maluco no Paris, lá está ele tomando vinho de cachecol na mesinha ao lado. Sozinho. Sempre sozinho, quando sozinho, de um jeito que poderíamos estar todos num filme pseudo cabeçudo bom de ver quando se quer sentir inteligente mas não muito. E nem por isso pedante, arrogante ou fazendo tipo. Ou sim, fazendo tudo isso. Mas ele tem a canaleta nas costas e apertou minha cintura daquele jeito de ver estrelas. Então, eu decidi que ele é o máximo.

Vou comer croissant no Deli da Vila e lá está ele. Lendo o jornal. Sempre sem olhar na minha cara. Sempre. E ele bate cartão no cinema da Gazeta. Sempre acompanhado daquele povo meio igual e completamente diferente. O povo de teatro. E sempre fazendo rir meninas monstruosas. E super camarada de caras com muita cara de loser. E pra mim, nadinha. Eu me acabo de olhar, fica até chato. Já me acabei de olhar pra ele estando ele, ou eu mesma, acompanhado. Porque é mais forte do que eu. É o homem da canaleta com a apertada de cintura mais alucinante do sistema solar. E nada. Ele simplesmente não me vê. E isso. Ah, e isso me deixa mais a fim ainda desse sujeito. Como eu curto um ser desgraçado que caga pra mim. Que faz rir mulheres medonhas e ignora a existência daquela mocinha tão cheirosa e dadivosa. Com capacidade e intenção de tratá-lo como um rei espanhol e su as mil súditas. E eu fazendo o papel de mil. Sem cansar jamais. Ou cansando assim que ele me olhar.

Aí fiquei amiga da irmã do camarada. Adivinhem como a vida é boa! A irmã do cara deu de ler umas coisas minhas e gostar. E então, eu resolvi falar pra ela que minha missão nessa terra é deslizar meus dedinhos minúsculos e não refilados naquelas costas com a canaleta. E me deixar apertar na cintura por aquelas mãos. Nossa. Só de falar. Pois é.

E a irmã, tão gente boa, me ensinou o caminho das pedras. Ele curte bicho grilo, Tati. Que é isso, cunhada? Ele curte esse povo bicho grilo, sabe? Sei. Sem saber. Mas resolvi me tornar um. Tudo por ele. Tudo. Absolutamente tudo. Tirando cheirar ou engolir, duas das coisas que eu jamais farei em vida, tudo por esse homem. E olha que são tantas outras milhares de coisas terríveis que não incluí na lista das negações. Tais como comer balas com anilina, ir a um motel com promoção de camarões na moranga ou viajar pra Maresias em feriado prolongado.

E foi então que fui ver o monólogo do cara na Virada Cultural. Enfrentei filas e multidões com a coragem e a sabedoria do amor. Ou melhor dizendo, com o comando mais forte da vida de uma fêmea que é a voz da estupidez que vem de baixo. Lutei bravamente contra meu terrível pânico de lugares cheios e com casaizinhos feios dividindo berebas e cheiro de Bozzano e lutei, sobretudo, contra o meu maior e mais absoluto pavor: ser vista por algum amigo publicitário numa fila do SESC vestida tal qual a noiva cadáver do Chuck depois do curso de sociologia na USP (não, eu não me humilhei ao ponto de usar meia Hering com papete chulezenta). Se aquilo não era ser bicho grilo, eu estava, no mínimo, apta a modernizar o real conceito do ser bicho grilo.

Me sentei na primeira fileira. Eu e minha meia arrastão com All Star sujo. Abri minha jaqueta verde guerra pra deixar a camiseta vermelha luta de classes mostrar meu decote vem aqui que vou te mostrar minha virada cultural. E assim pensei estar super dentro das expectativas bizarras do homem que havia se tornado minha mais recente e intensa obsessão sexual da vida inteira.

E ele começou a peça. E fazia o papel de um gay psicopata. Mas vamos em frente. Foco na canaleta e na pegada de cintura que perfura rins. E então. No final da peça. Ele falou sobre o ódio de amar. Como amar dá raiva. E de como ele queria que seu amado morresse. Morresse. Morresse. E foi falando e as luzes apagando. E ele gritava tanto. E nossa. Eu bati palmas pra ele com todos os membros do meu corpo físico. E foi então que eu resolvi que iria atrás desse ser humano até o inferno. E foi o que eu fiz, quando soube que ele jantava quase sempre na Mercearia da Rodézia. O bar dos wanna be Jonh Fante. E olha que eu amo o John Fante. E olha que eu sou uma wanna be John Fante. Mas cara, não consigo. Eu simplesmente não consigo ver aquele povo atormentado escrevendo em guardanapo e fazendo cara de tuberculoso beatnik. Meu filho, quem escreve, escreve. Não monta circ o de escritor no meio da praça pública pra falar que escreve. E sim, dá pra escrever e ganhar uns trocos também. Apego a pobreza saiu de moda faz tempo. Ainda mais agora que até banqueiro já tá conseguindo ficar pobre. Não é mais difícil pra ninguém. Entende? Enfim, mas fui até lá.

E então. E então. Ele me viu. Ele estava em pé, esperando uma mesa. Ao lado de uma garota que parecia aquela gorda de cabelo ruim do comercial de cola pra dentadura que diz “agora eu já posso comer carne!”. E ele me viu. E eu fui chegando perto. É agora, Tati! É agora! E fui chegando perto. E ele sorrindo. Pra mim. Com seus olhos vesguinhos. E eu fui chegando perto. Mas o que eu vou dizer quando estiver bem perto? Que quero transar com ele até os olhos dele, tão espremidos e centralizados, pularem vivos pra fora? O que eu quero dizer a ele? Que adorei a peça? E que dediquei meus últimos meses a sonhar com esse momento só porque o vi pelado num filme e me apaixonei pela sua canaleta? E fui chegando perto. Mas o que dizer? Dizer que não tenho nexo mas tenho umas coisas que ficam lindas à meia luz? E então. E então. O filho da puta do garçom chamou meu am ado. A mesa estava pronta. Ele sorriu novamente, como que se despedindo daquela maluca mal vestida que andava em sua direção, e virou de costas pra mim. Sim, elas, as malditas costas as quais homenageio semanalmente embaixo de meu edredom. Malditas. E foi se sentar com a colega Corega. Ignorando com todo o esplendor de sua bem dividida coluna vertebral a minha arrasada existência.

E eu. E eu? Bom, mais tarde devo dar um pulo no Reserva Cultural. Ou no Deli Paris. Ou no bar Balcão. Ou mesmo no SESC. Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, foram feitas pra um dia dar errado.

Tati Bernardi é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 11h01
[]


CONFESSIONÁRIO.

De Bianca Rosolem.

Honestamente, quando eu não precisava mentir para me sentir confortável com minhas ambições, eu podia aceitar o fato de que ele não era próximo de meus desejos mais íntimos.
Realmente distante, como galáxias e universos. Velocidade da luz mesmo, milhões de anos. Cada um em um canto da existência que não se compreende em ciência alguma.
Sem atrativos físicos, por vezes chato e irritante, ainda assim ele era divertido. Apesar de fingir grande excitação quando não a sentia, eu suspirava e fechava os olhos. Não preciso de muitas preliminares e de foda interminável. Eu sempre preferi a coisa rápida e intensa. O único instante de minha vida no qual nada penso. Não penso. Só depois, com o cigarro aceso, percebo: Algo aconteceu.
Porém, eu acredito que ele gostava de toda uma cena, de horas ali, entra e vai, e eu entediada pensando na próxima posição, aborrecida, cansada de gozar. Rezava para ele logo terminar seu exercício de narcisismo. “Meu falo é tão controlado, tão controlado”... Logo, era um chato.
Terminado, o ar pesado e o corpo amolecido, ele permanecia deitado, descansando comigo, cúmplice, com um abraço cuidadoso. Algum tempo depois se levantava devagar, deslocando-me a um canto da cama. De certo presumia que eu dormia de exaustão da maratona sexual que ele havia me proporcionado. Eu fingia esse mérito também, para então ouvi-lo assobiar tímido no chuveiro.
Ele retornava ainda molhado e me beijava leve para um despertar. Eu nunca dormia ou sonhava, mas fazia um olhar sonolento. Eu acendia um cigarro e, com a cabeça apoiada em suas coxas, olhando para seu rosto, pedia: Faça-me nova em outra história.
E ele então poderia ficar por horas dizendo tantas coisas sobre alguém que ele nem tão bem conhecia ou deveria. E esse alguém tinha o meu jeito de despentear os cabelos e também passava batom sem mirar-se no espelho. A minha heroína que ele sonhava era feliz, corajosa, honesta e conquistadora. Ela não tinha tantas dívidas na gaveta, ou remédios no armário do banheiro. Nem bebia tanto Martini barato. Era champanhe em linda taça, que refletia todo seu brilho em meus olhos, e então eu ficava tão bonita que ele dizia que me amava. Fogos de artifício e música se ouviam, e o mundo girava lentamente ao nosso redor.
E ele muito contava de todas essas vidas que éramos nós em lugares que nem sequer no mapa eu conhecia, e emoções que eu já ressentia eram vivas e também esperanças e pôr-do-sol e sorrisos.
Eu cansava, acredito que era culpa da realidade barulhenta que subia até nossa janela nas madrugadas. Sirenes, cusparadas e discussões baratas. Ainda assim, permanecia admirando-o e cantava alguma música triste em minha cabeça observando o movimento de seus lábios sonhadores.
Eu já não mais poderia ouvir.
Só deixava meu corpo sentir a vibração de sua voz.
Um dia eu voaria.

Bianca Rosolem é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 10h54
[]


Revival.

De Cléo Araújo.

Trocaram olhares no xerox do DA.
Ele copiando uma apostila de Direito Civil II.
Ela afixando um pôster para divulgação da “XXIII Festa dos Veteranos – Turma de 1998”.
Ele de camiseta de banda esgarçada, calça jeans surrada e tênis de veludo.
Ela - embora estivesse afixando um pôster para divulgação da “XXIII Festa dos Veteranos – Turma de 1998” - de maquiagem, salto e pastinha séria, estilo futura advogada.
Estudavam na mesma faculdade, mas em anos diferentes. Ela no último, ele no terceiro.
Ela já tinha aulas de Direito Internacional.
Ele fazia DP de Teoria Geral do Estado.
Ele andava de ônibus. Quase Eduardo. Ela de Fiat Uno Zerinho. Praticamente Mônica.
Pois trocaram olhares no xerox.
E depois na cantina.
E depois no boteco da frente da faculdade, quando se cruzaram na porta do banheiro. Que era unissex.
Aí, um amigo falou dela pra ele daqui. Uma amiga falou dele pra ela de cá.
Já se sabiam então. Fácil assim. Mais fácil do que colar na prova de Direito do Trabalho.
Para se quererem, não precisavam de mais nada.
Era só esperar o dia da chopada.
É que além do chopp, a chopada tinha também um show do Creedence Clearwater Revival Cover. E foi ali, no meio da galera, que eles conversaram e tomaram uns tragos. E foi no refrão de “Proud Mary” que ele colocou um Trident de canela na boca. E que eles se beijaram pela primeira vez.
Aí resolveram que iam se beijar também no dia seguinte ao da chopada.
E no dia seguinte ao dia seguinte.
E naquela semana todinha.
E na outra.
Aí ele começou a se afastar dos amigos.
E ela começou a carregar seu “menino” para as festas do último ano.
Não se desgrudavam um segundo sequer e enforcavam todas as aulas que existiam.
Mas foi depois da “XXIII Festa dos Veteranos – Turma de 1998”, da qual saíram quando o sol já ameaçava nascer, que acabaram dormindo juntos. Foi na república de umas amigas dela. Verdade que já era quase dia, verdade que a noite tinha sido longa, verdade que eles tinham bebido todas as vodkas com soda e todas as cervejas que podiam, verdade que tinham fumado quase um maço de cigarro cada um, verdade que queriam dormir... Mas “Dormir? Pra quê? Deixa para dormir depois que a gente se formar e quando, aí sim, a gente não tiver mais nada o que fazer dessa vida!”
E foi ali que ficaram até meio dia, ele de cueca e ela na sua camiseta de banda esgarçada, ouvindo “10,000 Maniacs”, comendo bombom de uma caixa de especialidades da Nestlé, pensando nos nomes que colocariam nos seus filhos, sem se desgrudar um segundo sequer e, como de hábito, enforcando todas as aulas que existiam.
Dois bimestres, duas provas de Processo Penal, um exame e dois recursos para pedido de abono de faltas depois, já não estavam mais juntos.
Ele voltou para a sua turma de amigos, que continuou curtindo umas trips malucas nos cantos escuros do estacionamento.
Ela começou a estudar para o exame da OAB.
Trocaram olhares na semana passada num escritório chique na Avenida Faria Lima.
Ele dentro de uma sala de reunião envidraçada.
Ela na sua mesa, do lado de lá do vidro, fingindo ler uma publicação.
Ela não tinha certeza se ele era ele.
Ele tinha certeza absoluta de que ela era ela.
Pois trocaram olhares.
E depois?
Voltaram para casa. Cada um para sua.
Mil coisas na cabeça.
Ele colocou um CD do Creedance para tocar. Acendeu um cigarro, pegou uma cerveja e apagou as luzes. Queria curtir umas trips no escuro. Queria desafinar no repeat junto com John Fogerty. “Rolling, rolling, rolling on the river”. Queria curtir a lembrança de tudo que tinha acontecido lá atrás. Ficou nostálgico. Foi dormir sentindo saudades daqueles tempos que não voltam mais.
Ela colocou um CD do “10,000 Maniacs”. Jogou a pastinha longe, desceu do salto e tirou a maquiagem. Preparou uma dose de vodka com soda e comeu uma caixa inteira de Especialidades da Nestlé. Chorou no repeat junto com Natalie Merchand. “More than this... you know there’s nothing...”. Sentiu um vazio. Um oco por todas as coisas que poderiam ter sido. Ficou triste. Foi dormir se sentindo só, pois como se fosse a única capaz de sentir saudades de tempos que nunca vieram. A única capaz de sentir saudades de tempos que jamais virão.

Cléo Araújo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 17h25
[]


JOGO ENTRE LADRÕES (THE CODE).

De Silvio Pilau.

JOGO ENTRE LADRÕES (THE CODE)
De Mimi Leder. Com Morgan Freeman, Antonio Banderas, Radha Mitchell, Robert Forster e Rade Sherbedgia.

Assim como uma comédia romântica, já se sabe o que esperar ao parar para assistir a um filme de roubo. Estarão lá a formação do grupo (no caso, dupla), a apresentação do alvo, a elaboração do plano e, finalmente, sua execução, quando acontecerão algumas reviravoltas. A diferença entre uma obra medíocre e outra interessante está no apreço da plateia pelos personagens (por exemplo, na série Onze Homens e Um Segredo) e nas ideias originais apresentadas pelo roteiro (como no novo clássico Os Suspeitos).

Pois Jogo entre Ladrões falha em ambos os aspectos. Dirigido por Mimi Leder a partir de um roteiro de Ted Humphrey, a produção já começa sobre clichês, tratando da dinâmica entre um veterano e um novato. O roteiro já demonstra problemas desde a cena inicial: por que um ladrão experiente como Ripley procuraria alguém como Martín, que acabara de realizar um assalto comum e arriscado no metrô? A partir daí, a trama se desenrola em uma completa escassez de ideias, inclusive sem oferecer qualquer ingrediente que torne os personagens mais desenvolvidos ou, ao menos, interessantes para o público.

A tentativa de Humphrey para superar esse problema é acrescentar um romance à história. Entretanto, a subtrama envolvendo Martín e Alex é realizada de maneira rápida – o casal se conhece, vai para a cama e, logo em seguida, estão completamente apaixonados. O filme não se presta a construir o relacionamento, apenas jogando-o na tela para que a plateia aceite. Como consequência, ele soa forçado e nada real, tornando apenas uma distração desnecessária (e diálogos como: “Promessas vão com o vento, mas os sentimentos são reais” também não ajudam em nada).

Esse fato até seria perdoável se a história do assalto também funcionasse. Porém, em momento algum o espectador conhece as habilidades dos protagonistas ou como a união delas pode fazer o roubo dar certo. O próprio golpe, aliás, é extremamente simplista e o roteiro, que primeiramente apresenta o assalto como praticamente impossível, jamais explica com propriedade como a dupla tornou tudo aquilo tão fácil. Tudo isso sem contar os diversos furos, como os policias descobrirem que o alarme soou e, ao invés de avisarem os seguranças da joalheria, optarem por pegar o trânsito para chegar a tempo.

Até o momento do assalto, porém, Jogo entre Ladrões é um filme apenas comum, mas conduzido com certo ritmo por Mimi Leder. No entanto, a partir daí, a trama começa a passar por uma série de reviravoltas que não fazem o menor sentido. São surpresas gratuitas, que não se sustentam diante de uma reflexão sobre a história. Em determinado ponto da narrativa, Leder e seu roteirista perdem a mão de vez e a coisa abandona qualquer resquício de lógica – cabe ao espectador parar de buscar uma compreensão sobre o que está acontecendo e torcer para que tudo tenha fim o mais breve possível.

E nem mesmo o carisma da dupla de protagonistas é capaz de salvar Jogo entre Ladrões. Em um filme como esse, no qual os personagens são criminosos, é fundamental que algo seja oferecido para estabelecer uma identificação entre eles e a plateia. Mas tanto Morgan Freeman quanto Antonio Banderas parecem estar no piloto automático e o espectador jamais chega a “torcer” por eles. Na realidade, ambos não conseguem fugir das personas com as quais já são consagrados: Freeman exalando classe e respeito e Banderas encarnando um latino sensual.

No final das contas, ainda que Jogo entre Ladrões não chegue a ser uma atrocidade (tem coisa muito pior por aí e que, de quebra, precisa de mais milhões para ser realizada), é um filme fraquíssimo, repleto de problemas, que será esquecido dentro de muito pouco. Isto é, se já não o foi.

Nota: 4.0

Silvio Pilau é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 10h32
[]


Eu juro, aconteceu de verdade.

aaa

De Ana Reber.

- Alô?
- (com voz de apresentador de auditório) Boa tarde, meu nome é Rubens, em que posso ajudáá-laaaaa?
- (imito a voz de apresentador de tevê) Fala Rubens, como é que tá o pessoal aí de casaaaaaa?
- Muito bem, obrigadaaaaa.
- Rubens, meu nome é Ana Reber, queria trocar a senha do meu cartão de créditoooooo.
-  Muito bem, então vamos às perguntas, valendo três pontos: qual é o nome do seu paiii?
- Raimundo Ferreira da Costa.
- Resposta corretaaaa. Agora valendo dez pontoooos, qual o nome da sua mãe?
- Marina de Oliveira Costa.
- Muito bem. Atenção para a última perguntaaaaa, qual a sua data de nascimentoooo?
- 21 de agosto de 1982.
- Muito beeeeeeeeeem. E qual a senha novaaaaa?
- 5478.
- Parabéns, sua senha está registradaaaaaaa.
- Maravilha Rubens, obrigado. Agora posso te fazer uma perguntinha? Qual o motivo de tanta alegria?
- Os seus problemas me fazem esquecer os meus!

 

Além do melhor telemarketing que eu já conheci na vida, Rubens ainda é filosofo.

 

Ana Reber é cronista do Blônicas.

 

Escrito por Blônicas . às 10h49
[]


HERÓIS DA REVOLUÇÃO FRANCESA.

Grandes nomes que o tempo diminuiu

De Edson Aran.

Hercule Dupoir, o prisioneiro. Hercule Dupoire foi preso em 1786 por desfilar na frente do Palais Royal vestido de Fred Mercury e cantando músicas do Queen. Levado para a Bastilha, Hercule passou o resto de seus dias armando engenhosos planos de fuga. Primeiro, tentou amestrar formigas para que elas cavassem um túnel. Não deu certo. As formigas traziam o chinelo e o jornal, mas nunca atravessaram o chão de concreto.
Hercule, então, resolveu treinar baratas. Também não deu certo. As baratas conseguiam imitar Carmen Miranda e o Trio Los Panchos, mas nada de furar túnel. Por fim, Hercule começou a trabalhar com ratos. Quando os roedores estavam quase prontos (sapateavam como Fred Astaire e cantavam músicas do Nelson Ned), a Bastilha foi tomada pelos revolucionários e todos os prisioneiros foram libertados. Livre e sem saber o que fazer com a bicharada, Hercule abriu um restaurante e inventou a nouvelle cuisine.

Henri de Toulouse-Lautrec, o pintor. Henri de Toulouse-Lautrec por pouco não entrou para a história. Famoso pintor de rodapés, Toulouse-Lautrec foi convidado para redecorar toda a parte baixa das paredes do Palácio de Versalhes. A obra estava prontinha quando ele viu aquela turba enlouquecida tentando invadir o Palácio. Temendo que sua gigantesca obra fosse destruída pelos pés plebeus, Toulouse-Lautrec tentou deter, sozinho, o avanço da multidão revolucionária. Todo mundo pisou em cima dele. Henri de Toulouse-Lautrec foi guilhotinado no dia seguinte com uma lâmina de barbear descartável.

Alce Cinzento, crítico de cinema. Alce Cinzento não saber o que estar fazendo aqui. Alce Cinzento ser vítima armação homem branco de língua bifurcada. Alce Cinzento não ter picas a ver com revolução francesa. Alce Cinzento só gostar Nouvelle Vague. Alce Cinzento voltar Montanhas Rochosas agora. Passar bem.

Edson Aran é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 15h44
[]


Adivinha quem eu encontrei?

De Lusa Silvestre.

Estava eu andando pelo Shopping Bourbon, como sempre meio vazio e muito
civilizado (apesar da vizinhança). Ia batido, como sempre, saindo do estacionamento
direto para o cinema, imaginando que, na volta, o Almanara seria um bom lugar
para alimentar os cavalos, metaforicamente falando, quando...

Ali, encostadinho em uma vitrine, com uma roupa comum e desencanada,
balançando o pezinho descontraidamente (catso, 450 conto por mês!),
sabe quem ? Sabe quem ? Então: Muricy Ramalho. Ele.
Em carne, osso e uma capanga de couro embaixo do braço.

Daí que eu dei uma encostada nele, de lado, como se estivesse vendo a mesma
vitrine. Só encostei. Olhei aqui, ali, e fiquei assim vendo o que ele estava fazendo.
Aí entrou, cantandinho baixinho. Eu fiquei na vitrine. Ele mexeu numa arara – não o bicho -, olhou
uma camisa, perguntou o preço. O rapaz falou, ele fez cara de espanto, agradeceu
o vendedor e virou as costas. Veio de novo na minha direção, aí pra ir embora mesmo.
E vinha cantandinho, realmente muito satisfeito.
Manja quando o sujeito canta baixinho, pra si mesmo, quando a música parece
que é caboclo e não sai do corpo? Era uma dessas. Feliz, ele vinha.

Quando passou por mim, olhei de esgueio e vi ele de perfil, simpático,
e consegui esticar meu ouvido e captar a simpática cançãozinha:

 - O campeão voltou, o campeão volto-ô....

Lusa Silvestre é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 15h36
[]


Por que entrei no twitter?

De Henrique Szklo

Que saco, detesto fazer as coisas obrigado. Sim, obrigado. Mas é isso que dá ser um maria-vai-com-as-outras vocacional. Eu não consigo resistir aos apelos de nosso DNA de ser igual aos outros, de fazer o que todo mundo faz, de estar sempre passando um paninho em nosso espelho social, de só me sentir seguro fazendo parte do grande rebanho. A única coisa que eu tento administrar de maneira mais adequada é a raça do rebanho ao qual eu me incorporo. Sei que nasci numa família de vacas magras e chifrudos inconformados, mas sempre que posso tento pular a cerca para conviver com nelores e herefords. Eles olham pra mim com aquela cara de que podem até me ruminar, mas jamais irão me engolir. Aquela baba elástica (como dizia Nelson Rodrigues), jamais sera compartilhada com um pobre-diabo como eu. Talvez até por isso mesmo é que eu não consigo resistir à tentação de tentar ser aceito pelo-amor-de-deus. Eu quero ser diferente, único, relevante, criativo, quebrador de paradigmas, criador de novos caminhos, exemplo para as crianças, amado pelas mulheres e respeitado pelos homens, um ícone cultural, sexual e longitudinal, etc, etc, etc. Mas nada disso acontece e eu tenho vontade é de me engolir. Acabei de ler sobre um cara americano, sempre eles, que matou um monte de mulher numa academia depois se matou, só porque não fazia sucesso com o sexo feminino. Ele tinha mais ou menos a minha idade e meu tipo de frustração. Mas não acho que matar algumas mulheres resolveria o meu caso. Precisaria pensar num gesto mais dramático, que chamasse a atenção da mídia, que rompesse com todas as expectativas do mundo moderno. Como você vê, procuro sempre uma emoção exacerbada, um toque dramático para os caminhos da minha vida. Alguns diriam que isso é megalomania, outros que é apenas idiotice, não importa, quero ser alguma coisa. Alguma coisa que não sei bem o que é. Sei muita coisa que eu não quero ser, mas acho que isso não refresca nem um pouco a minha angústia. Acho que quem trabalha com criatividade está apenas tentando chamar atenção dos outros. Não é um amor legítimo pelo inusitado. É apenas a vontade atávica de todo macaco como nós de chamar a atenção dos outros e ser amado, ser respeitado, ser percebido. Mesmo que o foco de nossos desejos sejam apenas vacas e bois pastando num cercadinho. Talvez seja por isso que eu entrei no twitter. Se não foi também, não vai mudar nada.

Henrique escreve no Blônicas e não tem nenhum pensamento original.
Visite seu
site, o fotoblog de camisetas autodestrutivas, Academia de Criatividade e seu twitter

Escrito por Blônicas.. às 16h00
[]


Declaração universal dos direitos da mulher bonita e burra.

De Henrique Szklo.


1) Toda mulher bonita e burra nasce com uma capacidade extraordinária de encantar a todos com sua beleza mas botar tudo a perder ao abrir sua linda boquinha;

2) Toda mulher bonita e burra tem o direito de conseguir o emprego que quiser, tirando, inclusive, o lugar de pessoas muito mais capacitadas do que ela. Principalmente nos casos em que o empregador for um porco chauvinista, sexista nojento e pretendente a tarado;

3) Toda mulher bonita e burra tem o direito de achar que não é apenas um rostinho bonito. E por conta disso ficar horas na academia para garantir que a barriguinha e a bunda também sejam;

4) Toda mulher bonita e burra tem o direito inalienável de dizer às pessoas que quer ser reconhecida pelo seu talento sem provocar risos histéricos em seu interlocutor;

5) Toda mulher bonita e burra tem o direito de se achar incompreendida, mesmo que passe o tempo todo dizendo coisas absolutamente ininteligíveis;

6) Toda mulher bonita e burra poderá tripudiar o quanto quiser as mulheres inteligentes e feias, mesmo que não faça a menor idéia do que significa a palavra “tripudiar”;

7) Toda mulher bonita e burra tem o direito de despender horas à frente de um espelho e nem um segundo atrás de um livro;

8) Toda mulher bonita e burra tem o direito de mostrar suas vergonhas em revistas masculinas e ainda ter a cara de pau de dizer que são fotos artísticas realizadas com muito bom gosto;

9) Toda mulher bonita e burra tem o direito de ser bonita, mas a burrice, convenhamos, é difícil de agüentar;

10) Toda mulher bonita e burra tem o direito de acreditar que vai ser bonita para sempre e que um dia deixará de ser burra.


Henrique Szklo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 20h10
[]