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Os bem casados.
De Ana Reber.
Um grande amigo meu resolveu se casar. Me ligou para dar a notícia e me convidar para ser sua testemunha e madrinha. Feliz com a novidade aceitei, toda inocente. Alguns dias depois da ligação, recebi um convite em casa: não para o casamento, mas para o jantar de noivado. Nunca pensei que ele fosse assim tão tradicional, mas achei até original, amor à moda antiga, sei lá, bonitinho. Me arrumei, coloquei uma roupinha mais sóbria, afinal testumunha parece uma palavra que carrega uma certa responsa. E fui feliz e contente, pronta para molhar um pouco o bico com uma tacinha de champagne e abraçar meu amigo. Brinda para cá, brinda para lá, abraça, beija, felicita toda a árvore genealógica dos noivos e antes de me despedir, sou convocada para mais um evento dali a quinze dias: o jantar dos padrinhos. Ok, ok, a noiva deve ser beeem tradicional, vamos respeitar os bons costumes, sorrisinho no rosto e um sapatinho que não aperte muito o calo seriam as pedidas da próxima vez. No segundo evento, brindei um pouco menos entusiasmada, mas ainda feliz por ele. Foi então que me fizeram o terceiro e quarto convite: despedida de solteira da noiva e dali a quinze dias, chá de cozinha. Detalhe: para cada evento, uma lista de lojas, onde os presentes estariam disponíveis. Peraí, alguém disse presentes? Não era um só? Achei estranho. Mas como sou madrinha de primeira viagem, talvez não estivesse acostumada com aquele cerimonial todo. Foi na “fulana’s presente’s” que a ficha e o débito do cartão de crédito caíram de verdade. Carésima, a lista do chá de cozinha já tinha ultrapassado anos luz o que eu pretendia gastar até mesmo com o presente oficial. Achei um absurdo. Tinha até uma cave com sistema digital para manter os vinhos na temperatura ideal. Olha, não sabia que meu amigo tinha gostos tão refinados. Toda vez que a gente saía pra beber, ele não queria nem pagar os dez por cento. Minha vontade mesmo era comprar um rolo de macarrão, sabe para quê. Fiquei imaginando como seria a lista oficial: barcos, carros importados e quem sabe até uma casa na praia para garantir a infância feliz dos futuros pimpolhos. Num ato de protesto, pulei a parte da despedida de solteiro e do chá de cadeira. Comprei um presentinho que cabia no meu bolso e aguardei pelo fatídico dia do casamento. Padre, igreja, muito laquê, sombra roxa do canto do olho até a sobrancelha, saltos prateados, aquelas coisas. Mas a cerimônia foi bonita e fiquei feliz de estar ali pelo meu amigo, apesar do padrinho que me impuseram: baixinho, careca e com bafo de azeitona. De braços dados com o mini me, saí da igreja e como estava logo atrás da noiva, levei um arroz no olho que me arranhou a córnea. Chorei. Gente, olha que fofa a madrinha chorando de tanta emoção. Pois é, vocês nem imaginam. Com a make um pouco borrada e já fora da igreja pensei aliviada: agora vem a parte boa, a festa, a bebedeira e quem sabe algum padrinho decente para dançar um Barry White agarradinho. Porque casamento é assim, clima de romance e um desespero coletivo para não terminar a noite sozinho. Mas não. Engano, doce ilusão. Depois de uma valsa com um tio da noiva gordo e com a mãozinha boba, mais trezentos hits da Ivete, meu amigo recém-casado me puxa para dançar e bebasso, sussura ao meu ouvido: eu assu que isso aqui não dura nem dois anos… Meu topete caiu. Embriagada e completamente deprimida, resgatei meus sapatos no canto do salão, minha bolsinha que só cabe uma pinça e resolvi dar o fora. Me detive por apenas alguns segundos na mesa dos docinhos e pensei: tantos bem-casados que duram tão pouco. Que pena. Para compensar o que eu havia gasto com pé, mão e cabelo, peguei logo dez de uma vez. E fugi, como uma testemunha assutada. Algum tempo depois, recebi um vídeo do casamento por e-mail: cenas da noiva se maquiando no cabelereiro, a cerimônia, um clipe do nível artístico daqueles desenhos “ amar é”. Confesso que não encontrei palavras para responder e foi a última vez que tive notícias dos dois. E foi ontem, tomando um café, que vi no balcão da doceria uns bem-casados que me lembraram de toda essa história. Olhei para um calendário pendurado na parede e vi que fazia exatamente um ano e nove meses que tudo isso tinha acontecido. Quase dois.
Ana Reber é cronista do Blônicas.
Gripe suína.
De Carlos Castelo.
R: A aviária tem menos gordura, colesterol e triglicérides que eu. E voa. Porcos não tem asas. P: Por que o México? R: Você já viu a porcaria que eles comem naquele lugar? Até verme colocam dentro das garrafas de tequila. Não haveria lugar melhor para um suíno se propagar do que naquela pocilga. Lamento apenas que, por minha causa, o México tenha deixado de ser uma miséria, para ser uma porca miséria P: Existe alguma sintoma especial para saber se alguém está com você no organismo? R: Se roncar e fuçar tem grandes chances de estar contaminado. Se arrotar então, pode ir para o hospital porque sujou geral. P: Foi dito que, no Brasil, Miriam Leitão deveria ser deportada para o México e a estátua do porquinho no Parque Ibirapuera, em São Paulo, interditada. Você acredita que há exageros em relação à uma epidemia sequer anunciada? R: Acho exagerado. Miriam Leitão, por exemplo, escreve muita porcaria, mas o contágio dela pelo ar é mínimo. P: O Brasil deve gastar milhões na criação de uma vacina que o combata. Você acha justo isso? R: Sabe de uma coisa? Vocês fazem bem em investir muito dinheiro na saúde. A economia é a base da gripe suína. P: Por falar em Brasil, por que resolveu vir para cá? R: Adoro o lombo das brasileiras. P: Uma mensagem final? R: Não se preocupem demais comigo no Brasil. Quem tem Aids, dengue, tuberculose e esse Congresso, não morre assim tão fácil. Óinc!
Bicho Grilo.
De Tati Bernardi. Começou quando vi um filme dele há uns seis anos. Ele falava de mansinho e vesguinho no ouvido da mulher. E na cena 38 transava com ela. As costas dele me deixaram sabendo que um dia aquilo aconteceria comigo. Ele tem a coisa mais sexy que um homem pode ter que é aquela canaleta definida dividindo lado direito e lado esquerdo das costas. Cismei com o homem. Assim como cismei certa vez com um roqueiro francês que tocava gaita ininterruptamente durante um show de três horas e só sosseguei quando ele saiu da minha casa com o maxilar quase paralisado e a língua do tamanho do seu amor pelo Sergie Gainsbourg. Ah, quando eu quero, tem jeito não. Depois daquilo, quando ele já tinha sido eleito o homem do ano no festival de cinema do Rio, o encontrei no Bar Balcão. Ele pra variar nem olhou na minha cara. E nem poderia, considerando que não fazia a mais puta ideia de quem era a minha pessoa. Mas uma amiga em comum era sua amiga de infância, e ofereceu carona na hora de ir embora. Eu prontamente me ofereci pra ir junto. Mas você não tá de carro, Tati? Não, roubaram. Acabaram de roubar. E fui junto. Sem conseguir dizer uma única frase que se salvasse no carro. Eu automaticamente me tornei burra, fútil e com voz e interjeições de uma gralha desesperada. Ainda assim, quando chegou na porta da casa dele, ele se despediu de mim e apertou tanto a minha cintura que eu achei que ia cuspir minha pedra no rim pela orelha. E fiquei semanas com aquela dor. Amando aquele homem rude e vesgo como amei poucas coisas na v ida. Ou muitas, pra falar a verdade. E então ele sumiu no mundo e eu amei outros tantos rapazes por aí. Até que ele voltou a aparecer e começou a aparecer em todos os lugares. Ele frequenta absolutamente todos os mesmos lugares que eu. Vou tomar chá da tarde com o Sidão maluco no Paris, lá está ele tomando vinho de cachecol na mesinha ao lado. Sozinho. Sempre sozinho, quando sozinho, de um jeito que poderíamos estar todos num filme pseudo cabeçudo bom de ver quando se quer sentir inteligente mas não muito. E nem por isso pedante, arrogante ou fazendo tipo. Ou sim, fazendo tudo isso. Mas ele tem a canaleta nas costas e apertou minha cintura daquele jeito de ver estrelas. Então, eu decidi que ele é o máximo. Vou comer croissant no Deli da Vila e lá está ele. Lendo o jornal. Sempre sem olhar na minha cara. Sempre. E ele bate cartão no cinema da Gazeta. Sempre acompanhado daquele povo meio igual e completamente diferente. O povo de teatro. E sempre fazendo rir meninas monstruosas. E super camarada de caras com muita cara de loser. E pra mim, nadinha. Eu me acabo de olhar, fica até chato. Já me acabei de olhar pra ele estando ele, ou eu mesma, acompanhado. Porque é mais forte do que eu. É o homem da canaleta com a apertada de cintura mais alucinante do sistema solar. E nada. Ele simplesmente não me vê. E isso. Ah, e isso me deixa mais a fim ainda desse sujeito. Como eu curto um ser desgraçado que caga pra mim. Que faz rir mulheres medonhas e ignora a existência daquela mocinha tão cheirosa e dadivosa. Com capacidade e intenção de tratá-lo como um rei espanhol e su as mil súditas. E eu fazendo o papel de mil. Sem cansar jamais. Ou cansando assim que ele me olhar. Aí fiquei amiga da irmã do camarada. Adivinhem como a vida é boa! A irmã do cara deu de ler umas coisas minhas e gostar. E então, eu resolvi falar pra ela que minha missão nessa terra é deslizar meus dedinhos minúsculos e não refilados naquelas costas com a canaleta. E me deixar apertar na cintura por aquelas mãos. Nossa. Só de falar. Pois é. E a irmã, tão gente boa, me ensinou o caminho das pedras. Ele curte bicho grilo, Tati. Que é isso, cunhada? Ele curte esse povo bicho grilo, sabe? Sei. Sem saber. Mas resolvi me tornar um. Tudo por ele. Tudo. Absolutamente tudo. Tirando cheirar ou engolir, duas das coisas que eu jamais farei em vida, tudo por esse homem. E olha que são tantas outras milhares de coisas terríveis que não incluí na lista das negações. Tais como comer balas com anilina, ir a um motel com promoção de camarões na moranga ou viajar pra Maresias em feriado prolongado. E foi então que fui ver o monólogo do cara na Virada Cultural. Enfrentei filas e multidões com a coragem e a sabedoria do amor. Ou melhor dizendo, com o comando mais forte da vida de uma fêmea que é a voz da estupidez que vem de baixo. Lutei bravamente contra meu terrível pânico de lugares cheios e com casaizinhos feios dividindo berebas e cheiro de Bozzano e lutei, sobretudo, contra o meu maior e mais absoluto pavor: ser vista por algum amigo publicitário numa fila do SESC vestida tal qual a noiva cadáver do Chuck depois do curso de sociologia na USP (não, eu não me humilhei ao ponto de usar meia Hering com papete chulezenta). Se aquilo não era ser bicho grilo, eu estava, no mínimo, apta a modernizar o real conceito do ser bicho grilo. Me sentei na primeira fileira. Eu e minha meia arrastão com All Star sujo. Abri minha jaqueta verde guerra pra deixar a camiseta vermelha luta de classes mostrar meu decote vem aqui que vou te mostrar minha virada cultural. E assim pensei estar super dentro das expectativas bizarras do homem que havia se tornado minha mais recente e intensa obsessão sexual da vida inteira. E ele começou a peça. E fazia o papel de um gay psicopata. Mas vamos em frente. Foco na canaleta e na pegada de cintura que perfura rins. E então. No final da peça. Ele falou sobre o ódio de amar. Como amar dá raiva. E de como ele queria que seu amado morresse. Morresse. Morresse. E foi falando e as luzes apagando. E ele gritava tanto. E nossa. Eu bati palmas pra ele com todos os membros do meu corpo físico. E foi então que eu resolvi que iria atrás desse ser humano até o inferno. E foi o que eu fiz, quando soube que ele jantava quase sempre na Mercearia da Rodézia. O bar dos wanna be Jonh Fante. E olha que eu amo o John Fante. E olha que eu sou uma wanna be John Fante. Mas cara, não consigo. Eu simplesmente não consigo ver aquele povo atormentado escrevendo em guardanapo e fazendo cara de tuberculoso beatnik. Meu filho, quem escreve, escreve. Não monta circ o de escritor no meio da praça pública pra falar que escreve. E sim, dá pra escrever e ganhar uns trocos também. Apego a pobreza saiu de moda faz tempo. Ainda mais agora que até banqueiro já tá conseguindo ficar pobre. Não é mais difícil pra ninguém. Entende? Enfim, mas fui até lá. E então. E então. Ele me viu. Ele estava em pé, esperando uma mesa. Ao lado de uma garota que parecia aquela gorda de cabelo ruim do comercial de cola pra dentadura que diz “agora eu já posso comer carne!”. E ele me viu. E eu fui chegando perto. É agora, Tati! É agora! E fui chegando perto. E ele sorrindo. Pra mim. Com seus olhos vesguinhos. E eu fui chegando perto. Mas o que eu vou dizer quando estiver bem perto? Que quero transar com ele até os olhos dele, tão espremidos e centralizados, pularem vivos pra fora? O que eu quero dizer a ele? Que adorei a peça? E que dediquei meus últimos meses a sonhar com esse momento só porque o vi pelado num filme e me apaixonei pela sua canaleta? E fui chegando perto. Mas o que dizer? Dizer que não tenho nexo mas tenho umas coisas que ficam lindas à meia luz? E então. E então. O filho da puta do garçom chamou meu am ado. A mesa estava pronta. Ele sorriu novamente, como que se despedindo daquela maluca mal vestida que andava em sua direção, e virou de costas pra mim. Sim, elas, as malditas costas as quais homenageio semanalmente embaixo de meu edredom. Malditas. E foi se sentar com a colega Corega. Ignorando com todo o esplendor de sua bem dividida coluna vertebral a minha arrasada existência. E eu. E eu? Bom, mais tarde devo dar um pulo no Reserva Cultural. Ou no Deli Paris. Ou no bar Balcão. Ou mesmo no SESC. Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, foram feitas pra um dia dar errado. Tati Bernardi é cronista do Blônicas. CONFESSIONÁRIO.
De Bianca Rosolem. Honestamente, quando eu não precisava mentir para me sentir confortável com minhas ambições, eu podia aceitar o fato de que ele não era próximo de meus desejos mais íntimos. Bianca Rosolem é cronista do Blônicas. Revival.
De Cléo Araújo. Trocaram olhares no xerox do DA. Cléo Araújo é cronista do Blônicas. JOGO ENTRE LADRÕES (THE CODE).
De Silvio Pilau. JOGO ENTRE LADRÕES (THE CODE) Assim como uma comédia romântica, já se sabe o que esperar ao parar para assistir a um filme de roubo. Estarão lá a formação do grupo (no caso, dupla), a apresentação do alvo, a elaboração do plano e, finalmente, sua execução, quando acontecerão algumas reviravoltas. A diferença entre uma obra medíocre e outra interessante está no apreço da plateia pelos personagens (por exemplo, na série Onze Homens e Um Segredo) e nas ideias originais apresentadas pelo roteiro (como no novo clássico Os Suspeitos). Pois Jogo entre Ladrões falha em ambos os aspectos. Dirigido por Mimi Leder a partir de um roteiro de Ted Humphrey, a produção já começa sobre clichês, tratando da dinâmica entre um veterano e um novato. O roteiro já demonstra problemas desde a cena inicial: por que um ladrão experiente como Ripley procuraria alguém como Martín, que acabara de realizar um assalto comum e arriscado no metrô? A partir daí, a trama se desenrola em uma completa escassez de ideias, inclusive sem oferecer qualquer ingrediente que torne os personagens mais desenvolvidos ou, ao menos, interessantes para o público. A tentativa de Humphrey para superar esse problema é acrescentar um romance à história. Entretanto, a subtrama envolvendo Martín e Alex é realizada de maneira rápida – o casal se conhece, vai para a cama e, logo em seguida, estão completamente apaixonados. O filme não se presta a construir o relacionamento, apenas jogando-o na tela para que a plateia aceite. Como consequência, ele soa forçado e nada real, tornando apenas uma distração desnecessária (e diálogos como: “Promessas vão com o vento, mas os sentimentos são reais” também não ajudam em nada). Esse fato até seria perdoável se a história do assalto também funcionasse. Porém, em momento algum o espectador conhece as habilidades dos protagonistas ou como a união delas pode fazer o roubo dar certo. O próprio golpe, aliás, é extremamente simplista e o roteiro, que primeiramente apresenta o assalto como praticamente impossível, jamais explica com propriedade como a dupla tornou tudo aquilo tão fácil. Tudo isso sem contar os diversos furos, como os policias descobrirem que o alarme soou e, ao invés de avisarem os seguranças da joalheria, optarem por pegar o trânsito para chegar a tempo. Até o momento do assalto, porém, Jogo entre Ladrões é um filme apenas comum, mas conduzido com certo ritmo por Mimi Leder. No entanto, a partir daí, a trama começa a passar por uma série de reviravoltas que não fazem o menor sentido. São surpresas gratuitas, que não se sustentam diante de uma reflexão sobre a história. Em determinado ponto da narrativa, Leder e seu roteirista perdem a mão de vez e a coisa abandona qualquer resquício de lógica – cabe ao espectador parar de buscar uma compreensão sobre o que está acontecendo e torcer para que tudo tenha fim o mais breve possível. E nem mesmo o carisma da dupla de protagonistas é capaz de salvar Jogo entre Ladrões. Em um filme como esse, no qual os personagens são criminosos, é fundamental que algo seja oferecido para estabelecer uma identificação entre eles e a plateia. Mas tanto Morgan Freeman quanto Antonio Banderas parecem estar no piloto automático e o espectador jamais chega a “torcer” por eles. Na realidade, ambos não conseguem fugir das personas com as quais já são consagrados: Freeman exalando classe e respeito e Banderas encarnando um latino sensual. No final das contas, ainda que Jogo entre Ladrões não chegue a ser uma atrocidade (tem coisa muito pior por aí e que, de quebra, precisa de mais milhões para ser realizada), é um filme fraquíssimo, repleto de problemas, que será esquecido dentro de muito pouco. Isto é, se já não o foi. Nota: 4.0 Silvio Pilau é cronista do Blônicas. Eu juro, aconteceu de verdade.
aaa De Ana Reber. - Alô? Além do melhor telemarketing que eu já conheci na vida, Rubens ainda é filosofo. Ana Reber é cronista do Blônicas.
HERÓIS DA REVOLUÇÃO FRANCESA.
Grandes nomes que o tempo diminuiu De Edson Aran. Hercule Dupoir, o prisioneiro. Hercule Dupoire foi preso em 1786 por desfilar na frente do Palais Royal vestido de Fred Mercury e cantando músicas do Queen. Levado para a Bastilha, Hercule passou o resto de seus dias armando engenhosos planos de fuga. Primeiro, tentou amestrar formigas para que elas cavassem um túnel. Não deu certo. As formigas traziam o chinelo e o jornal, mas nunca atravessaram o chão de concreto. Henri de Toulouse-Lautrec, o pintor. Henri de Toulouse-Lautrec por pouco não entrou para a história. Famoso pintor de rodapés, Toulouse-Lautrec foi convidado para redecorar toda a parte baixa das paredes do Palácio de Versalhes. A obra estava prontinha quando ele viu aquela turba enlouquecida tentando invadir o Palácio. Temendo que sua gigantesca obra fosse destruída pelos pés plebeus, Toulouse-Lautrec tentou deter, sozinho, o avanço da multidão revolucionária. Todo mundo pisou em cima dele. Henri de Toulouse-Lautrec foi guilhotinado no dia seguinte com uma lâmina de barbear descartável. Alce Cinzento, crítico de cinema. Alce Cinzento não saber o que estar fazendo aqui. Alce Cinzento ser vítima armação homem branco de língua bifurcada. Alce Cinzento não ter picas a ver com revolução francesa. Alce Cinzento só gostar Nouvelle Vague. Alce Cinzento voltar Montanhas Rochosas agora. Passar bem. Edson Aran é cronista do Blônicas. Adivinha quem eu encontrei?
De Lusa Silvestre. Estava eu andando pelo Shopping Bourbon, como sempre meio vazio e muito Ali, encostadinho em uma vitrine, com uma roupa comum e desencanada, Daí que eu dei uma encostada nele, de lado, como se estivesse vendo a mesma Quando passou por mim, olhei de esgueio e vi ele de perfil, simpático, - O campeão voltou, o campeão volto-ô.... Lusa Silvestre é cronista do Blônicas. Por que entrei no twitter?
De Henrique Szklo Que saco, detesto fazer as coisas obrigado. Sim, obrigado. Mas é isso que dá ser um maria-vai-com-as-outras vocacional. Eu não consigo resistir aos apelos de nosso DNA de ser igual aos outros, de fazer o que todo mundo faz, de estar sempre passando um paninho em nosso espelho social, de só me sentir seguro fazendo parte do grande rebanho. A única coisa que eu tento administrar de maneira mais adequada é a raça do rebanho ao qual eu me incorporo. Sei que nasci numa família de vacas magras e chifrudos inconformados, mas sempre que posso tento pular a cerca para conviver com nelores e herefords. Eles olham pra mim com aquela cara de que podem até me ruminar, mas jamais irão me engolir. Aquela baba elástica (como dizia Nelson Rodrigues), jamais sera compartilhada com um pobre-diabo como eu. Talvez até por isso mesmo é que eu não consigo resistir à tentação de tentar ser aceito pelo-amor-de-deus. Eu quero ser diferente, único, relevante, criativo, quebrador de paradigmas, criador de novos caminhos, exemplo para as crianças, amado pelas mulheres e respeitado pelos homens, um ícone cultural, sexual e longitudinal, etc, etc, etc. Mas nada disso acontece e eu tenho vontade é de me engolir. Acabei de ler sobre um cara americano, sempre eles, que matou um monte de mulher numa academia depois se matou, só porque não fazia sucesso com o sexo feminino. Ele tinha mais ou menos a minha idade e meu tipo de frustração. Mas não acho que matar algumas mulheres resolveria o meu caso. Precisaria pensar num gesto mais dramático, que chamasse a atenção da mídia, que rompesse com todas as expectativas do mundo moderno. Como você vê, procuro sempre uma emoção exacerbada, um toque dramático para os caminhos da minha vida. Alguns diriam que isso é megalomania, outros que é apenas idiotice, não importa, quero ser alguma coisa. Alguma coisa que não sei bem o que é. Sei muita coisa que eu não quero ser, mas acho que isso não refresca nem um pouco a minha angústia. Acho que quem trabalha com criatividade está apenas tentando chamar atenção dos outros. Não é um amor legítimo pelo inusitado. É apenas a vontade atávica de todo macaco como nós de chamar a atenção dos outros e ser amado, ser respeitado, ser percebido. Mesmo que o foco de nossos desejos sejam apenas vacas e bois pastando num cercadinho. Talvez seja por isso que eu entrei no twitter. Se não foi também, não vai mudar nada. Henrique escreve no Blônicas e não tem nenhum pensamento original. Declaração universal dos direitos da mulher bonita e burra.
De Henrique Szklo.
2) Toda mulher bonita e burra tem o direito de conseguir o emprego que quiser, tirando, inclusive, o lugar de pessoas muito mais capacitadas do que ela. Principalmente nos casos em que o empregador for um porco chauvinista, sexista nojento e pretendente a tarado; 3) Toda mulher bonita e burra tem o direito de achar que não é apenas um rostinho bonito. E por conta disso ficar horas na academia para garantir que a barriguinha e a bunda também sejam; 4) Toda mulher bonita e burra tem o direito inalienável de dizer às pessoas que quer ser reconhecida pelo seu talento sem provocar risos histéricos em seu interlocutor; 5) Toda mulher bonita e burra tem o direito de se achar incompreendida, mesmo que passe o tempo todo dizendo coisas absolutamente ininteligíveis; 6) Toda mulher bonita e burra poderá tripudiar o quanto quiser as mulheres inteligentes e feias, mesmo que não faça a menor idéia do que significa a palavra “tripudiar”; 7) Toda mulher bonita e burra tem o direito de despender horas à frente de um espelho e nem um segundo atrás de um livro; 8) Toda mulher bonita e burra tem o direito de mostrar suas vergonhas em revistas masculinas e ainda ter a cara de pau de dizer que são fotos artísticas realizadas com muito bom gosto; 9) Toda mulher bonita e burra tem o direito de ser bonita, mas a burrice, convenhamos, é difícil de agüentar; 10) Toda mulher bonita e burra tem o direito de acreditar que vai ser bonita para sempre e que um dia deixará de ser burra.
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