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O pulmão de Ricardito.

De Giovana Madalosso.

Eu peguei o folheto num museu em Buenos Aires. Chamava para uma feira de leituras. O programa me interessou, ainda mais quando vi de que tipo de leituras se tratava. Nada de livros. A proposta era justamente o contrário: ler qualquer coisa que não fosse um texto. Um arquiteto leria máquinas, infraestruturas e cenários urbanos. Uma especialista no alfabeto rúnico leria instrumentos de adivinhação. Um mestre em coisa nenhuma faria uma leitura patafísica de alguns objetos. E um tal Octavio Lupo se propunha a ler suas radiografias clínicas favoritas. 

A leitura das chapas me intrigou. Eu já tinha ouvido falar de filmes, livros, discos favoritos, mas radiografias? O que fazia com que um fígado fosse mais atraente do que outro? E não era só isso. O que realmente me intrigava era que tipo de interpretação ele iria fazer, afinal, a leitura não seria feita no Hospital das Clínicas, mas no museu de arte contemporânea, não em uma cidade qualquer, mas na romântica e fantasiosa Buenos Aires. Cidade onde as crianças crescem lendo Borges e Casares. Onde quem vem buscar o dente de leite embaixo do travesseiro não é uma previsível fadinha, mas um roedor conhecido como Pérez, el ratón. Cidade tão dada aos sonhos e ao inconsciente, que existe um psicanalista para cada trinta habitantes. Um lugar onde a emoção sempre fala mais alto. E aqui faço questão de citar o caso do reinventor do tango, Piazzolla, que, quando ficou famoso, não conseguia pegar táxi, já que os músicos de tango tradicionais, desempregados, viraram taxistas e se recusavam a fazer uma corrida para o traidor da milonga. E era aí, nesse cenário de lágrimas e ficções, que seria feita a leitura das radiografias. 

Eu esperava tudo, menos o óbvio. A primeira coisa que me ocorreu foi uma leitura poética dos órgãos. Depois pensei que as radiografias poderiam ser o ponto de partida para a criação de personagens, já que a doença sempre foi uma fonte de inspiração para a dramaturgia. Também cogitei uma leitura filosófica das chapas, que revelariam a fragilidade e a efemeridade do homem ante a máquina que os perscruta. Por fim, aventei que a radiografia, retirada do seu contexto e exibida num museu, poderia ser apresentada como uma obra de arte, tal qual o mictório de Duchamp. 

Cheguei à sessão de leitura meia hora mais cedo, para garantir o meu lugar. As pessoas foram chegando aos poucos, até lotarem a pequena sala abarrotada de livros de arte em todas as paredes. Às cinco em ponto, a curadora do evento entrou na sala, seguida de um senhorzinho curvo, que usava um jaleco branco e óculos de lentes grossas, fazendo seus olhos parecerem bolas pretas no fundo de um túnel. A curadora apresentou-o como Octavio Lupo, médico, e passou a palavra para ele. 

Octavio cumprimentou a plateia e fez sinal para o rapaz que projetava os slides. Uma silhueta pequena e cabeçuda apareceu na tela. “Esto es Ricardito”, disse o médico. “Un paciente muy desafortunado.” Octavio nos contou que Ricardito passou por um trabalho de parto prolongado, o que fez com que a taxa de oxigênio no seu corpo diminuísse. Com isso, seus músculos relaxaram e ele defecou dentro da mãe. Soltou um mecônio, nome dado ao primeiro cocô que fazemos na vida. Ricardito respirou as fezes, que foram para dentro do seu pulmão (visualmente, um vazio cercado de ossos). Embora os médicos tenham aspirado os detritos, Ricardito ainda tinha dificuldade em respirar. Por quê?, Octavio nos perguntou, dessa vez apontando para uma mancha indecifrável. Porque, na pressa de retirá-lo e livrá-lo das fezes, fraturaram sua clavícula, que perfurou o pulmão, gerando um pneumotórax. Por fim, vemos o bebê, ainda estranhamente cinza, mas, segundo o médico, curado, já pronto para levar alta.

Só quando a palestra acabou me dei conta de que a leitura de radiografias tinha sido apenas uma leitura de radiografias. Ricardito existia, bem como seu pulmão e o cocô arruaceiro. Saí do museu com duas certezas. 1. Eu andava divagando demais. 2. A realidade é interessante a ponto de dispensar qualquer tipo de manipulação.

Giovana Madalosso é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 17h31
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Crise de abstinência

De Henrique Szklo

Não sei se existe sentimento mais doloroso e auto-punitivo do que, conscientemente, se abrir mão da pessoa amada para preservar a sua própria sanidade. É quase um contra-senso: arriscar perder a sanidade para preservá-la. Dói de um jeito que é difícil de descrever. A sensação de que se está nadando contra a corrente da vida, que se está promovendo um movimento anti-natural na existência humana, é próximo de uma espécie de auto-mutilação. É uma dor física que oprime o peito e queima o coração (literalmente é esta sensação) a cada lembrança dela. Fico às vezes tentando comparar com outros tipos de perda: a pessoa morrer ou simplesmente te trocar por outro ou você descobrir por alguma razão que seu amor não era na verdade grande coisa, enfim, fico tentando achar algum tipo de conforto em minha posição atual. Mas não consigo. Confesso que não. Ela, ao ler esse texto, dirá com certeza que é bem-feito pra mim, que eu mereço esse sofrimento e que eu pedi por ele. Paciência. Fiz tudo o que estava ao meu alcance. Não quer dizer que foi muita coisa, mas foi o máximo que consegui. Acho que ela tentou também. E, como eu, encontrou limitações pessoais que a impediram de enxergar além dos meus defeitos, dos meus deslizes. Sei que ela me ama como eu a amo mas sei também que ela como eu escolheu abrir mão para tentar me esquecer. Tudo isso torna nossa decisão um pouco mais difícil, mais insana. Tínhamos uma conexão muito forte. Experimentávamos o sentimento do outro, mesmo à distância. E parece que ainda acontece isso. Às vezes estou me sentindo muito tranquilo e sereno e de repente me dá uma angústia avassaladora, não sei vinda de onde. Me dá uma vontade quase que incontrolável de ligar pra ela, para saber como ela está. Ah, como eu gostaria que tudo isso não passasse de um sonho, de um pesadelo. Não sei o que é pior: não ter amado nunca ou amar loucamente, ter a certeza de que encontrou a pessoa da sua vida e no instante seguinte descobrir que este amor está fazendo mais mal do que bem, para os dois. E olha que a gente tentou. Ficamos mais tempo tentando nos entender do que vivendo efetivamente o amor. Perplexos com nosso fracasso, não realizamos como é que aquele sentimento arrebatador e transformador não teve a decência de suportar as primeiras e idiotas crises? Por que é que não conseguimos nos dar uma segunda chance? Sinto esta relação como se fosse uma droga pesada. No começo era só alegria. Depois começou a ressaca e mesmo com ela não quis abandonar o seu barato. Eu precisava sempre de uma dose a mais, mesmo sabendo que no dia seguinte viria o bode. E eu não conseguia largar, de jeito nenhum. Chegou um momento em que a droga quase nem barato dava mais. E eu não conseguia largar. E agora que larguei, estou em crise de abstinência. Dói o corpo, dói a cabeça, dói a alma. E eu já ouço de novo “bem-feito, se ferrou, agora azar o seu”. Tudo bem, eu vou superar isso também. Ela é uma pessoa extraordinária, só que não conseguimos encontrar um canal de comunicação saudável e positivo. Eu falava A e ela entendia B, e vice-versa. E isso também doía bastante. O fato de eu não ter nada contra ela também dificulta ainda mais a situação. Se eu pudesse sentir raiva, pelo menos, eu poderia usar isso como forma de auxiliar no processo de esquecimento. Mas eu não tenho nada que a desabone. Ela não é perfeita, não é exatamente uma pessoa simples e permeável, mas nada do que ela me fez ou disse de desagradável ficou marcado em minha memória. Não guardo mágoas. Só sinto que eu estava definhando, perdendo a minha sanidade, que já não é grande coisa. Nossa, como eu queria ter alguma razão lógica para esquecer essa mulher de uma vez! Meus sentimentos por ela foram quase que patológicos. Fui obssessivo, confesso. É, talvez ela tenha razão. Talvez eu tenha mesmo estragado tudo com minhas manias, meu egoismo e minha falta de flexibilidade. Talvez. Mas se o amor fosse forte o suficiente, isso não seria exatamente um impeditivo. Não sou canalha, pelo menos penso que não. Acho que mereço que a pessoa que me ame confie em mim o suficiente quando digo que estou me esforçando para mudar. Mas também se aquilo que sou hoje não é satisfatório para ela, eu realmente não posso fazer nada. Acho que se você precisa que a outra pessoa mude para que você possa amá-la, então algo está fora de lugar. Não me arrependo de nada do que fiz, já que quando fiz era o que eu achava que deveria fazer. E gostaria o quanto antes de transformar este amor pela mulher, por um amor pela pessoa. Mesmo que a gente nunca mais se veja. Na verdade, é isso que ela queria, faz tempo. Ela desistiu de mim como homem bem antes de eu desistir dela como mulher. Ela queria que fôssemos amigos. Acho até que seria possível, mas não de uma hora para a outra. Passar de amor da vida para amigo num estalar de dedos não me parece razoável. Quem sabe um dia a gente consiga. Eu sei que enchi muito o saco dela com esta história, cobrei mesmo que a gente voltasse, mas ela jamais abriu a guarda. Mesmo assumindo nas entrelinhas que ainda me amava, não conseguia superar as barreiras que de alguma forma provoquei nela. Ou provocamos os dois, sei lá. Paciência. Se não era para ser, não era para ser. Mas mesmo assim, acredito que o sentimento não irá morrer. Só irá mudar de forma. Onde quer que ela esteja, vou sempre torcer por ela, sempre desejar que seja muito feliz, pois ela merece. E se acreditasse em deus, também rezaria por ela. Pensando bem, por ela eu até aceito a possibilidade de acreditar na efetividade de uma boa e devotada oração. E que a nossa dor se dilua o mais rápido possível e nos permita seguir em frente em nossas vidas com o coração aberto para outros amores; tranquilos, equilibrados e harmônicos. Amém.

Henrique é cronista do Blônicas e está com dor de cotovelo.
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Escrito por Blônicas.. às 00h35
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Obrigado

De Henrique Szklo

Escrevo este texto em continuidade ao texto anterior onde me deparei com algumas das transformações às quais eu necessariamente deveria passar, mesmo não sabendo disso, mesmo sofrendo que nem um condenado, mesmo que isso significasse a morte. Na verdade está sendo. Um velho modelo está morrendo, mas, garanto para você, está lutando a sua mais importante luta. Está usando de todas as armas para conseguir permanecer, está agonizando e resistindo. Ganhou força nos últimos dias, como aquela força que os desesperados encontram sabe-se lá em que profundezas de seu ser. E eu penei, estou penando. A cada dia me deparo com alguma faceta minha que me envergonha. A cada dia tenho de enfrentar monstros que jamais imaginei que habitassem em mim. Todos os dias é uma luta feroz para me manter são, me manter de pé, me manter vivo. Tenho 47 anos e a primeira impressão ao me ver frente a estes demônios é acreditar que é tarde demais, que não há mais saída, que meu destino está selado pra sempre. Mas não é bem assim. Este é o velho modelo falando, sussurrando em meu ouvido palavras de um moribundo que tenta limpar sua barra em seu momento de ocaso. A velha pele da cobra que não quer largar o corpo, resistindo, tentando seduzir a nossa mente com palavras de desesperança. Sinto que tem um zíper que começa na base de minha bolsa escrotal, vai até a cabeça e desce pelas costas até chegar novamente ao ponto de partida. E eu estou puxando este ziper. E está doendo. A pele de cima está grudada na debaixo e cada tentativa de arrancá-la me dói até o fundo da alma. Mas diferente da cobra, não é a pele que estou trocando, é a parte de dentro. A pele vai continuar, o que vai mudar é o meu interior. Já está mudando, na verdade. Estou vivendo muitas epifanias nos últimos dias. Revelações, inspirações, iluminações, insights, como queira chamar. E a cada um deles, o primeiro sentimento é de dor. “Puta merda, eu sou isso? Não dá pra suportar! Que vida de merda!”. Mas, num momento seguinte, o meu pensamento se equilibra e vejo que eu posso mudar. Que eu vou mudar. Que eu tenho direito à uma segunda chance. Que o fato de eu ser de um jeito até hoje não quer dizer que eu não tenha a capacidade de rever e me reconstruir em novas bases. Estou sendo fraco e forte ao mesmo tempo. Quero desistir o tempo todo e quero vencer as minhas dificuldades o tempo todo. É uma luta, é uma luta. No texto passado falei do meu egoísmo, do meu autocentrismo. Ok, estava um pouco de mal comigo mesmo e exagerei. Não sou tão assim. Sou, mas menos. Tenho de mudar, sim. Mas não vou sair do marco zero. Já caminhei bastante em minha vida e tenho algum cacife nesta área. O outro assunto de me assombrou hoje foi a minha necessidade de que as coisas sejam exatamente do meu jeito ou “não brinco mais”. Tive milhares de problemas na vida profissional e pessoal por causa deste meu comportamento. Confundi vontade com inflexibilidade, desejo de liberdade com imposição da minha vontade, livre-arbítrio com sede de poder. Como dizia uma grande e querida amiga “My way or highway”.Confesso que não sou muito inteligente, afinal não percebi isso durante todos estes anos, a despeito de alertas feitos por amigos ou pelo próprio destino. Mas eu acho que ainda há tempo de me recuperar e adquirir um pouco de sabedoria, o suficiente para manter a minha vida viável. Tenho fé de que conseguirei atingir meus objetivos se eu for mais flexível, paciente, inteligente. Acho que 2010 vai ser um ano sensacional pra mim e, espero, para as pessoas que me cercam. Estou me sentindo forte, equilibrado, centrado, sereno. É claro que amanhã posso estar de novo chorando pelos cantos, porque afinal de contas, estou no meio de um processo. Um processo sem fim, que sugere apenas uma evolução constante, enquanto eu assim o perseguir. E tudo isso não poderia estar acontecendo sem a existência de duas pessoas fundamentais em minha vida neste momento a quem eu gostaria de agradecer do fundo do meu coração: a Beth, minha guru espiritual, que está me guiando e orientando nos momentos mais críticos, me dando porrada ou passando a mão na minha cabeça; e a outra pessoa, muito querida, que não vou dizer o nome, mas se ela ler este texto saberá que é dela que estou falando (tudo que você me disse, talvez não da forma mais adequada, fez eco em minha cabeça e num primeiro momento perturbou, mas agora está me libertando. Achei que você gostaria de saber disso). É claro que também gostaria de agradecer a mim mesmo já que estou me permitindo aprender com a vida e com as pessoas de um jeito que nunca havia aprendido antes. Obrigado a todos os leitores pela paciência com meus desabafos, obrigado a quem olha por mim em qualquer dimensão e esfera e obrigado por estar vivo, mais que nunca. Não sei bem a quem agradecer este último, mas o recado está dado. Obrigado.

Henrique é cronista do Blônicas.
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Escrito por Blônicas.. às 23h27
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Meia culpa (confissões de um egoísta)

De Henrique Szklo

De repente me dei conta que o caminho que escolhi na vida ou que a vida escolheu para mim está totalmente errado. Não que pessoas importantes na minha vida não tivessem tentado me alertar, mas por alguma razão eu não dava ouvidos nem enxergava a coisa daquela maneira. É claro que eu acabei me dando conta de tudo por causa de uma grande perda. Precisei perder o grande amor da minha vida para perceber o que estava fazendo comigo e com os outros. Na verdade eu não me sinto culpado, até porque a culpa só iria me empurrar ainda mais para o fundo do poço. Não me sinto culpado, mas sinto arrependimento que é um sentimento muito mais aconchegante e conciliador. O arrependimento faz com que a gente se dê chance para mudar. A culpa só machuca. Fiz o melhor que pude enquanto não tinha consciência. Eu sei que pode parecer uma desculpa esfarrapada e talvez até seja mesmo. Mas é a maneira que estou encontrando de dar a volta por cima e definir um novo rumo pra minha vida. Vou me expôr aqui neste texto talvez como nunca tenha feito em minha vida. Mas acho que esse expurgo também é libertador de alguma maneira que eu não sei explicar. Por razões diversas que agora talvez não seja o caso determinar, acabei por me tornar uma pessoa muito egoísta. Estou quase com 50 anos e nunca me interessei muito pelas outras pessoas. Tirando os meus filhos, por quem fiz um esforço descomunal, e minha ex-mulher, a quem amo como pessoa até hoje, nunca dei muita bola pra ninguém além de mim mesmo. É claro que por causa disso a minha vida tem sido muito mais difícil do que seria se eu fosse um pouco mais generoso. Acho, entretanto, que sou uma boa pessoa. Não desejo mal a ninguém e sou muito preocupado com ética e honestidade. Eu sei, isso não me redime dessa egotrip, mas, pelo menos me dá esperança de que eu possa encontrar dentro de mim mesmo a capacidade de mudar. Sempre fui um cara solitário e aprendi a viver assim. Muita gente me diz que não entende porque uma pessoa com meu talento está sempre no desvio, sempre com dificuldades financeiras e de relacionamento. Bem, agora eu entendi claramente. O ser humano é um ser social e eu tentei desvirtuar a nossa natureza, criando um mundo particular, talvez por defesa ou sei lá o que. E mesmo vivendo uma vida voltada pra mim mesmo, sempre quiz, como todo mundo, ser amado. Acho que até sou amado por uma ou outra pessoa, mas eu sempre criei um muro entre mim e os outros que impede as pessoas de se manifestarem. Agora eu percebi que para ser amado como eu gostaria eu teria de necessariamente dar a contrapartida de amor e atenção aos outros. Não como uma moeda de troca, mas como um princípio básico da vida. O problema é que eu não sei fazer isso. Não aprendi a fazer. Nem sei como começar. Acredito que posso, que tenho capacidade para corrigir meu rumo, mas ainda não sei bem que caminho tomar. Porque não vai adiantar nada eu fingir que estou interessado, porque não estaria mudando nada, apenas me aproveitando da consciência que tomei em benefício próprio. Eu quero, mais que tudo, sentir vontade de ajudar. Uma vontade real, legítima. Quero aprender a me interessar pelos outros e poder assim fazer essa troca tão importante e fundamental em nossas vidas. Acho que vou pra terapia. Outra desvantagem de ficar olhando só para o meu umbigo é que meus problemas crescem demais na minha cabeça. Não penso em outra coisa, é claro que eles se alimentam de minhas neuroses e ficam gigantescos. É insuportável neste momento ser eu, ser quem sou, viver o que estou vivendo. Quero me libertar desta prisão que eu mesmo construi em volta de mim mesmo. Não posso sequer exigir de ninguém que me ajude já que nunca dei contrapartida. Só posso esperar que o universo seja generoso comigo e me aponte os caminhos a seguir e me perdoe por não ter percebido tudo isso antes. Uma segunda chance todo mundo merece, é o que dizem. Àqueles que de alguma forma foram afetados pelo meu comportamento errático, por favor, me perdoem. Espero algum dia poder corrigir esses equívocos desnecessários. Hoje acredito que o meu destino é ser um professor, um tipo de professor que a gente não vê muito por aí, um professor inspirador, que motive, que incentive, que ajude os seus alunos a pensar por si mesmos e a descobrirem dentro de suas vidas um caminho melhor e mais iluminado. E sei que para isso terei de me dedicar, me esforçar e me desdobrar. Talvez seja o primeiro passo para conseguir reverter esse caminho equivocado que trilhei até hoje. Quem sabe eu ainda tenha uma chance de provar às pessoas que eu me importo com elas e que elas podem contar comigo para o que precisarem. Seja como for, essa consciência me alivia, me dá esperanças e alento. Um primeiro passo já está dado.

Henrique é cronista do Blônicas.
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Escrito por Blônicas.. às 11h56
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Maria Célia.

De Clara Vanali.

Maria Célia estava gordinha. Calças apertadas, blusas só as largas e biquíni tamanho G. No último final de semana, maiô. A sua refeição preferida, bife à parmegiana com sorvete do McDonald's de sobremesa, teria que ser cortada. Ordens do nutricionista.

Maria Célia nunca foi magra e nunca ligou para isso. 

Seus apelidos nunca foram magricela, cabo de vassoura ou bambu. Ela também nunca vestiu tecidos colados como cotton ou lycra. Maria Célia gosta de fritas e trufas. De catchup, ela também gosta.

Maria Célia está no terceiro colegial. Na última sexta-feira recebeu um bilhetinho na porta do banheiro feminino. A inspetora do prédio expressou um sorriso tímido e entregou o papel que estava dobrado em quatro vezes.

- Um mocinho pediu para te dar.

Ao abrir o recado, letras cortadas de revista formavam:

- Você é bonita, eu gosto de você.

Maria Célia arregalou os olhos, observou o pátio da escola e sorriu.

Ela era bonita, ele gostava dela. A identidade do admirador era desconhecida, mas Maria Célia já se sentia transformada. Agora, ela queria se gostar ainda mais.

Naquele dia à tarde, Maria Célia pediu a sua mãe para que a levasse a um nutricionista. Segunda-feira ela começaria a dieta. Pão integral pela manhã, beterraba, alface e frango grelhado no almoço.

No entanto, no domingo, horas antes da meia noite ela decidiu se despedir da vida sedentária e da gordurinha em cima do joelho. Isso merecia uma comemoração. Na cozinha, Maria Célia abriu um pacote de bolacha Passatempo recheada, mordeu a primeira e pensou:

- Eu sou bonita.

Clara Vanali é uma das vencedoras do concurso de crônicas do Blônicas e escreve no blog www.blogasclaras.blogspot.com . Em breve o último vencedor será postado.

Escrito por Blônicas às 17h45
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Elisa (todas as rimas)

De Henrique Szklo

Elisa, minha Elisa, Elisa de toda gente, Elisa de ninguém
Em meio ao nosso amor tipo torre de piza, quero rimar tudo com seu nome e em seu nome, bem à sua guisa
Um passarinho azul com asas de cera te trouxe pra mim e fez ninho em minha alma de pau oco. Depois te levou embora, a procura de outros sóis. Então, quem sois?
Que cê quer?
Mulher do mundo, do meu mundo, de outros mundos
Dona de verdades melífluas
Mulher de jorges, hugos, ruis, pedros, julios, coelhos e carneiros
Juíza sem juízo, sem fronteira, sem divisa
Você é linda, é pura, é lisa, Elisa
Monaliza, me analisa, monopoliza
Freud não te explica. Nem ousa. Vai, Sigmundo, improvisa
Percebes que és madre do deus que eu quis ser pra ti?
Oxalá, oxalá seja sempre essa menina agridoce
Literal, lateral, loteria, litorânea
Ilha bela, belíssima, solitária e sorridente
Meu espelho, meu pára-brisa. Da intensa brisa que foi o nosso amor, quase um tufão, que passou, revirou tudo e foi-se embora
Elisa é anjo, é fada, é bruxa, é grã-sacerdotiza, é maga, é saramaga
Todas as minhas metades, montes negros, claros e multicolores
Encontro de almas, encontro de corpos, desencontro de mentes e de relógios atemporais
Um amor de azeitonas temperadas, chás verdes com mel e pizzas de frigideira, varando madrugadas em varandas metafísicas da vida, fazendo e falando de amor, um amor impossivelmente lindo, de gente que sonha, que idealiza
Um amor escrito nas estrelas com tinta solúvel em lágrimas, derramadas por todas as razões para as quais as lágrimas foram feitas
Meu grande amor, me vestiu, me desnudou, me henriqueceu
No jiu-jitsu sem quimôno, me vence, me finaliza
Me deixa inerte no tatame, vazio e pleno
Elisa é livre, um monólogo infinito, sem resposta
Um metro e meio que revolucionou meus cravos e minhas ferraduras
Implacável, implicante, improvável, imprecisa
Maravilhosamente imperfeita, mais que imperfeita, absurdamente humana, insuportavelmente especial
Sabe tudo, sabe nada, preconiza
Cabeça dura, coração mole, me afaga e me pisa, machuca e cicatriza
Meu ar, meu tipo, meu arquétipo, que tipo de ar é você?
Oxigênio puro, gênio puro, digo eu
Muitas línguas, língua pra fora, meio stones, meio einstein
Meu porto inseguro, minha âncora de isopor, meu cais imaginário
Valdemira santiaga, me cura, me enche de fé, me evangeliza
Diva louca e pitonisa, dona de orgasmos e talentos múltiplos
Pintora, escritora, atriz, fotógrafa, psicóloga, produtora, amiga, namorada, mulher, sempre diferente, nunca reprisa
Provocação e sedução como forma de arte
Terça insana, de uma sanidade louca de poetisa
Lusitana, lusidia, luz e dia, noite e sol
Minha gorgo, minha rainha bárbara e profetiza. Rainha de todos os naipes, você é real, é realeza, realiza, re-Elisa
Quero você mais que tudo, menos que nada
Minha tuguinha linda, minha Elisa
Nunca me esqueça, fáxavor, não precisa

Uberlândia, uber alle, dezembro de 2009

Henrique escreve no Blônicas e é poeta meia-boca.
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Escrito por Blônicas.. às 23h08
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Fim.

 

De Ana Reber.

Quando o amor acaba? Em qual momento, segundo, em qual dos beijos a gente já não era mais a gente? Entre qual filme eu deixei de gostar de você? Será que foi no momento em que o microondas apitou dizendo que a pipoca estava pronta? Será que aquela linha na escova de dentes marcando a hora de trocar foi quem ditou o nosso fim? Se apenas eu soubesse quando isso aconteceu. O que fez de nós dois estranhos, dois mortos que jantam? A gente presta atenção na conversa da mesa ao lado. Nossos beijos são burocráticos, nosso sorriso é carimbado por uma impressão de fim. Somos o casal da pizzaria de domingo, que senta um ao lado do outro com dois copos de chopp intocados. Eu tomo banho de porta fechada, você não me pede mais livros emprestados. Sua mania de morder os lábios agora me irrita. Você olha para mim do mesmo jeito que olha a cortadora de frios na padaria. Nossos planos de futuro soam como bobagens adolescentes. Eu não levanto mais cedo que você só para escovar os dentes e dar o primeiro beijo fresco da manhã.  E acho que ultimamente meu jornaleiro me conhece mais. Eu não vejo mais graça no que você fala, você não lê mais o que eu escrevo. Assim como um texto, de uma linha para outra, simplesmente acabou.

Ana Reber é cronista do Blônicas.

 

Escrito por Blônicas às 17h43
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(500) Dias com Ela.

De Silvio Pilau.

Desde o início, a narração deixa claro que (500) Dias com Ela não se trata de uma história de amor comum como a que os cinemas estão acostumados a receber. O diretor Marc Webb e os roteiristas Michael H. Weber e Scott Neustadter estão mais dispostos a brincar com as expectativas da plateia do que oferecer aquilo que ela espera. 

Repleto de pequenas ideias, o filme tem como grande sacada a forma com a qual subverte as regras do gênero. Quando tem início, o espectador encontra o protagonista depressivo, logo após ter encerrado o relacionamento com Summer. Ele afirma categoricamente: “Não quero esquecê-la, quero recuperá-la”. Logo em seguida, o filme leva a plateia de volta até o “dia 1”, quando Tom e Summer se conheceram. Neste momento, parece que (500) Dias com Ela seguirá a seguinte estrutura: o público acompanhará o início do romance entre os dois para, no ato final, presenciar a forma com a qual Tom convence a garota a voltar para ele.

Nada, porém, poderia ser mais equivocado. Em primeiro lugar, os roteiristas apostam em uma narrativa não-linear, utilizando-se de diversas idas e vindas no tempo. Assim, a plateia é convidada a montar, junto a Tom, o emaranhado de lembranças sobre o relacionamento. Nesse sentido, o recurso utilizado por Webb de colocar os cartões com os respectivos dias nos quais os fatos aconteceram passa de apenas um exercício de estilo para se tornar uma ferramenta extremamente adequada e útil para a total compreensão do filme.

Aliás, esse é um exemplo do estilo através do qual (500) Dias com Elas é realizado. Webb utiliza diversos recursos para contar a sua história, construindo algumas cenas que não apenas funcionam isoladamente, mas se encaixam de maneira orgânica à trama. É o caso, por exemplo, do momento musical e dos filmezinhos homenageando a nouvelle vague e Ingmar Bergman, e, principalmente, a cena na qual apresenta, ao mesmo tempo, a presença do personagem em uma festa, separando a tela entre suas expectativas para o evento e o que realmente aconteceu. São ideias criativas e que representam de forma adequada o estado de espírito de Tom naquele instante.

Mas, para realmente dar certo, uma comédia romântica precisa fazer a plateia acreditar no relacionamento dos personagens. (500) Dias com Ela atinge esse objetivo principalmente pela presença de Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel. Bons atores, além de Deschanel continuar adorável, ambos funcionam maravilhosamente quando dividem a tela. A química é perfeita e a aproximação entre os dois é realizada de forma crível e gradual. A plateia realmente tem motivos para acreditar na paixão daquelas duas pessoas, o que faz com que torcer pelo final feliz do casal se torne muito mais fácil. 

E o destino do casal é mais uma opção de coragem de Marc Webb e dos roteiristas. Ao invés de fazer a plateia apenas acompanhar as dificuldades deles até ficarem juntos ao final, o filme surpreende com uma abordagem mais realista. (500) Dias com Ela não é uma obra sobre um casal que se conhece para viver feliz para sempre, mas apenas uma história sobre duas pessoas que passaram um tempo juntas e aprenderam muito com isso. De certa forma, é a história de um ex-relacionamento e não do verdadeiro amor: para Summer, Tom não passou de mais um caso antes de conhecer seu homem ideal e, ainda que ele tivesse outra esperança, o relacionamento teve que ser assim também para ele.

É dessa forma madura que Marc Webb fecha um filme que se esperava ser básico. Obviamente, a forma com a qual apresenta a sua história, através de uma linguagem videoclíptica e do humor, torna a obra acessível ao público mais jovem. (500) Dias com Ela, porém, tem mais pretensões, não se limitando às regras do gênero e apresentando boas ideias. E, por isso, merece ser lembrado não apenas como uma comédia romântica juvenil, mas um grande filme por si só.

Nota: 8.0

Silvio Pilau é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 20h18
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40 maneiras de identificar um morto-vivo.

De Edson Aran.

Ele pode estar ao seu lado neste instante!

1 – Convide o suspeito pra jantar. Se ele pedir cérebro, é morto-vivo.
2 – Se ele se move de um jeito desengonçado e não é o Keith Richards, é morto-vivo. Se for o Keith Richards também é.
3 – Pergunte o que ele acha da crise econômica, se ele responder “uuaaaggghhh”, é morto-vivo.
4 – Veja se ele se veste com andrajos e fede. Se não for cantor de hip-hop, é morto-vivo.
5 – Estique o braço na frente dele. Se ele morder, é morto-vivo. Ou vítima da fome não atendida pelo Bolsa Família.
6 – Veja se ele é filiado ao DEM. Se for, é morto-vivo.
7 – Pergunte o que ele achou do novo livro do Chico Buarque. Se gostou, é morto-vivo. Ou uma moça com primeiro grau incompleto que prefere o Fabio Jr.
8 – Se ele sai da terra e não é tatu, é morto-vivo.
9 – Se ele entra no cemitério à noite e não é macumbeiro, é morto-vivo.
10 – Pergunta onde está a Mila Jovovich. Se ele souber, é morto-vivo.
11 – Espere a lua cheia. Se ele virar lobisomem, não é morto-vivo.
12 – Peça pra ele(a) fazer uma chupetinha. Se comer seu pau, é morto-vivo.
13 – Confira se ele está se decompondo pela rua. Se não for o PSDB, é morto-vivo.
14 – Se você tem a cabeça aberta e ele aprecia muito o seu intelecto, é morto-vivo.
15 – Mostre um livro da Marilena Chauí. Se ele ler, é morto-vivo.
16 – Sirva macarrão ao alho e óleo. Se ele comer, não é morto-vivo. Nem vampiro.
17 – Se ele se veste com capa e colã não é morto-vivo, é super-herói.
18 – Convide-o para puxar ferro na academia. Se o braço sair, é morto-vivo.
19 – Pergunte se ele sabe onde anda o Michael Jackson. Se souber, é esquisitão. Quer dizer, morto-vivo.
20 – Passe com o carro em cima. Se não reclamar é morto-vivo. Se reclamar é mendigo.
21 – Se ele tem bananas na cabeça não é morto-vivo, é tropicalista.
22 – Se ele reclama da acústica e do ar-condicionado, não é morto-vivo, é o João Gilberto.
23 – Peça para que ele desenhe um projeto arquitetônico. Se ficar uma merda não é morto-vivo, é o Oscar Niemeyer.
24 – Se ele confunde César Romero com George Romero não é morto-vivo, é crítico de cinema.
25 – Pergunte se ele tem algum projeto inscrito na lei do audiovisual. Se tem não é morto-vivo, é vivo até demais.
26 – Leve o morto-vivo à igreja. Se ele entrar e não se dissolver em chamas paranormais, é morto-vivo. Capeta é que não entra em igreja, cabeção.
27 – Descubra se ele é ministro do governo Lula. Se for, é morto-vivo.
28 – Se ele sai da terra pra invadir fazendas, não é sem-terra, é morto-vivo.
29 – Se ele sai da fazenda pra invadir outra terras, não é morto-vivo, é sem-terra.   
30 – Se ele pergunta “teu pai tem terra?”, não é morto-vivo, é retardado.
31 – Chame o sujeito pra fazer uma festinha privê com três travestis taludos. Se ele topar não é morto-vivo, é o Ronaldo Fenômeno.
32 – Confira se o cara é negão e invocado. Se for é o zumbi, mas não é morto-vivo.
33 – Pergunte o que ele acha da obra do Marcelo Mirisola. Se ele responder “uuaaaaargghhh!” é crítico literário.
34 – Se ele gira a cabeça e vomita não é morto-vivo, é a Linda Blairgghhhhhhhh!
35 – Passe a mão na bunda dele. Se ele virar e comer o seu cérebro é morto-vivo.
36 – Veja como ele se comporta na reunião de marketing. Se ele fala “uuaaaaarrgghhh!” é diretor gerente de marketing corporativo.
37 – Pergunte se ele comprou aquela roupa andrajosa tinha pra homem. Se ele virar e comer o seu cérebro, é morto-vivo.
38 – Se ele não fala nada inteligível, é agressivo e anda sem direção, é motoboy. Se não tiver moto, é morto-vivo.
39 – Convide o bicho pra assistir Sex and the city. Se ele aceitar o convite, é viado – ops! Morto-vivo! Morto-vivo!
40 – Se ele só é visto em bandos, andando sem nenhum senso de direção e murmurando palavras ininteligíveis, é morto-vivo. Quer dizer, blogueiro.

Edson Aran é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas às 18h45
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