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Segunda-feira.

De Ana Reber.

Tem dias que a gente não sabe muito bem por onde começar. O dia nasce, corre, mas você não acompanha. Em dias assim, eu tenho vontade de sentar numa cadeira de balanço e ficar só acompanhando a dança coreografada dos ponteiros no relógio. Está frio, nada muito bom aconteceu, mas nada muito ruim também. Zero a zero no placar das grandes emoções. Olho pela janela e penso que para pelo menos uma pessoa neste mundo, o meu dia preguiçoso vai ser o dia mais feliz de sua vida. Ao final da tarde, ela se casa com o amigo de infância que no fundo, no fundo sempre foi apaixonada. Para outro alguém este foi um dia cinza, o mais triste do ano. Ele perdeu o pai, vencido por uma doença grave e agora está setindo agora um enorme vazio no peito, uma dor que vai deixar para sempre cinza o dia 31 de maio. Um terceiro ganha na loteria e morre antes de pegar o prêmio, enquanto um quarto fulano esvazia a conta da esposa rica para fugir com a amante cabelereira. Imagine o tanto de histórias, livros, filmes que daria para fazer com apenas 24 horas deste mundo. Drama, comédia, suspense com um desaparecimento, cinema mudo, aventura em alguma cordilheira, farsa nas rampas do congresso. Segunda-feira é assim, dá preguiça, uma vontade de ficar só assistindo o dia dos outros acontecer.

Ana Reber é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 16h25
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DELICATESSEN.

De Silvio Pilau.


De Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. Com Dominique Pinon, Marie-Laure Dougnac, Jean-Claude Dreyfus e Karin Viard.


Divertido, bizarro e imaginativo, filme de estreia de Jean-Pierre Jeunet já apresenta toda a sua criatividade visual.


Hoje em dia, Jean-Pierre Jeunet é conhecido como o cineasta responsável por um dos filmes mais cultuados da última década, O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Porém, a história sobre a jovem garota que decide ajudar as pessoas ao seu redor não foi a primeira vez em que o diretor demonstrou seu vigor criativo e – por que não? – excentricidade. Antes disso e da fraca tentativa no cinema norte-americano com Alien – A Ressurreição, Jeunet construiu, em parceria com Marc Caro, duas das mais inventivas e bizarras comédias/fantasias dos últimos anos: Ladrão de Sonhos e este Delicatessen.

Situado em alguma época de um futuro próximo, Delicatessen conta a história de diversas pessoas que moram em um edifício em cima de um açougue. Como a comida anda escassa em todo o planeta, a solução encontrada pelos moradores foi a de contratar ajudantes para o açougueiro, engordá-los e, logo em seguida, picotá-los em diversas partes para que todos sejam devidamente alimentados. O mais recente deles, porém, acaba se apaixonando pela filha do açougueiro e a moça decide ajudá-lo para que o rapaz não termine no estômago de seus vizinhos.

Apesar do parágrafo acima, fica claro desde as primeiras cenas que a história e os personagens não são o grande foco de Jeunet e Caro. Durante um bom tempo, a plateia permanece totalmente alheia ao que está acontecendo em Delicatessen, enquanto os cineastas apresentam uma visão de mundo fantasticamente surreal através de imagens e cenas extremamente originais. Um exemplo é o momento no qual é realizada uma montagem com diversos personagens em seus afazeres cotidianos, que cresce de maneira ritmada com os sons das tarefas. Trata-se de uma sequência sem qualquer significado para a trama, construída como um exercício de estilo dos diretores, que encanta tanto pela montagem quanto pelas pequenas ideias presentes.

Aliás, Delicatessen é um filme construído sobre estas pequenas ideias, mesmo que elas não tenham o menor objetivo de fazer a trama andar. As inusitadas tentativas de Aurore cometer suicídio, as travessuras dos dois garotos e a história do degrau solto, por exemplo, servem unicamente para divertir. Na verdade, a trama em si pouco importa em Delicatessen: o que Jeunet e Caro querem apresentar ao espectador é a sua visão imaginativa, seu senso de humor bizarro e, claro, seu estilo visual originalíssimo. Enredo e personagens não buscam coerência ou um desenvolvimento narrativo que leve do ponto A ao ponto B: o que importa são as imagens e a sensação de fascínio diante do absurdo que elas são capazes de gerar.

E no que diz respeito ao estilo, Delicatessen é nada menos do que espetacular. Se Jeunet demonstraria em seus trabalhos seguintes mais consistência na condução da história, em termos visuais este seu primeiro longa já apresenta incrível criatividade. Utilizando praticamente dois tons de cores (o laranja e o verde) e aproveitando-se de uma direção de arte inspiradíssima, os cineastas deixam claro desde o princípio que tudo aquilo não tem lastro na realidade, com os acontecimentos se situando em uma espécie de dimensão paralela. Mais do que isso, o trabalho de câmera ajuda na construção deste clima bizarro, com ângulos de câmera inusitados e diversos planos que chegam a distorcer a face dos atores através das lentes.

No entanto, a ausência de um maior desenvolvimento dos personagens e da trama acabam fazendo falta ao filme. Como o espectador não se envolve com o que está acontecendo na tela, Delicatessen se torna, por vezes, cansativo. Fascinante, claro, mas cansativo. Isso também reflete no elenco: os atores não passam de ferramentas para transformar em celulóide a visão dos cineastas, sem jamais terem espaço para desenvolver seus personagens. Ainda assim, eles parecem “comprar” a ideia de Jeunet e Caro, e atuam sempre no limite do exagero e caricato, exatamente aquilo que os diretores esperam.

De certa forma, Delicatessen não passa de uma grande brincadeira. Jeunet e Caro não têm quaisquer pretensões em criar um filme que emocione pelo envolvimento com personagens ou surpreenda com reviravoltas na história. A trama é uma mera desculpa para exibirem na tela uma incrível capacidade criativa, tanto em termos de imaginação quanto nos quesitos técnicos. Delicatessen é obra de cineastas com uma visão diferenciada e um espírito tão irreverente que, mesmo com algumas derrapadas, é impossível não se contagiar.

Nota: 7.0

Silvio Pilau é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 21h14
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