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Água na boca.

De Cléo Araújo.

Refeição de parque temático que se preze deve ter cachorro quente e Coca Cola. De preferência uma de quinhentos mililitros. Nada se compara, no universo dos hot dogs, sandubas de carrinho e hambúrgueres de origem suspeita a uma salsicha de cachorro quente produzida nas dependências de um parque temático. O pão é deliciosamente meio murcho, mas aquele meio do murcho que é a fração perfeita para dar ao conjunto o sabor de cachorro quente de parque, que é exatamente o que se quer quando se procura comida, oras, em um parque. A Coca Cola de máquina tem aquele tanto de gás a menos na medida exata para não ficar choco. São aquelas bolhas faltantes que fazem dele um refrigerante de máquina de parque temático. Único. Dá pra sentir o gosto do gelo. A dupla se completa com umas gotas de mostarda e catchup e um prato de plástico mole, sobre uma mesa de plástico de limpeza duvidosa e uma folha de guardanapo, fina, única, usada com parcimônia para durar até o último gole e a última mordida.

Aí tem o lance da pipoca. A de saquinho, comprada do tio do carrinho, seja na saída da missa, do estádio ou do colégio, é algo que contém um dos sabores mais singulares que conheço. A reação causada entre óleo sem rótulo, lâmpada de 100 watts, milho comprado a granel e papel acinzentado garante um tipo de resultado que pipoca de microondas nenhuma consegue copiar. Que manteiga que nada! A coisa é boa em seu estado puro, cada pipoca contando a história de um amassado da panela de alumínio do tio. Fora o sereno da garagem, onde ele deixa o seu carrinho estacionado durante a noite, ah, deve ter lá o seu papel. Até os piruás são especiais, têm aquele fundo de queimado que explode na boca, deixando uma pitada de sal na ponta da língua.

E bife no almoço de domingo? Se eu fechar os olhos, quase dá para sentir o aroma da frigideira de ferro que só um belo espécime de avó sabe onde encontrar. A mistura é simples: o bife, o sal, a avó, e mais nada. Há um ritual de preparo, é claro, que certamente esconde segredos invisíveis a olho nu. Se você tiver a chance de ver uma avó fritando um bife, pare, segure o queixo e repare: a malemolência com que ela vira o bichinho na frigideira; a idade, envergadura e número de dentes do garfo de virar; o número de viradas... E a manteiga espalhada no fundo da frigideira? Qual sua marca, quanto tempo ficou fora da geladeira? Em que mercadinho foi comprada? Aí, deite os olhos sobre o jeito de espalhar o sal sobre o bife. Dos dois lados, de um lado só? Tudo é variável determinante para o desfecho dessa história. E lá vem ele, ainda crepitante, mesmo fora do fogo, com toda sua suculência, se deitar no meu prato, para sermos felizes para sempre.

De sobremesa, eu fico com o bolo coberto com chantili feito em casa, da mesma altura, diâmetro, peso e dulçor do que a Neuza fez hoje, para comemorar meu aniversário. Eu ainda não o comi, mas nem precisa, porque eu já sei.  O geladinho da nuvem branca do chantili vai chegar primeiro ao céu da boca, dando aquela amanteigada geral. Aí, o pão de ló, levinho, levinho, aerado, fofo. É só com a terceira mastigada que eu vou perceber o leite condensado que foi levemente cozido, só para ganhar uma cor de caramelo a lá doce de leite argentino. E nossa? Calma... Hum, que delícia... O que é isso aqui no meio? Ah, são crocantes inesperados, mini pedaços de castanha do Pará, delicadamente moídas e salpicadas antes que o bolo fosse fechado, encapsulado e coberto. Um gole de um espumante brut, rose, só para dar cor ao copo, vai tilintar na boca, fazendo cócegas ao reagir com o doce, fechando um momento quase poético, definitivamente saboroso.

É água na boca, parabéns para você e nada mais.

Cléo Araújo é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 17h14
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