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Shiu, não fala nada.

De Ana Reber.

Uma vez estava esperando o ônibus em uma rodoviária do litoral. Minha pele ardia, o vãozinho do meu dedão estava assado pelas havaianas, o calor era insuportável. Perto de mim haviam mães com crianças de colo, senhorinhas sentadas em cima da mala e dois adolescentes cujas bocas estavam grudadas há mais ou menos quarenta minutos (cheguei a cogitar se eles não estavam precisando de ajuda, presos pelos aparelhos fixos). O busão estava 3, repito, TRÊS horas atrasado. E quando o motorista chegou, minha raiva só fez aumentar. As pessoas aplaudiam o motorista e gritavam felizes: Graças a Deus, é uma bênção! O normal nessas horas seria eu ter reclamado, mas confesso que naquele dia fiquei desanimada. De onde vem essa nossa resignação? Por que achamos que reclamar é ser ranzinza, chato, estraga prazeres? Na agência onde eu trabalho, um elemento rouba quase toda semana a marmita alheia. E pra piorar, o gatuno pega sempre as melhores partes da quentinha: a batatinha frita, o arroz e o feijão. O chuchu, a beterraba, ele faz a gentileza de deixar pro dono. O que me deixa mais triste é que os próprios donos das marmitas nunca se manifestaram, nunca reclamaram e continuaram até ontem almoçando o que sobrava. Mais uma vez me indignei e hoje em nome dos companheiros, mandei um e-mail para as autoridades. No caso aqui, a mocinha do RH. Já reclamei, já fiz tocaia, pensei até em colocar veneno de rato e ver quem cai morto no meio da tarde. Espero que esse elemento no mínimo morra de prisão de ventre. Mas por que não reclamamos das coisas? Não sou historiadora, não sei se são as nossas origens, a nossa colonização ou se essa resposta é velha e o buraco do asfalto é mais embaixo. Só queria que a gente um dia fosse diferente. Vi um comercial na tevê onde o proprietário de um carrão dizia: é ótimo, passa na enchente que é uma beleza. Fiquei chocada, como uma marca se aproveita de uma coisa tão grave como as enchentes para vender caranga? Por que a gente não reclama dos buracos ao invés de pulá-los com a picape? Não quero parecer azeda, mas como melhorar sendo só legal, simpático, carnavalesco e boa praça? Foi assim, sendo bacanão que um belo dia um carinha com gel no cabelo confiscou as economias do país inteiro. Demorou pra gente responder e quando foi pra rua, o dinheiro já tinha ido pra Suíça. As coisas têm mudado, não se pode generalizar, mas ainda temos muito o que reclamar, pedir, reivindicar. Me chame de ranzinza, reclamona, mas eu não me acostumo. De agora em diante, pelo menos na minha marmita, só vai dar jiló.

Ana Reber é cronista do Blônicas.

Escrito por Blônicas . às 09h52
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